Governo de Goiás entrega sensores de glicose a crianças e adolescentes diabéticos do HGG

Dispositivos que monitoram níveis de açúcar no sangue são repassados gratuitamente a todos os pacientes de 2 a 14 anos atendidos no Centro Estadual de Atenção ao Diabetes (Cead)

Sérgio Vencio, crianças e adolescentes beneficiados com sensores, pais e médicos do Cead/Cead

O Governo de Goiás e a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) passam a disponibilizar, a partir de mês, sensores para monitoramento de glicose em pacientes diabéticos. Os dispositivos são destinados a todos os pacientes de 2 a 14 anos diagnosticados com diabetes tipo 1 atendidos no Centro Estadual de Atenção ao Diabetes (Cead) do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG). O lançamento oficial do programa foi feito na manhã desta quinta-feira (9/10), no auditório da unidade do Governo de Goiás, com a primeira entrega do kit de monitoramento, pelo secretário adjunto da Saúde, Sérgio Vencio, ao paciente Ben Silva de Carvalho, de 5 anos, acompanhado da tia.

Referência nacional no atendimento aos pacientes diabéticos, o HGG também se torna o primeiro hospital da rede estadual a oferecer os dispositivos de forma sistemática. O sensor é aplicado sob a pele, sem necessidade de picadas nos dedos ao longo do dia. Sérgio Vencio destaca que o Cead/HGG firma o compromisso de disponibilizar os sensores, por ser um centro de referência nacional no atendimento ao diabetes.

O novo serviço disponível aos usuários do Sistema Único de Saúde faz parte do Programa de Monitoramento Contínuo de Glicose em Crianças e Adolescentes do HGG. A partir de agora, além de fornecer o equipamento, o hospital vai oferecer um treinamento para todos os pacientes e responsáveis sobre como aplicar os sensores, o modo correto de uso e as funcionalidades do dispositivo.

“Temos cerca de 60 pacientes elegíveis para receber estes dispositivos de última geração, e a meta do Governo de Goiás é alcançar, neste primeiro momento, até cem pacientes do Cead nessa faixa etária. Será um investimento de cerca de R$ 768 mil por ano, um valor que representa mais qualidade de vida para os pacientes e tranquilidade para as famílias”, afirmou o secretário ajdunto da SES-GO. Em sua fala na solenidade, destacou tratar-se de um programa continuado, um programa de governo, que deve continuar e ser estendido ao resto do Estado. “Porque o que a gente faz aqui salva vidas, é trazer tranquilidade para os pais e para as mães”, destacou, em sua fala na solenidade.

Outra autoridade a falar no evento, o coordenador médico do Cead, Nelson Rassi lembrou da conversa com Sérgio Vencio, há dois, em um evento em Santa Catarina, quando o subsecretário sugeriu a implantação do serviço no HGG. “A partir daí foi uma luta. Isso é um projeto caro, demanda planejamento, corpo clínico especializado, uma coisa que não é fácil de se implantar de um dia para o outro”, disse. “Estamos muito felizes por esse evento (…) no Cead, e com coração muito grato também por esse tratamento que todas as crianças com diabetes irão ter a partir de hoje”, ressaltou.

Monitores digitais
A médica endocrinologista pediatra do HGG, Tainara Emília reforça que todos os pacientes dentro da faixa etária de 2 a 14 anos receberão, gratuitamente, todos os meses, dois sensores para o acompanhamento da glicose. “Esses sensores duram entre 14 e 15 dias. Por isso, as pessoas precisam de dois sensores por mês, pelo menos, o que será garantido pelo hospital. Além destes dispositivos que estarão fixados na pele dos pacientes, nós também vamos disponibilizar monitores digitais, para que eles e os pais possam acompanhar oscilações perigosas de glicose mais estáveis”, explica.

