DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / MAIO 2026 (CANA DE AÇÚCAR)

Centro do complexo sucroalcooleiro, a cana-de-açúcar apresenta elevada versatilidade produtiva e ampla relevância no agronegócio brasileiro, com papel estratégico tanto na produção de açúcar quanto de etanol. Ademais, a cultura constitui uma das bases da matriz energética nacional, com forte contribuição para a oferta de biocombustíveis no mercado.
No panorama internacional, o Brasil tem se consolidado como o maior produtor mundial de cana-de-açúcar desde a safra 2022/23. Parte significativa dessa produção é destinada à fabricação de açúcar para atender a demanda interna e externa. Nesse contexto, o Brasil lidera a produção mundial de açúcar, responsável por aproximadamente 23,5% do total produzido, estimado em 44,4 milhões de toneladas para a safra 2025/26. O país é também o maior exportador global, com cerca de 35,7 milhões de toneladas projetadas para destinação ao comércio exterior, o que representará mais da metade do volume a ser comercializado internacionalmente. Quanto ao consumo doméstico, o Brasil ocupa a 4ª colocação a nível mundial, segundo o USDA.
Safras
A produção brasileira de cana-de-açúcar concentra-se majoritariamente na região Centro-Sul, principal polo sucroalcooleiro do país, cuja colheita na safra 2025/26 representou 91,5% do total nacional, estimada em 616,2 milhões de toneladas, recuo de 0,4% frente à temporada anterior. Apesar do crescimento na produção de todos os estados do Centro-Oeste, o decréscimo para São Paulo e Minas Gerais, em razão das condições climáticas adversas, que afetaram negativamente os canaviais, reduziram a projeção para a região.
Ao considerar a série histórica da cana-de-açúcar dos últimos dez anos, Goiás cresceu mais que a média nacional em produção, área colhida e produtividade. A produção goiana avançou 18,5%, superando o crescimento de 2,4% observado no Brasil. Nesse intervalo, a produtividade no estado registrou alta de 10,7%, frente a 3,5% no cenário nacional. Já a área colhida apresentou retração de 1,0% no país, enquanto Goiás expandiu 7,1%.
Nesse contexto, na safra 2025/26, Goiás se destacou em diversos âmbitos. A área e a produção alcançaram o maior valor da série histórica da Conab, com 80,1 milhões de toneladas produzidas em 1,0 milhão de hectares. No âmbito nacional, Goiás ultrapassou Minas Gerais e ocupa atualmente a segunda colocação no ranking brasileiro de produção de cana-de-açúcar, responsável por 11,9% do volume total produzido no país.
Ademais, nesse período, o estado apresentou o segundo maior valor nacional de Açúcar Total Recuperável (ATR), com 10,7 milhões de toneladas, indicador que reflete a qualidade da matéria-prima e o potencial de conversão da cana em açúcar e etanol. Para o ciclo, estima-se um volume de 3,0 milhões de toneladas de açúcar, posicionando Goiás como o terceiro maior produtor brasileiro.
Quanto ao etanol, em Goiás, 85,3% do volume produzido é proveniente da cana-de-açúcar, enquanto o restante advém do uso de milho como matéria-prima (leia Análise da Inteligência de Mercado Agropecuário/SEAPA sobre etanol de milho). Na safra 2025/26, o estado ocupa posição de destaque como o segundo maior produtor nacional de etanol de cana, com 4,5 bilhões de litros produzidos, cerca de 16,7% do volume produzido no país. Ao considerar o etanol total*, Goiás é o terceiro maior produtor do biocombustível, atrás somente de São Paulo e Mato Grosso, com a produção de aproximadamente 5,3 bilhões de litros, segundo a Conab.
Em relação aos municípios goianos, a produção de cana-de-açúcar concentra-se principalmente no Sul do estado, com quase 80% do total colhido em 2024. Na região, destacam-se Quirinópolis e Mineiros, que estão entre os maiores produtores do país, ocupando a 3ª e a 9ª posição no ranking nacional. Esse desempenho associado à proximidade com unidades sucroenergéticas e à inserção em eixos estratégicos de transporte favorecem o escoamento da produção e a competitividade regional.
Cotações
No setor sucroenergético, embora o Brasil esteja entre os maiores consumidores globais de açúcar, a demanda doméstica projetada para a safra 2025/26 é de cerca de 9,0 milhões de toneladas, o menor patamar desde 1998/99, refletindo, dentre outros fatores, as mudanças nos hábitos alimentares da população. Esse enfraquecimento da demanda contribui para a trajetória de queda nas cotações do açúcar, observada desde 2024, quando as cotações atingiram seus níveis mais elevados. Em março de 2026, a média de preços atingiu R$99,78/saca, aproximando-se dos patamares registrados em outubro de 2020. Diante desse cenário, torna-se mais atrativa a destinação da cana-de-açúcar para a produção de etanol.
No contexto do etanol, a competitividade tem sido favorecida pela valorização do petróleo no cenário internacional, influenciada por tensões no Oriente Médio, que impactam os preços dos combustíveis fósseis. Embora tenham sido observados recuos pontuais nos preços ao final da entressafra, especialmente em março, quando a cotação do etanol hidratado atingiu R$2,95/litro**, o acumulado do ciclo 2025/26 ainda registra valores médios superiores aos da safra anterior, mantendo o biocombustível competitivo ao longo do período.
Valor Bruto de Produção (VBP)
