Audiovisual, ciência e imersão: projetos levam o Cerrado e o Araguaia ao FICA 2026
A edição do Fica deste ano traz como tema “Água e Clima no Brasil das Nascentes”
O conhecimento científico produzido em Goiás ganhará espaço na programação da 27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), realizado entre os dias 16 e 21 de junho, na cidade de Goiás. O Cerrado, suas águas, sua biodiversidade e as comunidades que dele dependem estarão em destaque na programação do evento. Professores e estudantes participam com produções audiovisuais, experiências imersivas e ações de divulgação científica desenvolvidas no âmbito dos projetos Cehidra Cerrado, Araguaia Vivo, PPBio Araguaia, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade (INCT EECBio), e Mulheres Cientistas em Rede, que contam com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).
Um dos destaques da programação será a experiência imersiva “O Cerrado no Caminho das Águas”, apresentada entre os dias 17 e 20 de junho, no Espaço FICA Compartilhado. A atividade convida o público a mergulhar em um planetário inflável equipado com projeções em formato fulldome, tecnologia que ocupa toda a superfície interna da cúpula e proporciona uma experiência audiovisual imersiva em 360 graus. A mostra apresenta conteúdos que unem ciência, tecnologia, educação ambiental e audiovisual para traduzir pesquisas científicas em experiências acessíveis ao público.
Entre os filmes exibidos está “O Cerrado no Caminho das Águas”, que acompanha a trajetória das águas desde uma nascente do rio Araguaia até seu encontro com o mar, revelando como rios, paisagens, ecossistemas, populações e modos de vida estão conectados ao longo desse percurso, conta uma das organizadoras do evento, a professora Thais Oliveira, cineasta e professora do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG). A produção destaca ainda a importância do Cerrado como uma das principais regiões produtoras de água do país. Também integram a programação do planetário as animações “Florinha do Cerrado” e “O Mundo Aquático de Micra”. Adaptadas especialmente para o formato fulldome, as obras apresentam temas relacionados à biodiversidade, à conservação ambiental e à importância dos ecossistemas do Cerrado por meio de narrativas voltadas para diferentes públicos.
Sessão especial
Além da experiência imersiva, o Programa Araguaia Vivo promoverá uma sessão especial de cinema no dia 20 de junho, às 14h, na Sala Palácio da Instrução. A mostra reúne duas produções desenvolvidas no contexto do programa: o documentário “Turismo de Natureza no Araguaia”, que apresenta o potencial do turismo sustentável baseado na observação da vida silvestre; e o documentário “Mulheres da Pesca no Araguaia”, que retrata os saberes, as histórias e o protagonismo feminino nas comunidades ribeirinhas.
Já a animação “O Mundo Aquático de Micra”, que utiliza a trajetória de uma microalga para abordar questões relacionadas à qualidade da água, mudanças climáticas, biodiversidade e impactos ambientais é realizada em uma parceria com os projetos Rede Hidro Cerrado, Cehidra Cerrado e PPBio Araguaia.
Segundo Thais, “as iniciativas demonstram como o audiovisual pode atuar como ferramenta estratégica para aproximar a sociedade da produção científica, ampliando o acesso ao conhecimento e estimulando reflexões sobre conservação ambiental, recursos hídricos e sustentabilidade. Os projetos buscam fortalecer o diálogo entre universidade e sociedade, contribuindo para a valorização do Cerrado e da bacia do rio Araguaia.
Painéis de debate
Na sexta-feira, 19, às 14 horas, no pátio do Rosário, a professora Mariana Pires de Campos Telles bióloga e coordenadora dos projetos Araguaia Vivo e PPBio Araguaia e professora da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e da Universidade Federal de Goiás (UFG) participa do painel Das Águas do Cerrado ao Clima do Planeta, juntamente com Helga Wiederhecker, Angel Chovert, Samantha Caramori, Juliana Franzão, Laerte Guimarães Ferreira Júnior (mediação).
No sábado, às 11 horas, também no pátio do Rosário, Mariana Telles participa do painel O futuro do Cerrado e o Futuro do Brasil: Perspectivas com o Instituto Nacional do Cerrado. Devem participar deste painel Marina Hirota, Mário Barroso, Paulo Eugênio Oliveira, Nelson Simões, Ricardo Pacheco, Angelita Pereira de Lima, Caio Coimbra, Christiano Peres Coelho e como conferencista e mediação, Mercedes Bustamante.
Toda a programação é gratuita e aberta ao público. A participação dos projetos no FICA 2026 reforça o compromisso das instituições envolvidas com a divulgação científica, a educação ambiental e a construção de novas formas de comunicação da ciência por meio do cinema e das tecnologias imersivas.







