Ação alusiva ao Dia Mundial do Diabetes promove prevenção para servidores da SES
Objetivo é alertar população sobre necessidade de diagnóstico precoce e tratamento da doença

Os servidores da sede da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás terão acesso a uma ação de prevenção, alusiva ao Dia Mundial do Diabetes, no pátio da SES/GO, na manhã de sexta-feira (14/11). Na ocasião, serão oferecidos serviços como aferição de pressão arterial, teste de glicemia, exposição da caixa nutricional e orientações, triagem para o risco de diabetes, avaliação de peso, altura, circunferência abdominal, IMC, auriculoterapia e atividade corporal, com a equipe Projeto Ativamente SES.
A ação é organizada pelo Grupo Operacional de Crônicas do Estado de Goiás, da Gerência de Vigilância Epidemiológica de Doenças não Transmissíveis e Promoção da Saúde/ Superintendência de Vigilância em Saúde/Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (GVEDNTPS/ SUVISA/ SES-GO), em parceria com a Superintendência de Políticas e Atenção à Saúde através da Gerência de Atenção Primária.
O Dia 14 de novembro foi definido como o Dia Mundial do Diabetes, com o objetivo de alertar a população sobre a necessidade de diagnóstico precoce e tratamento da doença. O diabetes mellitus (DM) é uma doença crônica não transmissível caracterizada pela presença de hiperglicemia (níveis elevados de açúcar no sangue). O DM tipo 2 (DM2), responsável por 90% dos casos, é causado por uma redução na produção e/ou ação inadequada da insulina produzida no organismo. É mais frequente em adultos e está relacionado à predisposição genética, fatores de risco como o sobrepeso e obesidade, inatividade física e alimentação não saudável.
No ano de 2025, a campanha “Novembro Diabetes Azul” enfatiza a inclusão e o respeito no ambiente de trabalho, promovendo o bem-estar de pessoas com diabetes através de ações que promovam inclusão e acolhimento.
Prevalência
O Diabetes é uma doença de prevalência crescente, atingindo, atualmente, cerca de 10% da população mundial. Estima-se que quase a metade desses indivíduos ainda não tenha tido esse diagnóstico. No mundo, em 2024, eram 588,7 milhões de indivíduos vivendo com diabetes e a estimativa é que esse número atinja 852,5 milhões de pessoas até 2050, entre a população de 20-79 anos.
O Brasil está na 6ª posição entre os países, com 16,6 milhões de indivíduos com diabetes, com perspectiva de 24 milhões para 2050, segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF, 2025). Em nível nacional, estimativas de 2021, da IDF, falam que cerca de 30% das pessoas desconheciam ter o diagnóstico, e 50% dos indivíduos identificados com diabetes não sabiam que tinham o diagnóstico. Para o Diabetes tipo 1 (DM tipo 1) mundialmente existem 9,2 milhões pessoas com o diagnóstico de todas as idades, e com mais de 20 anos, 1,8 milhão de pessoas. Nacionalmente, 99.000 de pessoas com DM tipo 1 de 0-19 anos, e num total 499.000 de todas as idades (IDF, 2025).
No Brasil, a prevalência do diabetes entre os indivíduos maiores de 18 anos vem oscilando nos últimos anos, com aumento progressivo desde 2019 e atingindo 10,2% da população no ano de 2023, de acordo com o Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), que avalia nas 26 capitais dos estados do Brasil e mais o Distrito Federal. Em Goiânia, segundo o Vigitel, os valores variavam em torno de 7,0% na última década, mas houve aumento para 8,8% em 2023.
No Vigitel Goiás 2023, o primeiro inquérito realizado pela SES-GO, com representatividade para o Estado de Goiás e as cinco macrorregiões, a frequência de adultos que referiram o diagnóstico médico de diabetes em Goiás entre os indivíduos maiores que 18 anos, foi 6,4%. Para o Vigitel Goiás 2025, essa prevalência foi para 9,3%, com 8,3% para o sexo masculino e 10,2% para o feminino (dados preliminares).
A tendência é de aumento de prevalência, conforme o aumento da idade, e diminuição conforme mais anos de escolaridade da população estudada. Segundo o Centralizador Estadual de dados do Estado de Goiás, existem 624.552 indivíduos com DM identificados na rede SUS do estado de Goiás, que corresponde a cerca de 8,41% da população (Metabase, 2025).
Complicações
O DM leva a risco aumentado de mortalidade cardiovascular e morbidade por causar complicações agudas e crônicas. As complicações agudas são inerentes a uma descompensação do diabetes em si, são graves, ameaçam a vida e demandam tratamento hospitalar, na maioria das vezes em ambiente de terapia intensiva. São caracterizadas pela presença de hiperglicemia associada a manifestações sistêmicas como a acidose metabólica (no caso da cetoacidose diabética), desidratação grave e alteração do nível de consciência (no caso do estado hiperosmolar não-cetótico, também chamado de coma hiperosmolar).
