LÁCTEOS – AGRO EM DADOS / MAIO 2026

No mercado doméstico, em março, o preço pago ao produtor na média Brasil foi de R$ 2,39/l, ajuste positivo de 11,2% em relação ao mês anterior. Goiás acompanhou o cenário nacional, com incremento de 11,4% na mesma base de comparação. Segundo o Cepea, o movimento de alta foi decorrente da demanda pelos laticínios frente a uma oferta mais restrita. Todavia, os valores mantêm-se abaixo dos patamares registrados em 2024 e 2025 para esse período (ver Gráfico da Série Histórica de Preços).
No cenário internacional, para Goiás, as exportações de lácteos atingiram, no primeiro trimestre de 2026, o maior volume já registrado para o período. Esse desempenho foi decorrente do aumento dos embarques de leite condensado e creme de leite, que totalizaram 69,0 toneladas e 131,8 toneladas, respectivamente. Além do avanço em volume, ambos os produtos também alcançaram recordes em valor exportado. No mesmo intervalo, as importações goianas apresentaram retração ao comparar com o mesmo período dos anos anteriores, com registro apenas de aquisições de soro de leite, o que contribuiu para a melhora da balança comercial do setor.
No último leilão Global Dairy Trade (GDT), realizado em 05 de maio, a média ponderada dos produtos negociados registrou leve alta de 1,5%, atingindo US$ 4.127,00 por tonelada, após duas quedas consecutivas observadas em abril. Apesar da recuperação nos preços, o volume comercializado foi o menor desde 2017, reflexo da oferta mais restrita no âmbito mundial.
Quanto às tecnologias aplicadas à produção, o melhoramento genético tem sido determinante para o avanço da pecuária leiteira brasileira ao elevar a produtividade sem exigir expansão do rebanho. Dados da Embrapa mostram que, nas últimas duas décadas, os ganhos genéticos responderam por aumentos de 28% na produção da raça Girolando e de 31% no Gir Leiteiro, o que demonstra o impacto direto da seleção de animais superiores. Esse progresso resulta do uso de ferramentas como avaliação genômica e acasalamentos dirigidos, que ampliam a precisão na escolha de matrizes e reprodutores, favorecendo rebanhos mais produtivos, eficientes e adaptados às condições tropicais.
Além disso, o melhoramento genético também tem possibilitado a formação de rebanhos voltados à produção de leite A2A2, por meio da identificação e seleção de animais com genótipo específico para a proteína beta-caseína. Segundo a Embrapa, essa estratégia permite direcionar acasalamentos para obtenção de vacas produtoras desse tipo de leite, associado a um nicho de mercado em expansão e potencialmente benéfico a consumidores com sensibilidade à proteína do leite convencional, agregando valor à cadeia produtiva sem comprometer os avanços em produtividade.
Nesse contexto, o melhoramento genético consolida-se como um dos principais vetores de competitividade do setor, ao combinar aumento de produção com manejo eficiente.
Dessa forma, o Governo de Goiás, por meio da SEAPA, criou o Programa de Melhoramento Genético Bovino para Agricultura Familiar. O objetivo é incentivar a adoção da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), técnica que contribui para o aumento da taxa de concepção, da eficiência reprodutiva e da qualidade do leite, com impacto direto na produtividade das propriedades familiares.

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