DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / SETEMBRO 2026 (GIRASSOL)

Originário da América do Norte e da América Central, o girassol (Helianthus annuus L.) destaca-se pela sua versatilidade de utilização na indústria alimentícia, farmacêutica e cosmética, além da aplicação na produção de biocombustíveis e na nutrição animal. Maior tolerância à seca, menor incidência de pragas e doenças, capacidade de ciclagem de nutrientes, adaptação às diferentes condições de latitude, longitude e fotoperíodo, são características que favorecem a consolidação e a expansão da cultura no Centro-Oeste.
No Brasil, a produção é destinada majoritariamente à fabricação de óleo comestível. Nesse segmento, o óleo de girassol tem como sua principal característica sua qualidade nutricional, em razão da alta proporção de ácidos graxos essenciais à dieta humana. As mudanças nos hábitos alimentares da população têm contribuído para o crescimento da demanda e do consumo do produto no país. No cenário internacional, segundo estimativas do USDA, a produção mundial de óleo deve alcançar 23,6 milhões de toneladas na temporada 2026/27, mantendo o produto na quarta posição entre os óleos vegetais de maior volume global.
Em Goiás, o girassol tem ampliado sua participação na agricultura como alternativa para a 2ª safra, especialmente em sucessão à soja. O ciclo da cultura tem duração média de 90 a 130 dias, dessa forma, o plantio no estado concentra-se nos meses de fevereiro e março, o que permite a colheita entre junho e julho.
SAFRAS
Ao longo da série histórica, a cultura do girassol passou por diferentes ciclos de expansão e retração em Goiás, mas ganhou um novo impulso a partir da safra 2016/17. O estado assumiu a liderança nacional na produção de girassol na temporada 2020/21, após o recuo registrado em Mato Grosso, que ocupava a primeira posição até então. Desse período em diante, o cultivo ganhou maior relevância acompanhado pelo avanço da área destinada à oleaginosa no território goiano.
Na última década, a área destinada ao girassol quase quadruplicou, passando de 16,6 mil hectares na safra 2016/17 para 63,0 mil hectares na estimativa para 2025/26. Nos últimos cinco anos, o crescimento da área também foi expressivo, de 142,3%. A produção acompanhou esse movimento e avançou 229,4% entre as safras 2021/22 e 2025/26, ao passar de 21,8 mil para 71,8 mil toneladas.
A produtividade apresenta maior oscilação ao longo da série, o que explica as diferenças entre o crescimento da área e o comportamento da produção. O rendimento médio das lavouras goianas atingiu 1,8 t/ha no ciclo 2016/17, recuou para 0,8 t/ha em 2021/22 e voltou a avançar nos anos seguintes, alcançando 1,6 t/ha em 2024/25. Para a safra atual, a estimativa é de 1,1 t/ha, queda de 27,8% frente à anterior.
Ademais, segundo o Boletim da Safra de Grãos (11º levantamento – Safra 2025/26) do mês de agosto, publicado pela Conab, a colheita do girassol em Goiás alcançou 72% da área cultivada. As condições das lavouras apresentam grande variabilidade entre as regiões: a melhor distribuição das chuvas no sul do estado favoreceu o desenvolvimento da cultura, enquanto a restrição hídrica comprometeu a formação dos grãos, que apresentaram menor tamanho e peso, além de qualidade considerada regular.
Os menores rendimentos foram observados em lavouras implantadas fora da janela recomendada ou em áreas com baixa fertilidade, solos arenosos ou compactados. Em contrapartida, áreas com boa fertilidade, cobertura do solo e manejo fitossanitário eficiente alcançaram resultados produtivos mais favoráveis, beneficiadas pela tolerância da cultura a períodos de maior restrição hídrica. De acordo com informações de campo, cerca de 65% da safra estadual já foi comercializada diretamente com o setor industrial, indicando forte direcionamento da produção para o processamento.
Em 2024, o cultivo de girassol esteve presente em 43 municípios goianos, concentrados principalmente no sul do estado e no entorno do Distrito Federal. Rio Verde liderou a produção e a área plantada, com 6,5 mil hectares e respondeu por 12,7% da produção estadual, além de ocupar a 1ª posição no ranking nacional de produção da oleaginosa.
Entre os principais produtores, Chapadão do Céu apresentou o maior avanço na produção, com um salto de 480,0 toneladas colhidas em 2023 para 3,7 mil toneladas em 2024, um aumento de quase oito vezes no período. Montividiu também registrou crescimento expressivo e alcançou o 3º lugar no ranking estadual de produção. Em produtividade, Goiandira apresentou o melhor desempenho de Goiás, com 1,8 t/ha, índice 19,7% superior à média estadual, segundo dados do IBGE.
MERCADO INTERNACIONAL