Quanto aos indicadores da atividade, ao analisar a série histórica de dez anos, em 2025 o Valor Bruto da Produção (VBP) da cana-de-açúcar em Goiás atingiu o maior valor da série, de R$14,0 bilhões. Após esse cenário de recorde, para 2026 a estimativa é de alcançar aproximadamente R$ 13,3 bilhões, recuo 4,9% frente ao ano anterior. Todavia, esse resultado deve representar o quarto melhor desempenho dos últimos dez anos, de acordo com dados do MAPA. Nesse contexto, a cana-de-açúcar consolida-se como a segunda principal cultura no VBP das lavouras em Goiás, responsável por 17,4% do total, atrás apenas da soja.
Mercado internacional
As exportações do setor sucroenergético goiano concentram-se majoritariamente no açúcar de cana, que respondeu por 91,7% do valor total exportado em 2025. Entre os 58 destinos do complexo, o açúcar é enviado a 55 países, enquanto o álcool etílico alcançou 10 mercados. Ao analisar o desempenho das exportações de açúcar nesse período, observa-se redução do valor exportado para importantes parceiros, como Estados Unidos e Índia. Em contrapartida, houve crescimento nas aquisições da Nigéria e Bangladesh, com avanço de 83,1% e 78,4%, respectivamente. Esse movimento indica capacidade de redirecionamento comercial pelo estado de Goiás.
Em 2024, as exportações brasileiras e goianas de açúcar alcançaram recorde em valor e volume exportado, além do segundo melhor desempenho da série histórica em valor por tonelada. Em 2025, observou-se um movimento de ajuste para Brasil e Goiás, com redução no valor por tonelada, o que representa uma desaceleração após o pico registrado no ano anterior. No acumulado de janeiro a março de 2026, os indicadores mantêm essa trajetória. O valor pago por tonelada em Goiás atingiu US$ 426,49, com recuo de 19,1% frente ao mesmo período do ano anterior, reforçando o cenário de desvalorização dos preços no âmbito internacional.
No contexto regional, Chapadão do Céu liderou as exportações goianas de açúcar de cana em 2025, com US$ 112,1 milhões em valor exportado. Em consonância com seu destaque na produção nacional, Quirinópolis foi o segundo maior município exportador desse produto, com US$ 107,6 milhões exportados no mesmo período.
Quanto aos embarques de etanol, em 2025 houve recuo nas transações brasileiras, enquanto as goianas avançaram em valor, volume e número de destinos. Para Goiás, o valor exportado foi o segundo maior da série histórica, já o volume e o número de destinos alcançaram patamares recordes. Esse desempenho pode ser justificado pela retomada nas aquisições pela Coreia do Sul, Nigéria, Gana e Suécia. Nesse período, o estado foi o 4º principal fornecedor brasileiro do biocombustível para o mercado externo.
Apesar da relevância estadual na produção, as exportações de etanol estão concentradas em poucos municípios goianos. Em 2025, houve registro de transações em apenas 4 localidades: Senador Canedo, Perolândia, Caçu e Goiatuba. Entre eles, Senador Canedo destaca-se como líder no âmbito estadual e como o sétimo maior município exportador em nível nacional, com envio de 52,3 mil toneladas no valor de US$ 30,0 milhões nesse período.
Vale ressaltar que as exportações de etanol sofrem influência de diversos fatores. As oscilações nas transações decorrem de flutuações cambiais e de preços das commodities, dependência das cotações do petróleo, além do dinamismo das relações diplomáticas, dentre outras variáveis. Dessa forma, o fortalecimento das relações comerciais e a diversificação de mercados são estratégias fundamentais para reduzir a volatilidade e ampliar a competitividade do etanol no cenário internacional.
Tendência Bioenergética
No contexto da diversificação energética e da valorização de resíduos agroindustriais, a cadeia sucroenergética apresenta elevado potencial para a produção de biogás a partir de subprodutos como a vinhaça e a torta de filtro. Em 2024, conforme dados do Centro Internacional (CIBiogás), a produção de biogás no estado de Goiás alcançou 86,46 milhões de Nm³*, volume que contempla diferentes substratos, como resíduos agropecuários, industriais, resíduos sólidos urbanos e esgoto. Nesse contexto, estimativas da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) indicam que, isoladamente, o setor sucroenergético goiano possui potencial para atingir até 2,5 bilhões de Nm³ por ano, o que expressa a capacidade de expansão dessa fonte no estado. Esse cenário reforça a relevância do aproveitamento energético de resíduos da cana-de-açúcar, que gera impactos positivos sobre a eficiência produtiva, a mitigação de passivos ambientais e a ampliação da oferta de energia renovável.
*Nm³: metro cúbico normal – indica condições normais de temperatura e pressão.

COTAÇÕES – Indicador do Açúcar Cristal Branco Cepea/Esalq – SÃO PAULO (R$/saca 50kg)

COTAÇÕES – Indicador Semanal do Etanol Hidratado Combustível Cepea/Esalq – GOIÁS – VENDAS INTERNAS (R$/l)

COTAÇÕES – Indicador Semanal do Etanol Anidro Cepea/Esalq – GOIÁS – VENDAS INTERNAS (R$/l)

SAFRA DE CANA-DE-AÇÚCAR 2025/26




VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR (VBP) – Estimativa 2026

EXPORTAÇÕES DE AÇÚCAR




EXPORTAÇÕES DE ETANOL





COTAÇÕES – Indicador do Açúcar Cristal Branco Cepea/Esalq – SÃO PAULO (R$/saca 50kg)

