Projeto apoiado pela Fapeg promove uso seguro de insumos e transição agroecológica no Nordeste Goiano

Iniciativa prevê capacitação de agricultores familiares, entrega de equipamentos de proteção individual e incentivo ao uso de bioinsumos na agricultura familiar.

O Instituto Federal Goiano (IF Goiano) – Campus Campos Belos, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), lança no próximo dia 26, às 17h30, na sede da Comunidade Quilombola do Povoado Cabeçudo, no Nordeste Goiano, o projeto Mais Agro Menos Tóxico: “Por um Agro que Não Deixe Ninguém e Nenhum Lugar para Trás”.

Durante a solenidade serão entregues 50 kits de equipamentos de proteção individual (EPIs) e cinco pulverizadores costais com acessórios de turbonebulização (metade do total previsto; o restante será entregue no segundo ano do projeto). A iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso ao conhecimento e às tecnologias voltadas ao uso seguro de agrotóxico, além de incentivar a transição agroecológica por meio do uso de bioinsumos.

A ação marca a segunda fase de um projeto iniciado em 2017 pelo IF Goiano no Campus Campos Belos, voltado ao uso seguro e correto de agrotóxicos e ao estímulo ao uso sustentável de bioinsumos (ações junto a produtores rurais e escolas municipais). Nesta nova etapa, as atividades serão desenvolvidas por meio da integração entre ensino, pesquisa e extensão, para o fortalecimento da segurança alimentar, da justiça ambiental e da inovação no campo.

O projeto é coordenado pelo professor e diretor-geral do campus Campos Belos, Althiéris de Souza Saraiva. Ele destaca o impacto da iniciativa em uma região marcada por desigualdades no acesso a tecnologias agrícolas. Segundo ele, em muitos locais do Estado de Goiás a inovação já está associada a tecnologias avançadas e sistemas modernos de produção. No entanto, em áreas historicamente negligenciadas, como parte do Nordeste Goiano, o acesso a equipamentos básicos de proteção e aplicação ainda representa um avanço significativo.

“Em um Goiás de contrastes, onde a inovação em alguns lugares já ‘voa alto’, aqui ela começa com algo simples, mas transformador: o acesso a um EPI e a um pulverizador adequado”, afirma. Para o professor, garantir condições mínimas de segurança no trabalho rural já representa um passo importante em direção à dignidade e à sustentabilidade.

A proposta foi selecionada em um edital da Fapeg – de Apoio a Projetos de Extensão de Instituições de Ensino Superior do Estado de Goiás (nº 12/2025), que tem como objetivo, fomentar programas e projetos de extensão universitária que tenham qualidade inovadora e sejam desenvolvidos por IES públicas, ou privadas sem fins lucrativos. São projetos que vão aplicar o conhecimento científico de forma prática, com impacto direto em comunidades e grupos sociais em situação de vulnerabilidade, além de estimular a interação entre universidade e sociedade, gerando transformação nos mais diversos desafios da sociedade goiana. A Fapeg está investindo R$ 44.900 na iniciativa.

Alinhado ao princípio da Agenda 2030 da ONU de “não deixar ninguém para trás”, (Leave no one behind), o projeto busca ampliar esse compromisso também para territórios historicamente invisibilizados, promovendo inclusão social, proteção à saúde e cuidado ambiental.

A iniciativa pretende enfrentar um cenário de profunda desigualdade sociotécnica no meio rural, especialmente em comunidades tradicionais e marginalizadas, onde o acesso à inovação ainda é limitado. Enquanto outras regiões do estado recebem tecnologias avançadas e capacitações frequentes sobre boas práticas agrícolas, nesses territórios muitas vezes faltam equipamentos básicos de segurança.

Com apoio da Fapeg, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Centro de Excelência em Bioinsumos (CEBIO), o projeto será desenvolvido por meio de ações de formação teórica e prática junto a agricultores familiares quilombolas, envolvendo também estudantes e docentes em atividades interdisciplinares.

Entre as ações previstas estão oficinas, minicursos e práticas de campo voltadas ao uso correto e seguro de agrotóxicos, à compreensão dos riscos ecotoxicológicos associados e à apresentação de alternativas sustentáveis, como os bioinsumos, especialmente no contexto da agricultura familiar. As atividades serão acompanhadas pela entrega dos kits de EPIs e dos pulverizadores costais, além da produção de materiais educativos acessíveis, que também serão utilizados em escolas da região como estratégia de extensão e sensibilização ambiental.

A metodologia adotada valoriza o conhecimento tradicional da comunidade, promovendo o diálogo entre o saber científico e a experiência dos agricultores locais.

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