DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / NOVEMBRO 2025 (MELANCIA)

A melancia ocupa posição de destaque no cenário agrícola brasileiro, como a quinta fruta mais produzida no país. Ademais, o Brasil ocupa a quinta colocação no ranking mundial da produção, juntamente com China, Índia, Turquia e Argélia (FAO, 2023). Essa relevância decorre não apenas do volume colhido, mas também da ampla aceitação pelo consumidor e do papel estratégico no abastecimento do mercado interno e externo.

Em Goiás, a melancia é o quarto fruto mais cultivado no estado, com grande impacto socioeconômico, responsável pela geração de emprego, renda e fortalecimento da fruticultura regional. Em 2024, segundo o IBGE, Goiás superou o estado da Bahia e passou a ocupar a liderança na produção brasileira.

Ao considerar a série histórica dos últimos 10 anos, a produção goiana cresceu 9,6%, atingindo 270,5 mil toneladas em 2024, frente às 246,9 mil toneladas registradas em 2015. Nesse período, foi registrada redução de 11,8% em área plantada, entretanto, houve avanço de 24,2% em produtividade, justificando assim o desempenho positivo. Paralelamente, o valor da produção avançou 134,9%, alcançando em R$273,3 milhões em 2024. Dessa forma, Goiás alcançou patamar recorde para a cultura no estado em produtividade e valor da produção.

Em relação aos municípios goianos, Uruana destaca- -se por ser o maior produtor de melancia do país. A cidade é responsável ainda por 32,6% do volume produzido pelo estado. No mesmo ano, Jussara retomou o cultivo da fruta, alcançando a segunda posição no ranking estadual. Ademais, Santa Fé de Goiás obteve o maior avanço na atividade em relação a 2023, duplicando sua produção, de acordo com os dados do IBGE.

Quanto ao melhoramento genético, a crescente demanda por melancias sem sementes, impulsiona pesquisa e desenvolvimento de cultivares híbridas, com foco em características como doçura, textura firme e maior shelf-life (vida de prateleira). Esse investimento gera um produto de maior valor agregado, contribuindo para o aumento da rentabilidade dos produtores e possibilitando o acesso anichos de mercado mais exigentes e rentáveis, especialmente no varejo e na exportação.

COTAÇÕES

Em Goiás, na segunda quinzena de setembro, o aumento da oferta de melancia* em Uruana pressionou os preços, que voltaram a cair após um breve período de alta registrada no início do mês. Segundo o Hortifrúti/Cepea, a retração está ligada à redução da demanda típica do período e às temperaturas mais amenas nas regiões Sul e Sudeste, que diminuem o consumo. Em outubro, a desaceleração na colheita na região de Uruana provocou reação nos preços, assim como nas demais praças produtoras. No atacado do estado de São Paulo, as vendas se enfraqueceram, em virtude do clima mais frio. Entretanto, é esperado recuo da demanda e consequentemente dos preços da fruta com o encerramento de mês.

MERCADO INTERNACIONAL

As exportações brasileiras de melancia concentram-se no período de janeiro a setembro, com decréscimo nos envios nos meses subsequentes. Em 2024, o Brasil alcançou recorde em volume exportado e segundo melhor resultado da série histórica em faturamento. Para Goiás, nesse período foi registrado o melhor desempenho dos últimos seis anos em valor exportado da fruta, totalizando US$270,1 mil.

Apesar da relevância da produção, em relação às demais unidades da federação, Goiás ainda não possui grande representatividade no comércio exterior. Com sua produção voltada para o abastecimento do mercado interno, apenas 1,4% da safra foi destinada às exportações no ano de 2024 (3,8 mil toneladas). Diante disso, há um cenário de oportunidades para expansão da presença do estado na comercialização internacional.

Quanto aos destinos do produto goiano, os embarques são historicamente direcionados aos países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai). Já em 2023, os Emirados Árabes Unidos entraram no rol de compradores. Atualmente, ao considerar o acumulado de janeiro a setembro de 2025, o país asiático é o que remunera melhor a tonelada exportada pelo estado.

*Melancia graúda (>12 kg)

Governo na palma da mão