Documentário “Mulheres da Pesca no Araguaia” estreia neste domingo no Cinex, em Goiânia

Produção destaca histórias, saberes e o protagonismo feminino às margens do Rio Araguaia. Lançamento terá entrada gratuita e presença de pescadoras retratadas no filme

O documentário Mulheres da Pesca no Araguaia será lançado neste domingo, 17, às 10 horas, no Cinema Cinex, no Centro Cultural Oscar Niemeyer. O evento contará com a presença de pescadoras da região do Araguaia, protagonistas da história e parte essencial do filme. O lançamento é aberto ao público, que será recebido com um café da manhã para um momento de encontro, troca e celebração construído por pesquisadores, estudantes e comunidades parceiras.

O documentário traz histórias, vivências e a força das mulheres que fazem parte da cultura e da vida às margens do Rio Araguaia. Um olhar sensível sobre território, tradição, protagonismo feminino e conexão com a natureza. Essa aproximação entre ciência, cultura e cinema como ferramenta de popularização científica e transformação social permite expandir fronteiras e alcançar públicos maiores, levando essas discussões para além da academia.

O filme também representa um encontro entre mulheres de diferentes áreas atuando juntas. Mariana Pires de Campos Telles é bióloga e coordenadora dos projetos Araguaia Vivo ( e PPBio Araguaia e professora da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e da Universidade Federal de Goiás (UFG); Andréia Juliana é professora da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e coordenadora do Coletivo Mulheres Cientistas em Rede; Thais Oliveira, cineasta e professora do Curso de Cinema e Audiovisual da UEG, e Ana Clara Diniz, publicitária, além da equipe da Bold Studio, responsável pela produção, liderada pela Roberta. “Juntas, canalizamos nossas experiências e nossa força de trabalho para ampliar a voz de mulheres que são fundamentais para essa atividade crescente no Araguaia. Por meio dele, conseguimos construir uma forma diferente de levar o conhecimento científico para a sociedade, utilizando uma linguagem mais acessível, sensível e próxima das pessoas”, aponta Mariana Telles.

Realizar o lançamento do filme no cinema do Centro Cultural Oscar Niemeyer foi uma estratégia, destaca Mariana. “Esse espaço nos permite apresentar o documentário a um público maior, ampliando a visibilidade da pesca feminina, do Araguaia e das ações de ciência e cultura desenvolvidas pelos projetos científicos”. A intenção das diretoras é que o filme também chegue às comunidades, com sessões voltadas aos moradores da região, às comunidades ribeirinhas e às pessoas que vivem diretamente essa realidade. “Essa aproximação é essencial, porque cuidar do Araguaia exige o envolvimento de quem conhece, vive e constrói diariamente esse território”, ressalta Mariana Telles.

O documentário nasceu do encontro entre o cinema documental, a pesquisa e a escuta sensível das mulheres que vivem e constroem diariamente a cultura do Rio Araguaia, conta Thais. Gravado em agosto de 2025, durante o campeonato feminino de pesca realizado na região de Aruanã, o filme acompanha pescadoras que mantêm viva uma tradição atravessada por memória, resistência, conhecimento e pertencimento ao território. “Mais do que registrar uma competição, o filme evidencia trajetórias de afeto e relação cuidadosa com o Araguaia”, diz Thais Oliveira.

Protagonismo feminino nas comunidades ribeirinhas
Thais destaca que, por muitos anos, a pesca foi representada como um universo predominantemente masculino. O documentário busca revelar outro olhar sobre esse cenário, mostrando mulheres que conhecem profundamente o rio, os ciclos da natureza, os modos de pesca e a vida nas comunidades ribeirinhas contado sob o olhar das mulheres. “Foi muito marcante perceber quantas mulheres participam ativamente desse cenário, seja na pesca esportiva, no turismo, na hotelaria, no comércio especializado ou em toda a dinâmica econômica e social que envolve o rio”, diz Mariana Telles.

Mulheres que mantêm viva a cultura do Araguaia
Thais Oliveira destaca que a expectativa para o lançamento é positiva. Para ela, além de apresentar o filme ao público, será um momento de encontro entre realizadores, pesquisadoras, pescadoras e comunidade, celebrando histórias que durante muito tempo permaneceram invisibilizadas. “O mais importante é que essas mulheres possam se reconhecer na tela e perceber que suas experiências têm valor, potência e relevância cultural”, ressalta Thais.

“Estar ao lado dessas mulheres durante os dias de gravação permitiu compreender como a pesca também é um espaço de transmissão de saberes, autonomia feminina e vínculo cultural com o território. O filme foi construído respeitando o tempo das personagens, suas falas e suas experiências reais com o rio”, afirma Thais. Mariana Telles conta que ouviram relatos potentes de mulheres de diferentes lugares e trajetórias, todas conectadas pelo Araguaia. “Chamou muito a nossa atenção a forma como elas enxergam essa atividade: não apenas como competição esportiva, mas também como lazer, contemplação, cuidado com a natureza e conexão com o rio. Inclusive, os próprios torneios femininos possuem dinâmicas diferentes, mais colaborativas e integradoras”.

