Semadcast: por que a água do rio São Marcos é alvo de disputa há mais de 10 anos?

Região concentra a maior área irrigável da América do Sul e é estratégica também para a geração de energia hidrelétrica

O conflito pelo uso da água na bacia do rio São Marcos é o tema do novo episódio do Semadcast, podcast produzido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad). A região do Alto São Marcos, que engloba municípios de Goiás, Minas Gerais e uma parte do Distrito Federal, concentra a maior área irrigável da América do Sul e é estratégica também para a geração de energia hidrelétrica.

Quem explica os detalhes é Rodrigo Zanelati, técnico ambiental da Gerência de Gestão e Alocação dos Usos de Recursos Hídricos da Semad. Segundo ele, o conflito começou há mais de dez anos, com a construção da Usina Hidrelétrica de Batalha, quando parte significativa da água passou a ser reservada para a produção de energia. Desde então, agricultores e o setor elétrico disputam a disponibilidade do recurso.

“O que movimenta Cristalina e grande parte da economia regional é a agricultura irrigada, mas ao mesmo tempo a água é essencial para a geração de energia em várias usinas até Itaipu. São dois usos prioritários que precisam coexistir”, explica Rodrigo.

A solução para o conflito vem sendo construída de forma participativa. A Resolução Conjunta nº 109/2021, atual marco regulatório da bacia, foi elaborada em consenso após audiências públicas e negociações entre a Agência Nacional de Águas (ANA), Semad Goiás, Semad Minas, Adasa (DF) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). 

Mais sobre o assunto: AQUI

A diretora-presidente da ANA, Verónica Sánchez, chegou a reconhecer Goiás como protagonista nesse processo, destacando a parceria com a Semad para reduzir conflitos e avançar na regularização do uso da água.

Durante o episódio, Zanelati também fala sobre:

  • A importância econômica e energética da bacia do São Marcos;
  • Como funcionam as outorgas e por que elas são fundamentais para o controle do uso da água;
  • O processo de entrega das primeiras portarias de outorga em 2024, que já beneficiou produtores do Grupo 1;
  • O uso do sistema federal Regla para análise das solicitações no Alto São Marcos, em integração com o sistema estadual Veredas;

A implantação de estações telemétricas para monitoramento em tempo real, reforçando a fiscalização e a segurança hídrica.

Apesar da disputa, Rodrigo avalia que não há risco de colapso. Com o marco regulatório em vigor, mais de 90% dos usuários já catalogados e sistemas de monitoramento em implantação, a gestão da bacia se tornou mais organizada. “Hoje temos dados robustos e reuniões periódicas entre os gestores. Isso nos dá confiança para dizer que a água pode ser usada de forma equilibrada”, ressalta.

Serviço

Spotify Semadcast: https://open.spotify.com/show/76d700PmqvIYSHC4cQPxiG?si=afb436d91c924fc5
YouTube Semad: youtube.com/@semadgoias 
Instagram Semad: instagram.com/semadgoias.reserva/

Legenda: Rio São Marcos, em Goiás
Foto: Rubens Pontoni / Banco de Imagens ANA

Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Governo de Goiás

Governo na palma da mão