DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / ABRIL 2026 (BATATA)

Alimento estratégico para a segurança alimentar, a batata-inglesa apresenta relevância no agronegócio brasileiro e goiano. A cultura pode ser produzida em diferentes janelas de plantio, distribuídas em três safras ao longo do ano, voltadas para o abastecimento tanto do mercado interno quanto do externo. No âmbito da gastronomia, possui versatilidade de preparo, além da ampla utilização na alimentação doméstica e no setor de food service, pelo fácil acesso e aceitação pelo consumidor. Além disso, destaca-se como importante matéria-prima para a indústria de processamento, contribuindo para a agregação de valor na cadeia produtiva.
Apesar da associação comum pelo nome e pelo uso alimentar, a batata e a batata-doce são espécies botânicas e agronomicamente distintas. A batata comum, Solanum tuberosum, pertence à família Solanaceae e constitui um tubérculo adaptado a condições de clima ameno, com melhor desempenho sob temperaturas entre 15oC a 20oC. Como exemplos de cultivares, destacam-se a BRS Ana, Asterix e Ágata, voltadas tanto ao consumo in natura quanto à indústria. Já a batata-doce, Ipomoea batatas, integra a família Convolvulaceae e caracteriza-se como uma raiz tuberosa de elevada rusticidade, amplamente adaptada a ambientes tropicais e subtropicais, com maior tolerância a estresses hídricos. Desse modo, algumas cultivares são utilizadas, como Beauregard, BRS Rubissol, Princesa e Coquinho, que diferem quanto ao ciclo, coloração e finalidade de uso.
No Brasil, a atividade tem passado por um processo de modernização, caracterizado pela intensificação do uso de tecnologias produtivas e pelo aprimoramento da gestão nas propriedades. Segundo o Hortifruti Cepea, observa-se maior adoção de mecanização, irrigação, cultivares com maior desempenho e práticas de planejamento produtivo, reduzindo a variabilidade típica da produção sazonal. Esse movimento também está associado à crescente integração com a indústria, especialmente no segmento de batata processada, que demanda padronização e regularidade na oferta. Como resultado, mesmo em cenários de estabilidade ou redução de área plantada, a produção tem sido sustentada por ganhos de produtividade. Destacam-se, nesse contexto, polos mais tecnificados, com maior eficiência operacional e inserção em cadeias organizadas. Dessa forma, com esses avanços, há ampliação da presença dos produtos em mercados externos, o que demonstra o processo de profissionalização do setor.

Safras

Em Goiás, o cultivo de batata-inglesa se concentra na terceira safra, ou safra de inverno, com plantio entre abril e julho e colheita de julho a outubro. Esse calendário é favorecido pelas condições climáticas mais amenas e pela menor ocorrência de chuvas, fatores que reduzem a pressão de doenças fúngicas e contribuem para melhor desenvolvimento e qualidade dos tubérculos. Por outro lado, como se trata de um período mais seco, a irrigação torna-se indispensável ao longo do ciclo produtivo.
Ao considerar a série histórica de 2020 a 2025 da batata-inglesa 3ª safra, Goiás cresceu mais que a média nacional em produção e área colhida. Ambos indicadores cresceram na mesma proporção, com avanços respectivamente de 31,9% e 29,8%, enquanto o rendimento médio das lavouras goianas foi de 41,9 t/ha nesse período. Na mesma base de comparação, para o Brasil, a área destinada à cultura ampliou-se em 4,2% e o volume produzido em 12,1%. Vale ressaltar, que o registro oficial da produção pelo IBGE para 1ª e 2ª safra no estado Goiás iniciou-se apenas em 2025. Para a safra total de batata-inglesa em 2026, a expectativa é positiva, com estimativa de crescimento de 3,1% frente à temporada anterior, é esperado um total de 264,2 mil toneladas colhidas. Esse resultado, se consolidado, deverá representar o terceiro melhor desempenho da série histórica de produção, atrás somente dos anos 2010 e 2011.
Em relação aos municípios goianos, em 2024, Cristalina liderou a produção estadual de batata-inglesa com 137,2 mil toneladas produzidas, responsável por 51,3% do volume total colhido pelo estado, além de possuir também a maior área colhida (3,0 mil hectares). No cenário regional, Água Fria de Goiás destaca-se com a maior produtividade média das lavouras, de 46,7 toneladas produzidas por hectare. No mesmo ano, Campo Alegre de Goiás obteve um crescimento de 115,8%, dessa forma, foi o município que apresentou o maior avanço na atividade em relação a 2023. De acordo com o IBGE, Padre Bernardo e Sítio d’Abadia passaram a registrar produção de batata-inglesa em 2024, o que sinaliza o avanço da cultura em Goiás.
Para 2026, o Valor Bruto da Produção (VBP) da batata-inglesa em Goiás está projetado em aproximadamente R$ 771,4 milhões, resultado que deve representar o quarto melhor desempenho dos últimos dez anos, de acordo com dados do MAPA. Ao analisar a série histórica, no ano de 2024 o VBP goiano foi recorde, na qual alcançou a marca de R$1,3 bilhão. No ano seguinte, houve forte recuo de 58,9%, sendo estimado em R$538,9 milhões. A safra de batata em 2025 foi desafiadora para o produtor, marcada por preços baixos decorrentes do excedente de oferta, reflexo do ganho expressivo em produtividade no campo. Nesse contexto, para o presente ano, a expectativa é de recuperação no indicador da atividade, com incremento de 43,1% frente a 2025.

