Podcast Ciência Adaptativa estreia debatendo os desafios e a importância do fomento à pesquisa no Brasil

Primeiro episódio do podcast do INCT EECBio reúne especialistas para explicar como a pesquisa científica é financiada no Brasil e por que investir em ciência é essencial para o desenvolvimento do País?

O primeiro episódio do podcast Ciência Adaptativa, iniciativa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade (INCT EECBio), estreou nesta quarta-feira, 3, com uma discussão sobre um tema fundamental para o desenvolvimento científico do país: o fomento à pesquisa e à inovação no Brasil.

Comandado pelo coordenador-geral do INCT EECBio, José Alexandre Felizola Diniz Filho, e pela professora da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e da Universidade Federal de Goiás (UFG), Mariana Pires de Campos Telles, o episódio recebeu como convidados o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Marcos Arriel, e o professor e pesquisador Laerte Guimarães Ferreira Júnior, coordenador do Laboratório de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento (Lapig), vinculado ao Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da UFG. Laerte Guimarães também foi diretor de Programas e Bolsas no País, da Capes.

A conversa buscou responder a questões centrais para a sociedade: como a pesquisa científica é financiada no Brasil e por que investir em ciência é essencial para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do país? Os convidados reforçaram que o investimento governamental em ciência é um dos principais motores do desenvolvimento socioeconômico, contribuindo para a geração de conhecimento e inovação, de soluções para desafios globais, soberania tecnológica e formação de mão de obra especializada. O fomento à pesquisa, tanto básica quanto aplicada, é um investimento de longo prazo que traz retornos tangíveis e intangíveis para a sociedade.

Durante a abertura do episódio, José Alexandre Felizola destacou que a proposta do podcast é justamente aproximar a ciência da população, tornando temas complexos mais acessíveis e compreensíveis. “É importante que a gente não pense apenas em desenvolver pesquisa de ponta e tecnologia de alto nível. Precisamos também fazer com que a sociedade entenda os desafios, as dificuldades e a importância da produção científica. É nesse contexto que surge o Ciência Adaptativa, com o objetivo de traduzir essas discussões em uma linguagem simples, descontraída e acessível”, afirmou.

Segundo ele, a primeira temporada do podcast tem como objetivo discutir o cenário da ciência brasileira, suas políticas públicas, os mecanismos de financiamento e temas estratégicos relacionados à biodiversidade, mudanças ambientais globais, colonialismo científico e participação social na produção do conhecimento.

Como funciona o sistema de financiamento da ciência
Um dos pontos centrais da conversa foi a estrutura do sistema nacional de fomento à ciência, tecnologia e inovação. Marcos Arriel explicou que o Brasil conta com um conjunto articulado de instituições responsáveis por financiar pesquisas em diferentes níveis.

“Nós temos três importantes fomentadores na esfera federal: a Capes, o CNPq e a Finep. Além disso, contamos com uma rede de 27 Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), presentes em todas as unidades da federação, que atuam de forma integrada às estratégias do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa, o Confap, que trabalha como parte ativa do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação”, explicou. Destacou também o papel estratégico das FAPs por estarem mais próximas das universidades, institutos de pesquisa, empresas inovadoras e pesquisadores, permitindo identificar demandas regionais e direcionar investimentos de acordo com as necessidades locais.

Arriel destacou, ainda, que os recursos das Fundações de Amparo à Pesquisa são provenientes dos tesouros estaduais e representam um investimento público voltado para a geração de benefícios sociais e econômicos. “O Estado tem interesse em apoiar essas atividades porque ciência e inovação envolvem riscos e incertezas. Mas os resultados retornam para a população, seja por meio de melhorias na qualidade de vida, seja pelo fortalecimento das empresas inovadoras e da economia”, ressaltou.