Audiovisual como memória e divulgação científica
Segundo Thais, o documentário também reforça a importância do audiovisual como ferramenta de memória, valorização cultural e divulgação científica. Assim como aconteceu no documentário Expedição Araguaia, lançado pela equipe em 2025, este novo trabalho amplia o olhar sobre o território do Araguaia, agora a partir das narrativas femininas e das relações entre cultura, natureza e modos de vida tradicionais. Assim como o documentário Expedição Araguaia, o novo filme contou com apoio financeiro da Fapeg por meio do Araguaia Vivo, programa que busca estabelecer uma base científica robusta para orientar o desenvolvimento sustentável no rio Araguaia e integrar comunidades e líderes locais às atividades.

Thais explica que as mulheres da pesca no Araguaia representam não apenas as pescadoras que participam dos campeonatos ou vivem diretamente da pesca, mas também toda uma relação cultural e afetiva que o povo goiano mantém com o Rio Araguaia. “Em Goiás, é muito difícil encontrar alguém que não tenha alguma memória ligada ao rio, seja uma viagem em família, temporadas nas praias do Araguaia, histórias de pescaria ou lembranças construídas às margens das águas. O Araguaia faz parte da memória de muitas famílias goianas”, reflete Thais.

Dentro dessa relação próxima com o rio, Thais ressalta que as mulheres sempre estiveram presentes, embora muitas vezes invisibilizadas. São pescadoras, piloteiras, trabalhadoras do turismo, mães e avós que, de forma direta ou indireta, sempre acompanharam histórias de pesca no rio. “O documentário busca justamente dar visibilidade a essas trajetórias e mostrar que elas também são protagonistas da cultura do Araguaia”, enfatiza.

O apoio das instituições parceiras e dos projetos ligados ao Programa Araguaia Vivo, Mulheres Cientistas em Rede e PPBio Araguaia foi fundamental para tornar a produção possível, diz Thais. Para ela, essas iniciativas fortalecem não apenas a pesquisa e a preservação ambiental, mas também a valorização das comunidades locais, da cultura regional e da produção audiovisual comprometida com o território.

Para Mariana Telles, a realização do filme também reforça a importância do investimento em ciência, cultura e audiovisual. É fundamental destacar o papel das agências de fomento, especialmente a Fapeg e o CNPq, que financiaram os projetos de pesquisa que deram origem a essa produção audiovisual e possibilitaram o trabalho de campo, a conexão com as comunidades locais e a valorização dessa região tão importante para o Brasil. Thais também destaca o apoio da Fapeg por meio do Araguaia Vivo, do CNPq e do Coletivo Mulheres Cientistas em Rede. “Apoiar iniciativas como esta significa valorizar não apenas a preservação ambiental e a divulgação científica, mas também a memória cultural, os saberes tradicionais e as histórias das comunidades que vivem o Araguaia diariamente”, afirma ela.

Essa iniciativa reúne projetos e instituições estratégicas para a ciência em Goiás e no Brasil: o Araguaia Vivo, financiado pela Fapeg e executado pela TWRA; o PPBio Araguaia, executado pela PUC Goiás; e o Coletivo Mulheres Cientistas em Rede, executado pela Universidade Estadual de Goiás. A produção também conta com a participação de pesquisadores e parceiros da UFG, UFJ, Instituto Federal Goiano e Universidade de Brasília, fortalecendo uma rede colaborativa comprometida com a ciência, a cultura, a conservação da biodiversidade e a valorização das comunidades do Araguaia.

Ficha técnica
Direção geral – Thais Oliveira e Mariana Telles; Assistência de direção – Andreia Juliana Caldeira e Ana Clara Diniz; Roteiro – Andreia Juliana, Ana Clara Diniz, Karine Piorski, Mariana Telles, Josana Peixoto e Thais Oliveira; Produção – Raphaela Lopes, Ana Clara Diniz, Ludgero Vieira e Andreia Juliana Caldeira ; Direção de fotografia – Átila Canuto, Roberta Lopes; Som – Thais Oliveira; Montagem – Roberta Lopes; Música original – Arlam Júnior e Vinicius Meireles; Edição de som – Cindy Faria; Assistente de edição – Henrique Brito; Designer gráfico – Carol Urbano; Drone – Átila Canuto, Leandro Roriz Leão, Igor Rodrigues, Roberta Lopes, Instituto onça-pintada, José Silonardo Pereira de Oliveira e Tiago Jácomo; e Produção audiovisual: bold studios e lmt projetos e produções.

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