MILHO – AGRO EM DADOS / ABRIL 2026

A semeadura do milho safrinha em Goiás foi concluída em 28 de março, embora o plantio em algumas lavouras tenha ocorrido fora da janela ideal, o que eleva os riscos produtivos. Segundo a Conab, foi observado a presença da lagarta militar, também conhecida como lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), cuja incidência tende a ser mais intensa na safrinha. O ataque dessa praga compromete o desenvolvimento inicial da cultura, com possíveis falhas no stand, desfolha e até destruição do cartucho, reduzindo diretamente o potencial produtivo. Diante disso, torna-se fundamental a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP), com a combinação de diferentes táticas para controle.
O milho é uma cultura de alta exigência nutricional, logo, requer grandes quantidades de fertilizantes para expressar seu pleno potencial produtivo e garantir colheitas volumosas. Desta forma, a necessidade constante desses insumos vincula a rentabilidade do produtor diretamente às oscilações do mercado internacional e do câmbio, reforçando a dependência externa e o impacto direto desses fatores sobre o custo de produção do milho.
No mercado de fertilizantes, o impacto do conflito no Oriente Médio ocorre de forma distinta entre os nutrientes. Os nitrogenados, como a ureia, são mais sensíveis ao custo do gás natural e, portanto, mais voláteis em cenários de alta do petróleo. Já os fosfatados dependem de países como Marrocos e China, enquanto o potássio está ligado a exportadores como Rússia e Canadá. Nesse contexto, a China e a Rússia têm restringido exportações de fertilizantes para priorizar o mercado interno, o que reduz a oferta global e contribui para sustentar os preços internacionais.
Para o Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes, o risco permanece elevado, mesmo com recuos pontuais, novas questões geopolíticas podem pressionar os custos. Em 2025, Rússia, China, Canadá e Marrocos foram os principais fornecedores, também relevantes para Goiás. Apesar disso, o estado ocupa apenas a 10ª posição no ranking nacional de importações. Parte significativa dos fertilizantes consumidos no estado é internalizada por meio de outros pólos logísticos do país, ou seja, a dependência externa permanece, ainda que de forma indireta.
Em relação às exportações de milho no primeiro bimestre de 2026, Goiás ficou em posição de destaque, como o segundo maior exportador. Todavia, houve retração tanto em valor quanto em volume ao comparar com o mesmo período do ano anterior. Nesse aspecto, foi registrado uma redução nas compras do principal destino, o Irã, recuo de 30,9% em valor. Por outro lado, observa-se um movimento positivo na pauta de maior valor agregado: os produtos derivados do milho, como amido, farinha, óleo e preparações alimentícias, registraram forte expansão. No mesmo período, as exportações desses itens somaram US$ 7,8 milhões, um expressivo crescimento de 245,3%, sinalizando uma gradual diversificação da pauta exportadora e maior inserção em segmentos de maior valor.

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