Evento debate racismo no atendimento à saúde dos negros

Encontro realizado em Brasília define ações para maior visibilidade da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra

Encontro reuniu profissionais do Conass, Fiocruz e das Secretarias da Saúde de todos os Estados

Pesquisadores e profissionais de saúde de diferentes instituições do País vão desenvolver ações com o objetivo de ampliar a visibilidade da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Essas atividades foram definidas durante a Câmara Técnica de Comunicação em Saúde, realizada nessa quarta e quinta-feira (08 e 09/10), em Brasília (DF), na qual estiveram presentes representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e das Secretarias de Estado da Saúde (SES) de todo o País.

A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra foi publicada pelo Ministério da Saúde em 2009. Ela prevê, entre outros pontos, a instituição de mecanismos de promoção da saúde integral da população negra e o enfrentamento ao racismo institucional no Sistema Único de Saúde (SUS). O pesquisador e docente da Fiocruz, Andrey Lemos, enfatizou durante a Câmara Técnica que o racismo institucional no SUS interfere de forma direta nos baixos indicadores de saúde da população negra, entre eles as mortes precoces, altas taxas de mortalidade materna e infantil, elevada prevalência de doenças crônicas e infecciosas e altos índices de violência.

Entre as atividades propostas pelos pesquisadores e profissionais reunidos no evento para superar essa situação e garantir a visibilidade da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra destacam-se a produção de vídeos sobre a saúde das pessoas pretas e pardas pelo Canal Saúde da Fiocruz; a elaboração de nota técnica a ser encaminhada às Secretarias da Saúde de todos os Estados; lançamento do Observatório da População Negra e a articulação com universidades para debate sobre o tema.

Andrey Lemos acentuou que, apesar de a PNSIPN ter sido editada há 16 anos, há um longo caminho a percorrer para que a política alcance resultados positivos. A vulnerabilidade social vivenciada pelos negros é demonstrada em levantamentos científicos e oficiais. Registros do Ministério da Saúde revelam que que 66% das vítimas de violência obstétrica são negras e que cerca de 50% das pessoas LGBTQIA+ afetadas por atos de violência são pardas ou pretas.

A grande maioria dos cargos gerenciais (69%) é ocupada por pessoas brancas, enquanto 29,5% são exercidos por cidadãos negros. A insegurança alimentar integra o cotidiano das pessoas pretas e pardas. Conforme os estudos, 18,1% dos lares chefiados por negros convivem com a fome. Nas pessoas brancas, o drama afeta 10,6% dos domicílios. Os negros também são as maiores vítimas das doenças caracterizadas como negligenciadas, entre as quais a hanseníase e a anemia falciforme.

Fotos: Sergio Velho Junior/ Fiocruz Brasília

Texto: Maria José Silva/ Comunicação Setorial SES-GO

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