Cotações

Ao analisar a série histórica de preços da batata ágata especial no atacado de São Paulo (capital), de forma geral, observa-se a forte influência da sazonalidade, típica do mercado hortifrutícola. Os primeiros meses do ano correspondem ao início da oferta de batata da safra de verão entrando no mercado. Entre março e maio, há uma valorização nas cotações, associada à redução da oferta, em virtude do período de entressafra. A partir de junho, a intensificação da colheita de inverno amplia a disponibilidade do produto e pressiona os preços para baixo. Esse movimento tem continuidade no segundo semestre, com valores permanecendo em patamares mais baixos. Em síntese, o comportamento é dominado pelo ciclo produtivo, com preços sujeitos a dinâmica de oferta no campo e demanda do mercado consumidor.

Mercado Internacional

No mercado internacional, a pauta exportadora brasileira contempla produtos em diferentes níveis de processamento, incluindo desde batata in natura e batata-doce até itens preparados ou conservados, congelados e derivados industrializados, como farinha e fécula de batata. No cenário regional, Goiás apresenta inserção mais restrita nesse segmento, com exportações exclusivamente de batata-doce e de batatas preparadas ou conservadas. Nesse contexto, o estado possui potencial para ampliar sua participação na comercialização internacional com produtos processados e de maior valor agregado.
Quanto aos produtos exportados por Goiás, desde 2023, a batata-doce possui maior representatividade nos envios goianos. Em 2024, Goiás alcançou recorde em valor exportado de batata-doce, de US$264,9 mil em 211,4 toneladas embarcadas para os Países Baixos. Nesse período, o valor pago por tonelada exportada também foi destaque, alcançando US$1.253,59/t, quantia 74,7% acima da média recebida pelo Brasil. Historicamente, para esse produto, Goiás apresenta uma concentração dos envios para apenas um parceiro comercial. Vale ressaltar que a inserção da batata-doce na pauta exportadora estadual é recente, iniciada em 2020, o que indica margem para expansão, tanto na consolidação quanto na diversificação de mercados.
Em relação às batatas preparadas e conservadas, em 2025, o estado comercializou para 3 países 7,5 toneladas no valor de US$54,8 mil, configurando assim o melhor desempenho da série histórica para ambas as variáveis. Quanto aos destinos deste produto, os Estados Unidos ocupam a liderança no ranking de importadores, responsável por quase 90% do valor e volume exportados pelo estado. Em seguida na classificação estão Canadá e Reino Unido, com respectivamente, cerca de 7,3% e 3,1% de participação no mercado goiano.
Em 2025, no âmbito das importações brasileiras, as compras totalizaram 345,6 mil toneladas no valor de US$ 446,8 milhões, na qual as batatas preparadas e conservadas lideraram o ranking de produtos adquiridos pelo país. Como principais origens das compras, destacam-se Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito. Nesse período, semelhante ao registrado para o Brasil, as importações do estado de Goiás concentraram-se exclusivamente nas batatas preparadas e conservadas, na qual totalizaram o valor de US$923,7 mil em um volume de 739,9 toneladas. Dessa forma, ao comparar os fluxos de compra e venda, é observado uma balança comercial deficitária para o setor, tanto a nível nacional quanto estadual. Esse cenário pode ser explicado, dentre outros fatores, pela dependência do mercado externo quanto a produtos com maior grau de processamento industrial.

Governo na palma da mão