Uma das pacientes beneficiadas e presentes no evento, Laura Beatriz Silva de Almeida, de 9 anos, teve o diagnóstico de diabetes com 1 com um ano e meio de idade. De acordo com a mãe, a psicopedagoga Sinan de Almeida, a criança chegou a ser hospitalizada, após uma crise de cetoacidose (complicação metabólica grave ligada à doença). Ao falar em nome dos demais responsáveis pelas crianças beneficiadas, agradeceu à ação do governo. “Estou aqui com o coração muito grato, porque esse sensor vai conceder uma qualidade de vida, um controle glicêmico melhor.”

Tainara Emília informou ainda que os pacientes que receberão os sensores retornam daqui um mês. “Eles retornam em 30 dias para uma nova consulta, onde vão receber novos dispositivos. A equipe médica do Cead irá fazer a avaliação dos dados coletados pelo sensor e orientar as famílias sobre como interpretar as informações”, afirmou. Esses dados também serão base de pesquisas no HGG. A partir das amostras, as comissões de ensino pesquisa da unidade vão elaborar estudos que podem contribuir para embasar políticas públicas para o atendimento à população diabética.

Dispositivo
Os sistemas de monitoramento contínuo de glicose são tecnologias que permitem medir os níveis de glicose no organismo de forma contínua, sem a necessidade de picadas nos dedos ao longo dos dias. O sensor é aplicado sob a pele e envia leituras frequentes da glicose, ajudando a identificar oscilações perigosas e a manter os níveis mais seguros.

Desde 2017, o Brasil conta com sensores de monitorização contínua (CGM) registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O sensor é inserido sobre a pele — todos no braço e mede a glicose no líquido intersticial (não diretamente no sangue). Ele armazena os dados que podem ser acessados por um leitor ou celular compatível. O modelo que será oferecido pelo Governo de Goiás mostra gráficos das últimas oito horas, indica tendências (se a glicose está subindo ou descendo) e não exige calibração diária.

Como o pâncreas não fabrica insulina, é preciso medir ou ter o sensor indicando para o médico entender o comportamento da glicose, além de fornecer informações sobre se o paciente está com hipoglicemia ou hiperglicemia e o que pode comer. Como é preciso contar carboidratos, essa contagem também é ajustada de acordo com a glicemia.

Medir a glicose na ponta do dedo ou pelo sensor indica para o paciente o quanto deve aplicar de insulina, se está em hipoglicemia ou hiperglicemia, além de ajudar o médico a entender o comportamento da glicose. Em pacientes com diabetes tipo 1, o pâncreas não produz mais insulina, sendo necessária a aplicação frequente de insulina em todas as refeições, de acordo com a contagem de carboidratos. E essa contagem também é ajustada de acordo com a glicemia.

Benefícios
O Brasil é o terceiro país do mundo em casos de diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes. A doença é mais comum na infância, geralmente a partir de 5 anos de idade, até o começo da idade adulta. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2019 e 2023, o SUS gastou mais de R$ 200 milhões com internações por diabetes tipo 1 e 2 em crianças e adolescentes de até 19 anos. A maior parte desse valor está associada a complicações evitáveis, como a cetoacidose diabética, responsável por cerca de 70% das admissões hospitalares na faixa pediátrica. O sensor de glicemia tem se mostrado uma ferramenta fundamental para o manejo adequado da doença. Prevenir é muito mais eficiente, tanto do ponto de vista clínico quanto econômico.

Estudos mostram que o uso de sensores de monitoramento de glicose:
• Reduz episódios de hipoglicemia e o tempo em que a glicose está fora da faixa ideal.
• Melhora o controle glicêmico de longo prazo (HbA1c).
• Diminui internações por complicações como cetoacidose.
• Melhora a qualidade de vida de pessoas com diabetes tipo 1, tipo 2 e diabetes gestacional.
• No caso de gestantes com diabetes tipo 1, também foram observadas melhorias nos desfechos para o bebê, como menor risco de internação na UTI neonatal.
• Oferecem aos médicos uma visão global do paciente, quando a glicose está subindo ou caindo, durante 24 horas.

Comunicação Setorial/Secretaria de Estado da Saúde de Goiás

Foto: Alex Maia/Idtech

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