DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / MARÇO 2025 (ALGODÃO)

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de algodão – atrás de China e Índia – e responde por 13% da produção global. De acordo com o USDA, na safra 2023/24, houve redução na produção global de algodão pela Índia, China e Estados Unidos, em contrapartida, a produção brasileira aumentou 2,8 milhões (de fardos de 480 lb). Na produção nacional, Goiás ocupa a sétima colocação, com expectativa de colheita de 138,2 mil toneladas na safra 2024/25. Destaca-se como maiores produtores de algodão no estado, os municípios de Chapadão do Céu, localizado no sudoeste goiano, Luziânia e Cristalina, no entorno do Distrito Federal, seguido de Britânia e Jussara, no oeste goiano.
O ano de 2024 foi positivo para a cotonicultura brasileira e goiana, com registro de aumento na produção de algodão (em pluma e caroço) na safra 2023/24, pelo terceiro ciclo consecutivo. Concomitantemente, desde a safra 2020/21, houve aumento na área destinada à cultura de 11,0% em Goiás e de 41,9% para o Brasil. Na produtividade do caroço de algodão, o estado goiano saiu de 2,4 ton/ha na safra 2016/17 para 3,0 ton/ha na safra 2023/24, crescimento de 21,7%. Além disso, na última temporada, Goiás foi responsável pela maior produtividade do país, ultrapassando Tocantins, Mato Grosso, Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso do Sul. Para a safra 2024/25, é projetado para Goiás alcançar a terceira colocação no rendimento médio das lavouras do algodão em pluma e do caroço de algodão.
Em relação às exportações em 2024, o algodão brasileiro e seus produtos alcançaram 163 destinos, representando um crescimento de 34,7% nos últimos dez anos. Além disso, houve recorde em volume e valor enviado para o exterior, consolidando o Brasil como o maior exportador mundial de algodão. Já para Goiás, os produtos do algodão foram enviados para 35 destinos, com o retorno nas aquisições pela Índia e aumento de 10,0% no volume exportado para a China, 18,8% para o Vietnã, 12,9% para a Indonésia e 66,5% para a Malásia, em relação ao ano de 2023.
No último trimestre do ano de 2024, foi constatado o melhor desempenho do ano nas exportações, com elevação no volume adquirido do algodão não cardado nem penteado – principal produto exportado do algodão – pelos parceiros comerciais. O aumento nesse período é historicamente observado, devido maior disponibilidade de algodão a partir de setembro, após o seu beneficiamento e estocagem. Ademais, os fatores cambiais impulsionaram as transações em dezembro, garantindo maior competitividade para a pluma brasileira.
Já no primeiro mês de 2025, foi registrado recorde nas exportações brasileiras para esse período, com crescimento de 65,1% no volume exportado, em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da diminuição nas aquisições chinesas (-52,6%), o Paquistão aumentou suas compras adquirindo um volume quase 20 vezes maior (99,4 mil toneladas), a Turquia triplicou suas aquisições (39,5 mil toneladas) e Vietnã e Bangladesh mais que dobraram suas importações (73,5 mil toneladas e 65,9 mil toneladas respectivamente), frente a janeiro de 2024.
Os principais destinos da fibra brasileira estão localizados na Ásia, apesar da relevante produção pela China e Índia. Dessa forma, é observado a crescente demanda por fibras naturais pelos países asiáticos e assim, representa um mercado em plena expansão, estimulando a cadeia produtiva no Brasil.
Em relação ao progresso de safra, a semeadura em Goiás atingiu 97,0% da área destinada a cultura até o dia 16 de fevereiro, 7 pontos percentuais a mais que o mesmo período do ano anterior. Para as demais regiões do Brasil, o plantio já foi finalizado nos estados do Maranhão, Piauí e Mato Grosso do Sul. Para a temporada 2024/25 no Brasil, é esperado uma safra recorde, com 9,0 milhões de toneladas de algodão produzidos, com acréscimo de 2,5% nos estoques finais e de 2,2% no consumo interno. Além disso, para as exportações brasileiras, a expectativa é de aumento em 5,6% em relação ao ano passado.
DO CAMPO À MESA
TECNOLOGIA E QUALIDADE NA PRODUÇÃO DE ALGODÃO EM GOIÁS
Derivado da planta do algodoeiro, adaptada para climas tropicais e subtropicais, do gênero Gossypium, o algodão é pertencente à mesma família do quiabo, cacau e hibisco. A fibra do algodão é classificada em curta, média e longa, composta por 94% de celulose, 1,3% de proteínas, 0,6% de cera e 4,1% de outras substâncias. As fibras médias são destinadas a fabricação da maior parte dos tecidos industrializados e representam 97% de toda a produção, já as fibras longas são usadas para a fabrica- ção de tecidos mais sofisticados, responsáveis por apenas 3% da produção.
Além de ser a matéria-prima para a confecção de tecidos, o algodão também possui outras funções para a indústria. É considerado hidrófilo e, após passar pelos processos de esterilização, branqueamento e desengorduramento, essa propriedade é intensificada, com a fibra detendo maior capacidade de absorção. Dessa forma, é utilizado em curativos, tecidos cirúrgicos e produtos de higiene. Ademais, o caroço do algodão pode ser utilizado na fabricação de biodiesel, adubos, ração para animais e o óleo de algodão, utilizado na culinária e na indústria dos cosméticos.
Em relação às condições ideais de plantio do algodão, a planta apresenta um ciclo de aproximadamente 160 dias, exige um suprimento de 750 a 900 mm de água distribuídos em todo o período, além de um solo bem nutrido e temperaturas entre 22 e 26°C.
Para a regularização das lavouras, o cadastro é obrigatório e deve ser realizado até 30 dias após a semeadura no Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago). Levando em consideração o vazio sanitário, o estado de Goiás é dividido em 4 regiões que diferem entre si quanto à data para o início do plantio. Essa medida fitossanitária é estabelecida para um melhor controle do bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura no Estado.
Com o objetivo de promover a sustentabilidade e boas práticas na produção do algodão no Brasil, foi criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA) em 2012, o Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que estabelece critérios rigorosos para obtenção de uma certificação socioambiental, visando garantir que a cadeia produtiva seja mais responsável na gestão de pessoas, de recursos naturais e materiais. O ABR é reconhecido pelo Better Cotton Initiative (BCI), uma das principais certificações globais de algodão sustentável, possibilitando que os produtores brasileiros acessem mercados exigentes, em razão da rastreabilidade garantida pelo programa, e ampliem suas oportunidades de exportação.
COTAÇÕES – Indicador do Algodão em Pluma CEPEA/ESALQ – Prazo de 8 dias

SAFRA DE ALGODÃO TOTAL 2024/25



VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO DE ALDOGÃO (VBP)

EXPORTAÇÕES DE ALGODÃO E PRODUTOS DO ALGODÃO**




IMPORTAÇÕES DE ALGODÃO E PRODUTOS DE ALGODÃO**




COTAÇÕES – Indicador do Algodão em Pluma CEPEA/ESALQ – Prazo de 8 dias

