Cadeira de PVC se torna aliada na reabilitação de pacientes acamados no Ceap-Sol
Dispositivo desenvolvido pela equipe de reabilitação com material de baixo custo obtém resultados significativos na recuperação motora e cognitiva do internos da unidade do Governo de Goiás

O Centro Estadual de Atenção Prolongada e Casa de Apoio Condomínio Solidariedade (Ceap-Sol) implantou uma inovação simples, porém de grande impacto na reabilitação dos pacientes: uma cadeira feita de tubos de PVC. Leve, resistente e de baixo custo, o dispositivo foi desenvolvido para auxiliar pessoas que não conseguem permanecer sentadas de forma independente por conta de fraqueza muscular e perdas funcionais.
Segundo a fisioterapeuta Katiuscia Gomes, o objetivo é acelerar a recuperação e melhorar a qualidade de vida. A cadeira contribui para ganhos cognitivos e motores, como fortalecimento muscular, melhora da coordenação e do equilíbrio, avanço na função respiratória e maior independência nas atividades diárias. “O foco é a segurança e a recuperação global. Muitos pacientes não têm controle de tronco, e a cadeira possibilita o posicionamento seguro, potencializando os ganhos”, destaca.
A iniciativa nasceu da própria equipe multiprofissional, especialmente dos profissionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, que identificaram a necessidade de um recurso acessível para pacientes restritos ao leito. Inspirados em iniciativas semelhantes de outros estados, adaptaram o modelo à realidade do CEAP-SOL. Cada cadeira custa cerca de R$ 120; atualmente há um modelo em uso, com planos de ampliar para atender os cerca de 14 pacientes acamados.
Além dos avanços motores, a equipe de Terapia Ocupacional da unidade do Governo de Goiás gerida pelo Instituto Sócrates Guanaes (ISG), observa impactos cognitivos e emocionais. “Quando o paciente é posicionado com segurança, ele passa a interagir mais, participar das atividades e se comunicar melhor. Isso favorece o despertar e até o humor”, afirma a terapeuta ocupacional Tainá Póvoa.
Relatos
Os relatos confirmam os resultados. Um paciente contou que, ao começar a usar a cadeira, passou a ficar mais desperto, melhorar a respiração, interagir mais e recuperar força no tronco — o que permitiu até o retorno à alimentação por via oral. “Quando cheguei ao Ceap-Sol, não conseguia me sentar sozinho e passava o dia inteiro acamado”, conta.
“A cadeira me mantinha seguro na posição sentada, o que me deixou mais desperto, melhorou minha respiração e facilitou minha interação com as pessoas. Algo tão simples fez uma enorme diferença na minha recuperação”, acrescenta. Outro caso é o de uma paciente que, antes alimentada por sonda, voltou a comer pela boca e retomou atividades externas, como passeios terapêuticos.
Com criatividade e sensibilidade, a equipe do Ceap-Sol mostra que soluções simples podem gerar transformações profundas, devolvendo autonomia, dignidade e qualidade de vida aos pacientes da unidade.
Cejane Pupulin (texto e foto)/ISG


