Goiás premia projetos de IA que transformam educação, saúde e segurança com soluções inovadoras

Conheça um pouco sobre os vencedores do Prêmio Anual Goiás Aberto para a Inteligência Artificial (GO.IA) e seus projetos que trazem propostas que usam inteligência artificial aberta para personalizar a educação, agilizar diagnósticos médicos, combater fraudes digitais e fortalecer serviços públicos no Estado de Goiás

A chamada pública, lançada pelo Governo de Goiás, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Secretaria-Geral de Governo (SGG) e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), tem como objetivo reconhecer, incentivar e premiar soluções inovadoras em Inteligência Artificial, preferencialmente baseadas em software aberto que gerem impacto social, econômico e/ou ambiental positivo no Estado de Goiás, observando princípios de ética, transparência, inclusão e sustentabilidade.

O Prêmio Goiás Aberto para Inteligência Artificial (GO.IA) revelou projetos que mostram como a tecnologia pode melhorar, de forma concreta, áreas essenciais como saúde, segurança e educação. Com investimento total de R$ 1 milhão, a iniciativa fortalece um ecossistema de inovação em IA aberta, conectando governo, universidades, startups e sociedade.

Realizada no Hub Goiás, a premiação reconheceu três propostas com alto potencial de impacto social. Os vencedores receberam R$ 500 mil, R$ 300 mil e R$ 200 mil. O Prêmio reforça a estratégia do estado de se tornar referência nacional em inteligência artificial aplicada a políticas públicas.

Gaia Edu

Entre os contemplados, o primeiro lugar, “GAIA Edu: Uma Suíte de Tutoria Inteligente e Aberta para Apoio na Personalização do Ensino no Estado de Goiás Educação”, foi uma solução apresentada pelo professor Celso Gonçalves Camilo Junior, mestre e doutor em Inteligência Artificial, membro fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA-UFG-BR), professor associado da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Celso Camilo aponta que a Inteligência Artificial Generativa vem transformando profundamente o ambiente educacional, ampliando o acesso à informação, mas também trazendo desafios pedagógicos importantes. O uso frequente dessas ferramentas por estudantes, muitas vezes focado apenas na obtenção de respostas prontas para avaliações e exercícios, pode reduzir o esforço cognitivo necessário para uma aprendizagem efetiva, fenômeno conhecido como terceirização cognitiva.

Diante desse cenário, o GAIA Edu propõe uma mudança de abordagem: em vez de atuar como um “oráculo” que fornece respostas, a IA passa a funcionar como um tutor. Baseado no GAIA (modelo de inteligência artificial de código aberto desenvolvido e otimizado especificamente para o português), o Gaia Edu será adaptado ao contexto educacional para interagir com os alunos por meio de explicações, questionamentos e estímulos ao raciocínio. A proposta busca promover uma aprendizagem mais ativa e significativa, com potencial de impacto direto na educação pública. O sistema será treinado para dialogar com o estudante, oferecendo explicações, contraexemplos e questionamentos que estimulem o raciocínio, utilizando a base tecnológica soberana desenvolvida em território goiano para promover um impacto social mensurável na educação pública.

Codex.AI

O segundo lugar ficou com o projeto “Codex.AI: Plataforma de Inteligência Artificial para Apoio à Codificação Automática de Diagnósticos Clínicos no SUS Saúde”, coordenado por Ricardo da Silva Santos, professor do Instituto Federal de Goiás (IFG), campus Goiânia, na área de Matemática, e doutorando na Unicamp na área de Inteligência Artificial aplicada à saúde. A proposta aborda um problema crítico do sistema de saúde: a codificação de diagnósticos clínicos no padrão CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), que possui mais de 14 mil categorias e ainda é feita, em grande parte, de forma manual lento, trabalhoso e sujeito a erros. Ao mesmo tempo, a codificação correta é essencial, pois permite transformar informações clínicas complexas em um padrão universal, viabilizando a organização dos dados de saúde, o monitoramento de doenças na população e a tomada de decisões baseadas em evidências por hospitais, gestores públicos e pesquisadores.

O objetivo é aplicar técnicas avançadas de Inteligência Artificial para automatizar e aprimorar o processo de codificação médica. O Codex.AI utiliza modelos avançados de linguagem com técnicas de ajuste fino (fine-tuning) para sugerir automaticamente os códigos mais adequados a partir de registros médicos. O sistema já conta com um protótipo funcional, capaz de gerar sugestões em cerca de 7 segundos. A solução mantém o profissional de saúde no centro da decisão, funcionando como ferramenta de apoio que reduz erros, otimiza tempo e melhora a organização dos dados clínicos. O projeto também se destaca pelo cuidado com privacidade e segurança das informações sensíveis. Com o prêmio, a equipe pretende expandir a base de dados — hoje concentrada em obstetrícia —, incluir outras especialidades e firmar parcerias com hospitais para validação em larga escala.

Veracidade da informação

O terceiro lugar foi para o professor Eliomar Araújo de Lima, do Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (UFG), pesquisador com mais de 20 anos de atuação em inteligência artificial, confiança digital, sistemas inteligentes de apoio à decisão e governança de infraestruturas digitais. Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Brasília, mestre pelo ISCTE Business School, possui também especializações pela Fundação Getúlio Vargas e pela própria UFG. Além da atuação acadêmica, participa ativamente da formulação de políticas e ecossistemas de inovação, tendo integrado comissões estratégicas em órgãos públicos, redes de laboratórios de inovação e iniciativas nacionais voltadas à transformação digital do Estado. Seu projeto propõe uma “Plataforma Aberta de Inteligência Artificial para Veracidade da Informação, Confiança Digital e Enfrentamento de Fraudes, Golpes e Crimes em Ambientes de Interação Massiva”.

A proposta combina inteligência artificial, aprendizado de máquina, análise multimodal e tecnologias como blockchain, integradas a um modelo de validação humana (human-in-the-loop). O objetivo é detectar e analisar desinformação, fake news, golpes e ataques digitais em ambientes de grande escala, oferecendo suporte a órgãos públicos, sistema de justiça e plataformas digitais. A solução é concebida para atender demandas estratégicas do setor público, especialmente no contexto de processos de apuração e investigação e da atuação institucional em ambientes digitais, contribuindo para o fortalecimento da democracia, da segurança informacional e da confiança nas instituições. O projeto também apresenta elevado potencial de escalabilidade, podendo ser aplicado em diferentes domínios, como administração pública, sistema de justiça, telecomunicações e plataformas digitais.

A solução também busca garantir transparência e auditabilidade nos processos, fortalecendo a confiança digital e as instituições. Com potencial de aplicação em diferentes áreas, o projeto posiciona Goiás e o Brasil na vanguarda do enfrentamento aos desafios da desinformação.

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