As complicações crônicas podem ocorrer após anos de duração de diabetes, com mais frequência nos casos com controle inadequado, podem levar a lesões em diferentes órgãos e sistemas e são divididas em micro e macrovasculares. As complicações microvasculares mais frequentes são a retinopatia diabética, nefropatia diabética e neuropatia diabética. As complicações macrovasculares se referem ao comprometimento de grandes artérias, como as coronárias, que levam ao infarto agudo do miocárdio, as do sistema nervoso central, que podem levar ao acidente vascular encefálico e as artérias periféricas, que podem levar a oclusão arterial periférica, sendo mais frequentes nos membros inferiores. Existem ainda complicações combinadas, como o pé diabético que, em geral, ocorre pela doença arterial periférica associada à neuropatia diabética.
A taxa de internação por DM no estado vem caindo desde o ano de 2012 a um ritmo médio de 3,19% a cada ano. Nos anos de 2016, 2017 e 2018 os números foram os mais baixos da série histórica e de 2020 a 2022 houve discreto aumento da taxa, provavelmente relacionado à pandemia. A tendência de queda apareceu novamente no ano de 2023. Os idosos tiveram as maiores taxas de internação, que foram mais frequentemente relacionadas às complicações crônicas. A complicação do DM que mais frequentemente esteve relacionada a internações em Goiás foram as doenças circulatórias periféricas no ano de 2022 (Boletim Epidemiológico- Internações Hospitalares por Diabetes no ano de 2022, 2024).
Estima-se que aproximadamente 6,7 milhões de adultos (20-79 anos) tenham morrido no mundo como resultado de diabetes ou suas complicações em 2021, correspondendo a 12,2% de mortes globais por todas as causas nessa faixa etária, e aproximadamente, um terço das mortes por diabetes ocorrem em pessoas com idade ativa, abaixo de 60 anos (IDF, 2021). Segundo o estudo The Global Burden of Disease Study (2019), o Diabetes passou do ano de 2009 para 2019, de 7º lugar entre mortes/100.000 habitantes em ambos os sexos, para o 6º lugar, com 33,6% (% de mudança). Segundo estudo de Malta et. al (2019), a taxa de mortalidade específica para diabetes por 100.000 habitantes, nacionalmente, passou do ano de 1992 para 2019, de 12,8 para 30,2 demonstrando aumento da taxa de mortalidade.
A taxa de mortalidade prematura por diabetes no estado de Goiás foi de 26,45 óbitos a cada 100.000 habitantes no ano de 2024, com aumento de 2023-2024, anterior há um período de estabilidade, a não ser em 2020 e 2021, período correspondente à pandemia, em que esses valores foram mais elevados, conforme série histórica e tem projeção de estabilidade para os próximos anos (Tabela 2). Importante ressaltar que esses valores subestimam o real impacto do diabetes na morbimortalidade da população, uma vez que a maior causa de mortalidade nestes indivíduos vem das doenças cardiovasculares. Além disso, as complicações crônicas do DM estão relacionadas a prejuízos na capacidade laboral e na qualidade de vida dos indivíduos com esse diagnóstico e a elevados custos para a gestão pública.
Diagnóstico precoce
Visando a redução das complicações do DM, o diagnóstico precoce e bom controle são recomendados. Para o rastreamento do DM é indicado que os exames de avaliação da glicemia sejam feitos por todos os indivíduos que tenham sintomas de hiperglicemia como aumento do volume de urina, boca seca, perda de peso não intencional, turvação visual e fraqueza, entre outros. Para indivíduos assintomáticos, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, a triagem é recomendada nas seguintes situações:
Quem deve fazer o exame para saber se tem diabetes:
• Qualquer pessoa que tenha os sintomas de diabetes
• Idade ≥ 35 anos
• Com diagnóstico de HIV/AIDS, pancreatite e doenças associadas ao diabetes
• Pré-diabetes em exame prévio
• História prévia de diabetes gestacional ou recém-nascido com peso ≥ 4,5 kg
• Indivíduos em uso de medicamentos que induzem hiperglicemia (corticoides, por exemplo)
• Pessoas abaixo de 35 anos com sobrepeso ou obesidade e um, ou mais dos fatores de risco:
• História familiar de DM2 em parentes de primeiro grau (pais ou irmãos)
• História de doença cardiovascular
• Hipertensão arterial
• HDL baixo (“bom colesterol”)
• Triglicerídeos alto
• Com o diagnóstico de Síndrome de ovários policísticos
• Acantose nigricans (manchas escuras e negras nas dobras como pescoço, axilas e virilha)
• Sedentarismo
Para um bom controle do DM é necessário acompanhamento regular com profissionais de saúde, medidas não-farmacológicas e medidas farmacológicas, em alguns casos. Dentre as medidas não- farmacológicas, as mais importantes são a prática regular de atividade física, manutenção de uma dieta balanceada (controle de carboidratos, uso rotineiro de verduras, legumes, carnes magras e alimentos ricos em fibras, evitando açúcares, frituras e alimentos ultraprocessados), cessação do tabagismo e do uso excessivo de álcool. Há várias opções de medicamentos orais e injetáveis para o tratamento do diabetes, e seu uso deve sempre seguir a prescrição médica.
A adesão a essas medidas, a realização de exames periódicos e o acompanhamento com a equipe de saúde multidisciplinar regularmente são fundamentais para o controle da doença.
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Secretaria de Estado da Saúde de Goiás


