Culto ecumênico marca os 38 anos do acidente radiológico em Goiânia
Celebração no Cara reuniu vítimas, familiares e profissionais de saúde reforçando a importância da memória e do cuidado

Na manhã desta segunda-feira (29/09), foi realizado um culto ecumênico no Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves (Cara), unidade ambulatorial multidisciplinar da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). A celebração marcou os 38 anos do maior acidente radiológico do país – ocorrido em Goiânia em 1987- reunindo famílias, vítimas do acidente e servidores da saúde em um momento de homenagem e reflexão.
Acidente radiológico em Goiânia
Em setembro de 1987, um aparelho de radioterapia abandonado em um antigo hospital da capital deu origem ao acidente, quando fragmentos de Césio-137 foram manipulados e circularam em diferentes pontos da cidade.
A contaminação resultou em quatro mortes diretamente relacionadas nos primeiros meses, centenas de pessoas expostas e milhares monitoradas ao longo dos anos. O caso mobilizou autoridades nacionais e internacionais e se tornou um marco mundial na discussão sobre segurança radiológica, vigilância e saúde pública.
Memória e cuidado contínuo
O Cara foi criado para garantir acompanhamento integral às vítimas do acidente, oferecendo suporte médico, psicológico e social. Atualmente, atende 1.377 pacientes e a unidade é referência nacional em vigilância radiológica e assistência às pessoas expostas.
A diretora do Cara, Glauciene Esteves, destacou o simbolismo do culto e a necessidade de preservar a memória coletiva sobre o episódio.“Manter viva essa história é fundamental para honrar as vítimas, apoiar os sobreviventes e reforçar a importância da segurança e da prevenção. O Cara existe para cuidar dessas pessoas e também para lembrar que a responsabilidade com a vida deve estar sempre em primeiro lugar”, afirmou.
Ainda como parte das atividades pelos 38 anos do acidente radiológico na capital goiana, foi realizada, neste domingo (28/9), uma live com o tema: “Radioatividade Césio-137: História Vivida e Atualidades”, que contou com a participação da diretora do Cara, Glauciene Esteves; do professor Carlos Eduardo Brandão Mello, que também é médico da Academia Nacional de Medicina e do físico nuclear; e o assessor da Presidência da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Walter Mendes Ferreira, que foi responsável por descobrir o acidente radiológico com o Césio-137 em Goiânia.
Yara Galvão (Texto) e Iron Braz (Fotos) / Comunicação Setorial SES-GO


