Brasil suspende vacina da dengue por precaução e reforça rigor da vigilância famacológica
SES destaca que a medida preventiva demonstra que sistema de vigilância farmacológica está em pleno funcionamento e prioriza a proteção da população enquanto investigações seguem em curso

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES/GO) reforça a determinação do Ministério da Saúde, realizada na última segunda-feira (8/06), de suspender cautelarmente a estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante produzido pelo Instituto Butantan no Sistema Único de Saúde (SUS), que estava sendo aplicada para o público de trabalhadores da saúde. A medida foi adotada com base no princípio da precaução, após identificação de um sinal de segurança que ainda está em investigação e será mantida até a conclusão da investigação dos casos raros com sinais de alerta que não tinham sido observados no estudo clínico. A vacinação com o imunizante contra a dengue do laboratório Takeda (vacina Qdenga), para o público de 10 a 14 anos, continua a ser realizada em todo o país.
Segundo informações do Ministério da Saúde, após avaliação em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a decisão foi tomada após o registro de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Dentre eles, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. A identificação desses episódios foi feita pela farmacovigilância – procedimento padrão de monitoramento adotado sempre que um novo insumo passa a ser usado no Sistema Único de Saúde (SUS). São eventos raros que correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio – e ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação deles com a vacina.
A decisão reforça a seriedade do sistema brasileiro de vigilância farmacológica. No país, todos os medicamentos e vacinas passam por rigorosos processos de avaliação antes de serem autorizados para uso, conduzidos por órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mesmo após a aprovação, o monitoramento dos efeitos continua de forma permanente, por meio de sistemas como o de vigilância de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (Esavi).
Foi justamente esse acompanhamento contínuo que permitiu a detecção de eventos raros, com características semelhantes à dengue com sinais de alarme ou formas graves, em pessoas previamente vacinadas. Embora esses casos ainda não tenham relação causal comprovada com a vacina, a adoção imediata de medidas preventivas confirma o compromisso das autoridades de saúde com a segurança da população.
Até o momento, os registros indicam que os eventos são incomuns frente ao volume de doses aplicadas. Ainda assim, por apresentarem relevância clínica, cada caso está sendo investigado individualmente, com apoio de equipes de vigilância, assistência e laboratório em todo o país.
Especialistas destacam que a suspensão temporária é uma prática padrão em saúde pública quando há necessidade de aprofundar análises sobre segurança. Esse tipo de medida não significa, necessariamente, que exista risco confirmado, mas sim que o sistema está atuando com responsabilidade e transparência.
O Ministério da Saúde reforça que a população pode ficar tranquila. A interrupção da estratégia é uma ação de cuidado, que visa garantir que todas as evidências sejam avaliadas com rigor antes da continuidade da vacinação. Enquanto isso, seguem ativas as ações de vigilância, investigação e comunicação de risco. As autoridades de saúde continuam acompanhando de perto a situação e irão atualizar a população assim que novas conclusões estiverem disponíveis.
Secretaria de Estado da Saúde de Goiás
Foto: Iron Braz