No mercado internacional, as exportações brasileiras de óleo de girassol cresceram em 2026. Entre janeiro e julho, os embarques somaram US$ 440,5 mil e 148,0 toneladas, altas de 21,2% em valor e 20,4% em volume, frente ao mesmo intervalo do ano anterior, consolidando o melhor desempenho para o período desde 2023. Apesar do avanço, o país ainda depende das importações para o abastecimento interno. No acumulado do ano, foram adquiridas 23,9 mil toneladas, com a Argentina como principal origem do produto.
Em contrapartida, as operações internacionais de Goiás apresentaram perfil distinto. Enquanto o Brasil recorreu à importação de óleo de girassol para complementar o abastecimento, o estado não registrou compras diretas do produto no exterior em 2026. Por outro lado, em 2025, as importações goianas concentraram-se em sementes destinadas à semeadura, que totalizaram 112,7 toneladas e US$ 914,8 mil.
Entre 2020 e 2025, Goiás exportou sementes de girassol para semeadura. Acreúna foi o principal município de origem dos embarques no período, com o maior valor em 2022, de US$ 171,6 mil destinados à Argentina e ao Paraguai. Após a retração dos anos seguintes, as vendas externas voltaram a crescer em 2025 e alcançaram US$ 141,9 mil.
A liderança de Goiás na produção nacional coloca o estado em posição favorável para avançar nos demais elos da cadeia. O fortalecimento da agroindústria pode estimular o processamento local, agregar valor à matéria-prima e elevar a oferta de óleo no mercado doméstico. Esse movimento contribuiria para reduzir a dependência brasileira das importações e favorecer a inserção goiana no comércio internacional de derivados do girassol.
SANIDADE VEGETAL
No âmbito da sanidade vegetal, segundo a Embrapa, o girassol é hospedeiro de mais de 35 microrganismos patogênicos que podem reduzir significativamente a produção e sua qualidade. Em Goiás, a atenção fitossanitária relacionada à cultura também envolve o sistema de sucessão com a soja, uma vez que plantas voluntárias da cultura antecessora podem permanecer nas lavouras de girassol e favorecer a sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja. Para reduzir esse risco, a Agrodefesa atua por meio do Programa de Girassol, cujas medidas estão disciplinadas pela Instrução Normativa nº 01/2022.
A normativa estabelece o cadastramento anual das lavouras e o calendário de semeadura, com plantio autorizado até 31 de março. Nos cultivos em sucessão à soja, também determina a adoção de espaçamento entre linhas de 0,45 a 0,60 metro, para favorecer o fechamento mais rápido da cultura e dificultar o desenvolvimento das plantas voluntárias. Nas áreas semeadas após 14 de março, devem ser utilizadas cultivares de ciclo curto, de até 105 dias, que viabilizem a colheita até 15 de julho. Como medida complementar, a Agrodefesa ainda recomenda a dessecação pré-semeadura em duas etapas, com intervalo de 10 a 15 dias, para eliminar novos fluxos de emergência de soja e plantas daninhas.
APLICAÇÕES, TENDÊNCIAS E OPORTUNIDADES
Além da produção de óleo para consumo humano, o girassol pode ser aproveitado em diferentes segmentos. A cultura fornece matéria-prima para as indústrias alimentícia, de cosméticos, de nutrição animal e de energia. Essa diversidade permite direcionar a produção a diferentes finalidades e conecta a oleaginosa a diversas cadeias produtivas.
A extração do óleo gera torta e farelo, coprodutos utilizados na alimentação de bovinos e suínos e, mediante adequação às exigências nutricionais, também de aves. Em Goiás, esses insumos aproximam a cadeia do girassol das atividades pecuárias ao diversificarem os ingredientes empregados na ração animal.
Outra possibilidade está no cultivo de girassóis com alto teor de ácido oleico. Segundo a Embrapa, alguns genótipos apresentam concentração superior a 80% desse ácido graxo, ante 55% a 65% no óleo convencional. Essa composição confere maior estabilidade durante o refino, a fritura e o armazenamento, além de reduzir a suscetibilidade à oxidação. Por isso, o produto pode atender a demandas específicas da indústria alimentícia, como a fabricação de alimentos fritos e pré-fritos.
O óleo extraído das sementes também pode ser utilizado na fabricação de biodiesel. O girassol representa uma alternativa entre as oleaginosas destinadas à produção do biocombustível e pode integrar sistemas de rotação de culturas. Dessa forma, sua importância se estende do setor alimentício ao de energia renovável.tação de pomares, contexto no qual o estado goiano tem se inserido como uma alternativa para expansão da atividade.

SAFRA DE GIRASSOL 2025/26



EXPORTAÇÕES DE PRODUTOS DE GIRASSOL*




IMPORTAÇÕES DE PRODUTOS DE GIRASSOL*



SAFRA DE GIRASSOL 2025/26

