HDS destaca importância da mudança de hábitos no controle da obesidade

Diante do avanço da doença no Brasil e no mundo, mudança de hábitos é peça-chave para conter problema que já impacta saúde pública, economia e qualidade de vida de milhões de pessoas

Endocrinologista Roberta Prado destaca importância da mudança de hábitos para promoção da saúde e da qualidade de vida

O Dia Mundial da Obesidade, celebrado nessa quarta-feira (04/03), acende um alerta para uma das principais ameaças à saúde pública da atualidade. No Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária Colônia Santa Marta (HDS), a data reforça a importância da prevenção e do tratamento de uma doença que atinge milhões de brasileiros. Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de um em cada quatro adultos no país vive com obesidade, quadro que amplia a demanda por atendimento na rede pública e eleva o risco de doenças crônicas.

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal e está associada a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, enfermidades cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 2022, cerca de 2,5 bilhões de adultos em todo o mundo apresentavam excesso de peso, dos quais aproximadamente 890 milhões viviam com obesidade. O impacto também é econômico. A Federação Mundial da Obesidade projeta que os custos globais relacionados ao excesso de peso podem ultrapassar 4 trilhões de dólares por ano até 2035.

No Brasil, a prevalência da obesidade entre adultos alcança 24,3 por cento nas capitais, segundo levantamento do Ministério da Saúde. A endocrinologista do HDS, Roberta Prado, explica que a doença envolve múltiplos fatores. “Existe um componente genético importante, mas o estilo de vida costuma ter peso decisivo. O sedentarismo aliado à má alimentação, ao consumo de álcool e ao uso de cigarro favorece o desenvolvimento da obesidade”, afirma.

A médica ressalta que a desigualdade social influencia também nos índices da doença. Populações de menor renda enfrentam maior dificuldade de acesso a alimentos saudáveis, que em geral têm custo mais elevado do que produtos industrializados. O preço dos medicamentos indicados para o tratamento e a ausência de espaços adequados para atividade física também são barreiras. “Os alimentos ultraprocessados costumam ser mais baratos e acessíveis. Isso interfere na qualidade da alimentação e, consequentemente, na saúde”, observa.

No HDS, o tratamento inclui avaliação médica, orientação nutricional e acompanhamento contínuo, com foco na mudança de hábitos. Para a endocrinologista, a alimentação é a base da estratégia terapêutica. “É fundamental reduzir o consumo de alimentos industrializados, incluir frutas e verduras na rotina e diminuir carboidratos refinados, como pães e arroz branco. Quando a família participa desse processo, o resultado tende a ser mais consistente”, destaca.

A instituição reforça que informação qualificada, acesso ao cuidado especializado e políticas públicas eficazes são medidas essenciais para conter o avanço da obesidade. A data amplia o debate, mas o enfrentamento da doença exige compromisso permanente com a promoção de hábitos saudáveis e com a ampliação do acesso ao tratamento adequado.

Naicléa Luzia (texto e foto) / Agir

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