Aberta 12ª edição da Goiás Mostra Artesanato, no Palácio Pedro Ludovico


Exposição da artesã Maria de Fátima Dutra Barros, a Fatinha, segue até 26 de março

O superintendente executivo de Indústria e Comércio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED), Vitor Hugo Queiroz, abriu na manhã desta segunda-feira (16), no térreo do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, mais uma exposição do projeto Goiás Mostra Artesanato. Desta vez, o trabalho exposto é da artesã Maria de Fátima Dutra Barros, 55 anos, a Fatinha, de Olhos D’Água. Ela utiliza fibras vegetais extraídas da palha de milho e da folha de bananeira na confecção de imagens sacras. A exposição, com 24 peças, fica aberta à visitação até o próximo dia 26.

Trata-se da 12ª edição do Goiás Mostra Artesanato, um projeto da Gerência de Artesanato que tem por objetivo mostrar a qualidade da produção artesanal goiana, possibilitando a apresentação individual de trabalhos. De acordo com o gerente André Franco, a visão que as pessoas, em geral, têm, do artesanato é coletivo e, quase sempre, o artesão expõe suas obras em feiras. “Vamos dar visibilidade ao trabalho de cada artista e, ao final, publicar um livro com o melhor do artesanato goiano”, disse. André lembrou que o projeto teve início há um ano, exatamente na Semana Nacional do Artesão.

Da abertura da mostra, no saguão de entrada do Palácio Pedro Ludovico, participaram, ainda, o superintendente de Micro e Pequenas Empresas da SED, Thiago de Souza Peixoto Falbo, e o artista plástico Siron Franco, que conheceu o trabalho da artesã em mostra coletiva durante a Conferência Rio + 20, no Rio de Janeiro. “Sempre gostei muito do artesanato goiano, mas o trabalho dela é primoroso e merece ser valorizado e reconhecido”, disse o artista, que fez um convite à artesã para expor seus trabalhos também no Instituto Rizzo, do qual é diretor.

Projeção nacional
As imagens sacras de Maria de Fátima chamam a atenção pela riqueza de detalhes e pelo zelo no acabamento das tramas feitas com palha de milho e folha de bananeira e que agregam diferentes nuances da biodiversidade do Cerrado. Numa mesma peça, ela se reinventa, e acrescenta tudo que o bioma oferece em cores e texturas. Para esta exposição no Palácio Pedro Ludovico, especificamente, Fatinha incorporou as flores secas para tecer colares, coroas e mantos. “Meu marido disse que essa minha exposição é uma celebração das flores”, comenta a artesã, satisfeita com o resultado alcançado.

Com suas obras, Maria de Fátima já ganhou vários prêmios. Das peças que apresentou ao público, a imagem da Virgem Maria feita com folha de bananeira em tons naturais foi a que ficou mais conhecida.  “Nenhuma é igual à outra, estou sempre acrescentando um ou outro elemento”, explica. Para ela, a exposição no Palácio Pedro Ludovico é uma forma de conquistar novos públicos e expandir os negócios com sua arte. Ela já fez exposições em vários estados brasileiros.

Boneca de milho
Essa trajetória que tem resultado em tantas conquistas começou lá atrás, quando Fatinha ainda era menina e brincava nos quintais de Olhos D’Água, recolhendo palha de milho para fazer suas bonecas. A casa em que cresceu também proporcionou um ambiente fértil à criatividade. A mãe e a avó eram tecelãs e a envolveram desde cedo no trabalho de fiar e tecer. O pai era lavrador. “Sempre me identifiquei muito com o trabalho manual e me apaixonei muito cedo pelas palhas de milho e bananeira, me encantando com as possibilidades que elas me davam”, afirma.

Um fato, em especial, contribuiu para que Maria de Fátima transformasse essa paixão em ofício. Em 1974, a professora da Universidade de Brasília, Laís Aderne, arte educadora, mudou residência para Olhos D’Água e criou ali a Feira de Trocas, hoje evento tradicional na cidade. “Naquela época, eu vi que aquela quase brincadeira podia virar coisa séria, que o que eu fazia artesanalmente podia ser vendido ou trocado e produzir renda”, lembra. Segundo Fatinha, a Feira de Trocas inspirou muita gente. A ela, muito mais. Numa iniciativa que teve participação da tia Clotildes, ela produziu o seu primeiro presépio, com peças de aproximadamente 26 centímetros. “Tudo muito primitivo e não tínhamos cola quente, costuramos tudo à mão”, detalha.

A partir de então, a artesã iniciou as pesquisas para produção e seleção das palhas a serem usadas, ao mesmo tempo em que aprofundou o seu conhecimento a respeito das imagens sacras. “É claro que minha base maior foi a própria tradição da cidade, com seus terços, rezas, procissões, folias, com todas aquelas imagens”, destaca. Ela também passou a plantar espécies diferentes de milho para a produção da diversidade de cores que precisa para retratar esse universo religioso que tanto a encanta.

Produção em maior escala
Com seus presépios e imagens ela ganhou muitos prêmios. Em 2001, foi aconselhada a deixar a tecelagem e investir mais tempo no seu trabalho com as palhas.  Na mesma época, um incidente iria favorecer a expansão da produção. Uma pessoa do Sebrae-GO foi à casa dela pegar umas tecelagens para uma rodada de negócios e viu um presépio que ela tinha feito e resolveu levar. Na mesma semana, chegava tanto fax que ela não teve como atender aos pedidos, porque passava por um problema familiar. Mas os contatos ficaram e, na grande maioria, continuam comprando as obras de Fatinha.
 

Ante a demanda crescente, Maria de Fátima teve que criar condições para a produção das peças. Ensinou, primeiro, a uma amiga e, depois, agregou alguns funcionários à empresa que criou e que funciona até hoje em Olhos D’Água, a Fatinha Fibras e Fios. Com o seu trabalho e a de sua equipe ela produz cerca de 100 a 400 peças por mês, dependendo de tamanho e complexidade de cada uma. O faturamento chega a R$ 15 mil mensais, que dobra no período de Natal. “Gosto muito de produzir as Virgens Santas durante o ano, e no período natalino, eu fico com a parte dos anjos”, diz. 

Fotos: Jayr Inácio

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