A Fapeg fomenta grande parte das pesquisas no estado por meio do financiamento de bolsas, projetos científicos, tecnológicos e de inovação, utilizando recursos repassados pelo Tesouro Estadual. Esses investimentos têm como objetivo formar recursos humanos qualificados e fortalecer a produção científica em instituições de ensino e pesquisa goianas e nas empresas e promover o desenvolvimento econômico e social do Estado de Goiás. Além dos recursos estaduais, a Fapeg amplia as oportunidades de fomento ao estabelecer acordos de cooperação, na maioria a partir da estratégia articulada com o Confap, com órgãos federais e internacionais. No âmbito nacional, mantém parcerias com ministérios e agências de pesquisa, como o CNPq, a Finep e a Capes, possibilitando o lançamento de editais conjuntos e a ampliação dos recursos destinados à pesquisa.

A Fundação também atua na internacionalização da ciência produzida em Goiás por meio de acordos com instituições e organismos de pesquisa de vários países. Essas parcerias geram novas oportunidades de financiamento, intercâmbio e cooperação científica, fortalecendo a qualidade e a visibilidade internacional das pesquisas desenvolvidas no estado de Goiás.

O papel da Capes e da pós-graduação
Ao abordar a participação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no ecossistema científico brasileiro, Laerte Ferreira destacou que o país possui um sistema de fomento robusto e bem estruturado. “Temos um arcabouço de fomento e operacionalização da ciência, tecnologia e inovação que poucos países possuem. É um sistema bastante articulado e eficiente”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, a Capes tem papel fundamental no fortalecimento da pós-graduação brasileira, atuando simultaneamente no financiamento de programas de pós-graduação, na concessão de bolsas de estudo e na regulação e avaliação do Sistema Nacional de Pós-Graduação. Laerte explicou que, “ao financiar a pós-graduação, a Capes financia a pesquisa científica, já que grande parte da produção científica brasileira é realizada dentro das universidades e dos programas de mestrado e doutorado.”

Exemplo disso, Marcos Arriel relembrou a iniciativa da Capes e FAPs com o lançamento do edital de implantação da Rede de Pesquisa e Desenvolvimento da Região Centro-Oeste de Pós-Graduação, criada para fortalecer a pós-graduação e a cooperação regional em torno de desafios estratégicos, especialmente relacionados à sustentabilidade do Cerrado, além de reduzir desigualdades regionais e interiorização da pesquisa e da ciência.

Ciência como investimento para o futuro
Ao longo do episódio, os convidados abordaram os desafios para garantir a continuidade dos investimentos em pesquisa, a importância das parcerias entre universidades, empresas e governo, além dos impactos da ciência em áreas como saúde, meio ambiente, educação, tecnologia e desenvolvimento sustentável.

Para Mariana Telles, a estreia do podcast representa um passo importante missão de ampliar o diálogo entre ciência e sociedade. “Foi uma conversa muito especial porque nos ajudou a mostrar como a ciência é estruturada no Brasil, desde o financiamento estadual até as políticas nacionais de pesquisa e pós-graduação. Também reforçou a importância de valorizar o que tem sido construído em Goiás por instituições, pesquisadores e agências de fomento comprometidos com o avanço da ciência”, avaliou.

A proposta do podcast nasce justamente desse desejo de criar um espaço de diálogo mais direto, acessível e conectado com as pessoas, mostrando como a ciência é feita, quem participa desse processo e quais caminhos tornam possível a produção de conhecimento no Brasil. “Foi um episódio que trouxe um pouco da história da própria Fapeg, do contexto geopolítico e de algumas reflexões importantes para a sociologia da Ciência. E, ao mesmo tempo, reforçou a importância de valorizar o que tem sido construído em Goiás, com instituições, pesquisadores e agências de fomento comprometidos com o avanço da ciência.

Segundo a professora, o lançamento do Ciência Adaptativa abre um novo canal de comunicação para divulgar pesquisas desenvolvidas no âmbito do INCT EECBio e aproximar a população dos temas científicos que impactam diretamente a sociedade. “Saímos dessa primeira conversa com a certeza de que ainda há muito a ser discutido, mas também com a convicção de que ampliar o alcance da ciência é uma forma de convidar mais pessoas a conhecerem, acompanharem e participarem da construção do conhecimento”, concluiu.

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