Aos 95 anos, médico revisita HDS e reencontra história que ajudou a construir

Jarbas Doles volta à antiga Colônia Santa Marta, lugar onde parte de sua trajetória profissional se entrelaça com a história da saúde pública em Goiás

Jarbas Doles, com a supervisora Cledma Ludovico, retorna como visitante ao HDS, onde atuou na Colônia Santa Marta

O médico patologista Jarbas Doles, de 95 anos, visitou o Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária Colônia Santa Marta (HDS), onde atuou por anos e ajudou a construir a história da unidade.

Recebido no Espaço de Memórias da unidade do Governo de Goiás, o médico revisitou lembranças de uma época em que atuava no laboratório e no dispensário da instituição, contribuindo para o diagnóstico da hanseníase, conhecida naquele período como lepra.

Pioneiro da medicina laboratorial em Goiás, Jarbas Doles construiu uma carreira marcada pela ciência, pelo diagnóstico e pela formação médica.

Natural de Cumari (GO), graduou-se em Medicina pela Escola Paulista de Medicina, em 1955. Na antiga Colônia Santa Marta, seu trabalho integrou os esforços de diagnóstico em um período de grandes desafios científicos e marcado pelo isolamento compulsório das pessoas atingidas pela hanseníase.

Recursos laboratoriais
Nesse contexto, o conhecimento médico e os recursos laboratoriais tinham papel importante na identificação da doença e na condução da assistência. Décadas depois, seu retorno ao local permite olhar para esse passado a partir da perspectiva de quem esteve presente e participou daquela realidade.

“Naquela época, era muito difícil, pois o preconceito era dominante e a sociedade não aceitava as pessoas com hanseníase. Um acervo como o do HDS, além de preservar a história da unidade, ajuda as pessoas a compreender melhor a história da doença”, relata.

“Hoje, ver que a instituição estruturou um espaço dedicado à preservação dessa memória é gratificante. Isso contribui para combater o preconceito, porque a ignorância o alimenta”, afirma, ainda.

A visita ganhou significado especial por aproximar a memória individual da história de uma instituição que atravessou profundas transformações. O homem que um dia trabalhou nos espaços da antiga colônia agora percorre o acervo que preserva registros de uma época decisiva para a saúde pública goiana.

Fotografias, documentos e instrumentos ajudam a contar essa trajetória, mas a presença de quem viveu aqueles anos acrescenta uma dimensão que os arquivos, sozinhos, não conseguem alcançar.

Avanços
Hoje, o HDS mantém o compromisso de preservar essa memória, reconhecendo tanto os avanços científicos e assistenciais quanto as histórias das pessoas que viveram na antiga colônia. A trajetória de Jarbas Doles integra esse legado e ajuda a compreender os desafios enfrentados pela medicina em diferentes períodos.

Mais do que revisitar um lugar, o médico reencontrou um capítulo de sua própria história. Sua presença no HDS destaca a importância de produzir conhecimento não só baseado em registros textuais e imagens, mas também de dialogar com as memórias de quem participou dessa trajetória.

Dessa forma, as novas gerações poderão conhecer não apenas as mudanças da instituição, mas também as pessoas, os desafios e os acontecimentos que ajudaram a construí-la.

Naiclea Luzia da Silva (texto e foto) / Agir

Os dados e as informações contidos nesta matéria foram fornecidos pela Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir) e são de responsabilidade da instituição.

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