HDS promove reencontro virtual entre mãe e filha em ação de humanização

Aos 81 anos, em cuidados paliativos, Maria Ilza Correa viveu um reencontro emocionante durante chamada de vídeo com a filha que mora em Fortaleza

Maria Ilza Corrêa, de 81 anos, conversa com a filha Sandra Corrêa por chamada de vídeo 

A tela do tablet iluminou o quarto e, por alguns segundos, o silêncio tomou conta do ambiente. Do outro lado da chamada, a voz de uma filha atravessava quilômetros até chegar ao leito onde a mãe, Maria Ilza Corrêa, de 81 anos, está internada e em cuidados paliativos. “Oi, mãezinha”, disse Sandra Corrêa Rosa. Maria Ilza sorriu ao reconhecer a filha, que reside no estado de Minas Gerais. O encontro aconteceu por meio da tecnologia, mas carregava o peso e o afeto de um abraço esperado.

A iniciativa partiu da equipe assistencial do Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária Colônia Santa Marta (HDS), que organizou uma ação de humanização aproveitando o mês dedicado às mulheres. “A proposta era simples e poderosa: reconhecer a força de uma mãe e permitir que ela pudesse ver e ouvir a filha que mora em outro estado”, destacou a psicóloga Vanuslândia Loiola.

A paciente está acamada desde uma queda que resultou em fratura do fêmur há quatro meses. A internação no HDS ocorre para uso de antibiótico, tratamento de lesão por pressão e orientação da família para os cuidados que serão mantidos em casa. Situações como essa fazem parte da rotina de muitos pacientes idosos no sistema público de saúde, que enfrentam períodos prolongados de tratamento e dependem da rede familiar e da assistência multiprofissional para garantir dignidade no processo de cuidado.

Entre uma conversa e outra na chamada de vídeo, surgiram lembranças que ajudam a contar quem é Maria Ilza. Uma mulher apaixonada por animais, especialmente gatos e cachorros. Alguém que sempre estendeu a mão a quem precisava, muitas vezes ajudando pessoas em situação de rua. Histórias assim revelam uma vida construída na solidariedade e na presença constante junto à comunidade.

“Eu quero agradecer pelo atendimento humanizado com que vocês, profissionais do HDS, cuidam da minha mãe. Amor ao próximo, respeito e dedicação com o paciente e familiares. Em especial, esse reencontro que a psicologia me proporcionou ao poder ver minha mãe por vídeo. Foi emocionante. Que Deus abençoe vocês grandemente.”

A psicóloga Vanuslândia explica que, no ambiente hospitalar, ações de humanização como essa lembram que o cuidado vai além dos procedimentos clínicos. Em meio a antibióticos, curativos e orientações médicas, existe também a necessidade de preservar vínculos e afetos. A chamada de vídeo não mudou o diagnóstico, mas transformou o dia de uma mãe e filha.

Quando a ligação terminou, o quarto voltou ao ritmo silencioso da enfermaria. Ainda assim, algo havia mudado. Por alguns minutos, a distância entre Goiânia e Fortaleza deixou de existir. E no rosto de Maria Ilza ficou a expressão tranquila de quem teve a chance de reencontrar, mesmo que pela tela, uma parte essencial da própria vida.

Naicléa Luzia (texto e foto) / Agir

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