Lacen realiza capacitação sobre esporotricose diante do aumento de casos da doença

Treinamento aborda diagnóstico laboratorial, vigilância epidemiológica e manejo de amostras diante do aumento de casos da doença no Brasil e em Goiás

Profissionais do Lacen, da Coordenação Estadual de Zoonoses da Suvisa e da Cidade de Goiás durante capacitação sobre diagnóstico e vigilância da esporotricose

O Laboratório Estadual de Saúde Pública de Goiás (Lacen-GO) realizou capacitação sobre esporotricose, ministrada por servidores da unidade e da Coordenação Estadual de Zoonoses da Subsecretaria de Vigilância em Saúde (Suvisa). O treinamento foi voltado ao diagnóstico e à vigilância da infecção causada por fungos do gênero Sporothrix.

A atividade reuniu profissionais da Cidade de Goiás e teve como objetivo fortalecer o reconhecimento da doença e aprimorar os processos de coleta, transporte e conservação de amostras.
A esporotricose é considerada a micose zoonótica mais comum no país. A doença pode afetar seres humanos e diferentes espécies animais, incluindo gatos, cães, roedores, bovinos, equinos e suínos. Entre esses, os felinos são atualmente os principais responsáveis pela transmissão da infecção para as pessoas.

Estudos indicam que a transmissão para humanos ocorre principalmente por meio de arranhões, mordidas ou contato com lesões de animais infectados. No Brasil, o contato com gatos doentes tem sido apontado como a principal forma de infecção humana.

Em animais, especialmente nos gatos, a doença costuma se manifestar por lesões cutâneas que podem evoluir para feridas abertas, geralmente na região da cabeça, patas e cauda. Em humanos, os sintomas mais comuns incluem lesões na pele que surgem no local da infecção e podem se espalhar ao longo dos vasos linfáticos, formando nódulos ou úlceras.

Embora historicamente associada a atividades rurais, como jardinagem e agricultura, a esporotricose tem se tornado cada vez mais frequente em áreas urbanas. Fatores como o aumento da população de animais sem acompanhamento veterinário, além de condições sanitárias e sociais desfavoráveis, contribuem para a disseminação da doença.

Diante do aumento de registros da doença no país, o Ministério da Saúde incluiu, em março de 2025, a esporotricose humana na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública, por meio da Portaria nº 6.734/GM/MS. Em Goiás, desde 2023 foi recomendada a notificação de casos suspeitos ou confirmados da doença.

Casos de esporotricose aumentam em Goiás
Embora o diagnóstico laboratorial seja considerado o padrão-ouro para confirmação da esporotricose, grande parte dos casos é confirmada por critérios clínico-epidemiológicos, que levam em conta o relato do paciente e a situação epidemiológica da região onde ele reside.

Dados consolidados da SUVISA apontam crescimento no número de casos de esporotricose humana em Goiás. Em 2023 foram registrados três casos confirmados; em 2024, 69; e em 2025, 77. A maior concentração de registros ocorreu em Planaltina de Goiás, seguida pelos municípios de Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia, Itumbiara, Abadia de Goiás, Cristalina, Jataí, Posse e São João da Aliança.

No Lacen, o diagnóstico laboratorial é realizado pela Coordenação de Micologia por meio da cultura fúngica, exame feito a partir de material coletado das lesões do paciente. O laboratório analisa amostras encaminhadas pelos serviços de saúde e contribui para a confirmação dos casos investigados no estado.

Integrados aos dados consolidados da Suvisa, os exames realizados pelo Lacen também demonstram a tendência de aumento da doença. Em 2024, o laboratório realizou 27 exames relacionados à investigação da esporotricose, dos quais 17 tiveram resultado positivo. Em 2025, foram registrados 52 exames, com 32 confirmações. Já nos primeiros meses de 2026, foram realizados quatro exames, com um resultado positivo.

Os dados laboratoriais acompanham o crescimento observado nas notificações da doença. O número de confirmações registradas em 2025 foi quase o dobro do observado em 2024, o que reforça o alerta para a vigilância e o monitoramento da esporotricose no estado.

Capacitações fortalece diagnóstico e vigilância da doença
O Lacen desempenha papel estratégico no diagnóstico da doença. A unidade é responsável pela realização de exames laboratoriais que auxiliam na confirmação dos casos suspeitos e no monitoramento da circulação do fungo no estado.

Além da análise das amostras encaminhadas pelos serviços de saúde, o laboratório também oferece suporte técnico aos municípios, contribuindo para a qualificação do diagnóstico e para o fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica.

A coordenadora da Coordenação de Micologia do Lacen, Disley Xavier Rodrigues, destaca que a capacitação contribui para ampliar o conhecimento dos profissionais e fortalecer as ações de vigilância da doença no estado. “O reconhecimento imediato de lesões suspeitas na atenção básica permite a quebra da cadeia de transmissão (animal-homem), evitando a ocorrência de surtos localizados. A precisão da coleta de amostras realizadas nos municípios é o que viabiliza o diagnóstico de certeza por cultura fúngica, refletindo diretamente na redução da morbidade e no uso racional de antifúngicos no SUS. Esta estratégia não apenas qualifica o cuidado ao paciente, mas também fortalece o monitoramento da saúde animal, permitindo intervenções conjuntas entre a vigilância epidemiológica e a ambiental.”

Mariana Martins (texto e foto) / Lacen-GO

*Fonte técnica: as informações epidemiológicas utilizadas nesta matéria têm como base o boletim “Perfil epidemiológico de casos de esporotricose humana e animal em Goiás no ano de 2024”, publicado pela Escola de Saúde de Goiás. Autores: Alaires Lopes Ferreira e Larissa Araújo Leal Reis.

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