Huana realiza três captações de órgãos seguidas em julho

Do dia 14 a 16 deste mês, unidade do Governo de Goiás em Anápolis captou nove órgãos, entre rins, fígado e coração, que darão nova vida a outras pessoas

Equipe de cirurgiões e demais profissionais envolvidos em uma das captações de órgãos no Huana

O Hospital Estadual de Urgências de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Huana), unidade do Governo de Goiás, realizou em julho três captações de órgãos seguidas. No dia 14, foi realizada a captação de rins em um homem de 48 anos. Já no dia 15, uma mulher de 46 anos se tornou doadora de rins e fígado. A terceira captação foi realizada na quinta-feira passada, 16. Trata-se de um homem de 33 anos, que doou coração, rins e fígado.

“Expressamos aqui nosso agradecimento a todas as famílias que aceitaram a realização da doação dos órgãos dos seus entes queridos que, infelizmente, evoluíram a óbito, mas não deixaram de abençoar outras vidas”, destaca o diretor-executivo do Huana, João Pedro dos Santos Pereira.

O gerente administrativo hospital, destacou que o número de captações foi expressivo: “É um momento de muita emoção. A última captação de coração havia sido realizada há dois anos na instituição. Muito importante vivenciar a transformação de um momento de luto em ato de generosidade em benefício de outras pessoas”, destacou.

As doações de órgãos permitem que pacientes nas mais diversas localidades tenham a chance de uma vida melhor. Famílias de pacientes que evoluíram a óbito são fundamentais nesse processo, ao assinarem termo de consentimento para que seus entes queridos possam fazer o bem, mesmo em meio a um contexto de luto e tristeza. Cada captação realizada pode envolver até cem profissionais, que atuam nas mais diversas localidades do Brasil, em um trabalho que exige sincronia para que os órgãos captados cheguem a tempo no destino.

Emoção
O médico Ronaldo Honorato Barros dos Santos, cirurgião transplantador e cirurgião cardiovascular do Instituto do Coração de São Paulo (Incor), foi responsável pela captação de coração, no dia 16. “Contamos com o apoio de, seguramente, cem pessoas, a começar o pessoal da terapia intensiva aqui do hospital de Anápolis (Huana), a Secretaria de Saúde do Governo do Estado de Goiás, a Secretaria de Saúde do Governo do Estado de São Paulo, o Sistema Nacional de Transplante e a Força Aérea Brasileira”, citou.

“Hoje (16) foram beneficiados ou poderão ser beneficiados, em uma captação dessas, que nós falamos de múltiplos órgãos, um receptor de coração, um receptor de fígado, dois receptores de rim, isso sem contar córneas e outros tecidos que poderiam ser utilizados e que poderão beneficiar outros receptores”, explica.

Ele falou ainda sobre a importância da doação: “O recado que eu gostaria de passar é que, a despeito do momento que nós vivemos, particular e em toda a sociedade, na medicina, mundialmente, as pessoas continuam precisando de transplantes. Precisamos de órgãos para transplantes. Doem seus órgãos”. O médico Ronaldo Honorato Barros dos Santos deu destaque à estrutura do Huana e pontuou que a instituição dispõe de condições para realizar captações com a segurança necessária.

O cirurgião de fígado Edmond Le Campion foi responsável pela captação do fígado e dos rins realizada no dia 16 de julho. “Graças à sensibilidade da família, que autorizou, após o diagnóstico de morte encefálica (…), removermos os órgãos para ajudarmos inúmeras famílias.”

OPO e Cihdott
O Huana é uma das três instituições em Goiás que sedia uma Organização de Procura de Órgãos (OPO), estabelecida de acordo com critérios do Ministério da Saúde. A OPO, por sua vez, atua de maneira cooperativa com a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott) – ambas são corresponsáveis pelo desempenho da rede de atenção à doação em sua área.

A OPO baseada no Huana atende a toda a região de abrangência do hospital e exerce a logística de procura de doadores e articulação com as equipes médicas na identificação de potenciais doadores. Um dos objetivos é assegurar que o processo seja ágil, eficiente e dentro dos parâmetros previstos na Resolução 2.173 do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Entre as ações estabelecidas estão ações para a manutenção dos pacientes para a captação dos órgãos e tecidos destinados a transplantes. “É um de seus papéis promover a conscientização da população quanto à importância da doação e capacitar multiplicadores sobre acolhimento familiar e demais aspectos do processo de doação/transplantes”, explica a coordenadora da OPO, enfermeira Nathália Mendonça.

A também enfermeira Vanessa Lobo, coordenadora da Cihdott do Huana, explica que, no processo de doação de órgãos e tecidos, todas as condições clínicas do possível doador são avaliadas. “É verificada a viabilidade dos órgãos a serem extraídos, e a família passa por uma entrevista que visa à elucidação de todo o processo, acolhimento e apoio à família, antes do consentir a doação”, conta. O Huana é a única instituição de saúde da Regional de Saúde Pireneus – Macrorregião Centro-Norte na qual está instalada uma OPO.

 

Felipe Homsi/Hariane Rodrigues (texto) e Felipe Homsi (foto)/Funev

 

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