Outubro Rosa: Crer aborda importância do suporte emocional e inovações no diagnóstico e tratamento do câncer de mama
Tira-dúvidas e palestra destacaram importância do cuidado contínuo com a paciente

Em alusão ao mês de conscientização sobre o câncer de mama, o Serviço de Epidemiologia do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), unidade do Governo de Goiás, promoveu uma série de ações educativas voltadas para pacientes e profissionais. O destaque da programação foi a palestra realizada para cerca de 90 colaboradores, que abordou o tema “Um toque pode salvar vidas”.
O evento reuniu especialistas para discutir desde a prevenção até as inovações no tratamento da doença. A palestra foi ministrada pelo médico mastologista Antônio Eduardo, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, e por Kiane Oliveira Santos, psicóloga especialista em saúde mental, avaliação neuropsicológica e burnout e colaboradora do Serviço de Saúde Mental da unidade.
Sobre ter com quem contar nas horas mais difíceis
Durante a apresentação, a psicóloga Kiane Oliveira Santos ressaltou o papel do suporte emocional clínico durante o enfrentamento da doença. “Já em relação ao apoio psicológico (…) é fundamental, porque o diagnóstico e o tratamento podem mobilizar diversas emoções, como medo, ansiedade e insegurança, além de provocar mudanças na imagem corporal, na autoestima e na forma como a mulher se percebe”, detalhou Kiane.
“A psicologia oferece um espaço de acolhimento para que ela possa elaborar essas experiências, reconhecer suas necessidades e encontrar recursos emocionais para atravessar esse processo. É compreender que, para além do tratamento da doença, existe uma mulher com uma história, sentimentos e necessidades que também precisam ser cuidadas.”
A especialista enfatizou que ter com quem contar nas horas mais difíceis contribui para a saúde emocional e mental da mulher. A psicóloga também conduziu uma reflexão voltada para a identidade da mulher além de suas obrigações diárias.
“A estratégia da conversa foi trazer um olhar para além dos papéis que a mulher ocupa no dia a dia, seja como profissional, mãe, esposa, filha ou dona de casa”, explicou. Segundo Kiane, a ideia “foi criar um momento leve de reflexão sobre autocuidado, valorização pessoal e sororidade, incentivando essas mulheres a olharem com mais carinho para si mesmas não apenas esse mês, mas o ano todo de forma integral.”
Avanços tecnológicos e tratamento personalizado
A palestra também aprofundou sobre a expressiva evolução tecnológica no diagnóstico por imagem, que hoje conta com ferramentas de alta precisão, como a ressonância magnética, mamografia digital, tomossíntese e biópsias guiadas. Na área laboratorial, a precisão diagnóstica aumentou significativamente com exames como a imunohistoquímica, que identifica com rigor os subtipos tumorais.
Em relação à cirurgia reconstrutiva, o médico Antônio Eduardo ressaltou os avanços da oncoplastia. A realização da reconstrução mamária imediata no mesmo ato operatório é fundamental para minimizar o impacto psicológico da intervenção radical, evitando que a mulher desperte do procedimento cirúrgico com a sensação de mutilação.
Sobre as diretrizes de prevenção, o especialista reiterou as recomendações da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), que preconiza a realização da mamografia anual a partir dos 40 anos de idade. A mamografia regular, associada ao acompanhamento médico, reduz a mortalidade em cerca de 20% ou mais, segundo estimativas de estudos.
Informação que cuida
Além da palestra, a instituição organizou a campanha “Informação que cuida”. A atividade foi pensada para integrar o público da unidade, unindo profissionais e pacientes em uma frente única de conscientização sobre o diagnóstico precoce. A ação consistiu em momentos de tira-dúvidas conduzido por residentes do hospital.
Embora o Crer seja uma unidade com perfil assistencial focado na reabilitação e não ofereça tratamentos de alta complexidade oncológica, como a quimioterapia, a iniciativa demonstra o compromisso institucional com a saúde integral da mulher. As atividades do Outubro Rosa transcenderam o escopo rotineiro da unidade, transformando o ambiente terapêutico em um espaço aberto e acessível para orientações em saúde pública.
Janaína de Oliveira ( texto e foto) / Agir
Os dados e as informações contidos nesta matéria foram fornecidos pela Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir) e são de responsabilidade da instituição.

