DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / FEVEREIRO 2025 (TOMATE)

O estado de Goiás é o maior produtor de tomate do país, com enfoque para o tomate industrial, principal responsável por sustentar a representatividade do estado no cenário nacional. Os municípios maiores produtores do estado estão localizados no sul e sudeste goiano e no entorno do Distrito Federal, com destaque para os municípios de Cristalina, Silvânia e Morrinhos.

Essa posição de relevância é reflexo de condições climáticas favoráveis, localização geográfica estratégica, dedicação dos produtores, tecnologia e inovação aplicadas no campo, como na utilização de cultivares mais adaptados e resistentes a doenças e nas técnicas de irrigação. Esses fatores promovem um alimento de qualidade, reconhecido e valorizado internacionalmente, que consolidam a tomaticultura como uma importante fonte de renda aos agricultores goianos.

A tomaticultura goiana vem avançando ao longo dos anos, com área de cultivo que saltou de 10,0 mil hectares em 2015, para 15,7 mil hectares em 2024, um crescimento de 56,8%. Para a produção, o aumento foi de 66,4%, saindo de 879,6 toneladas em 2015, para 1,4 milhão de toneladas produzidas no ano passado. Além disso, o estado possui o maior rendimento médio das lavouras, de 93,4 toneladas por hectare, desempenho 23,5% superior à média nacional. Dessa forma, Goiás responde por mais de um terço da produção brasileira de tomate.

No que se refere ao tomate de mesa, em Goiás, os valores de comercialização das variedades saladete e longa vida se comportam de maneira semelhante no mercado. Sazonalmente, há redução nos preços no mês de julho, devido à maior oferta, e aumento a partir de outubro, quando as condições climáticas não são ideais, gerando menor disponibilidade do produto. O tomate cereja, por sua vez, concentra a produção em determinadas épocas e possui maior custo de produção e, consequentemente, valor agregado, no entanto, está mais susceptível às oscilações de mercado, em decorrência do uso intenso na gastronomia e em festividades ao longo do ano.

No cenário internacional, em 2024, as exportações brasileiras de tomate atingiram o melhor desempenho desde 2018. Para Goiás, o produto com maior relevância é o suco de tomate. Em 2022, o estado iniciou as exportações com o envio de 379,5 toneladas, com faturamento de US$ 339,0 mil para 6 países. Atualmente, 1,5 mil toneladas do tomate goiano e seus produtos são enviadas para 7 destinos, dentre eles destacam-se: Uruguai, Paraguai, Venezuela e Bolívia.

Nos últimos anos, os produtos que são exportados por Goiás passaram por uma transformação. Em 2021, as vendas externas de tomate in natura foram interrompidas, para em 2022, iniciar as exportações de suco de tomate, que atualmente representam 76,4% no valor exportado por Goiás. Em 2024, janeiro foi o mês com melhor desempenho nas exportações, com 166,2 toneladas enviadas para o exterior, avanço de 82,8% em relação a 2023. Ademais, o estado é responsável por 9,7% do volume total exportado pelo Brasil e, além disso, é melhor remunerado, recebendo 10,6% a mais que a média paga por tonelada para o país.

Em relação às importações em Goiás, o suco de tomate é o produto mais adquirido, com destaque para os meses de março, abril e junho. Em 2024, os Estados Unidos assumiram a posição de principal fornecedor para o estado, substituindo Argentina e Itália, que lideraram em 2023.

O crescimento das exportações de suco de tomate e sua valorização no mercado internacional destacam o potencial da tomaticultura goiana, dessa forma, é notável a oportunidade de mercado para as agroindústrias no estado de Goiás. Com a soberania na produção brasileira, somado à demanda interna e externa firme, há espaço para ampliar ainda mais a competitividade do estado, gerando novas oportunidades para o setor e consolidar Goiás como referência nas exportações de derivados de tomate.

DO CAMPO À MESA

TECNOLOGIA, MERCADO E QUALIDADE NA PRODUÇÃO DE TOMATE EM GOIÁS

O tomateiro é uma planta que pode ser cultivada durante todo o ano, com adaptabilidade em diferentes regiões e variedade de cultivares, das quais destacam-se para o consumo in natura o tomate cereja, italiano, salada e o santa cruz. Em relação ao plantio, para germinação é necessária temperatura entre 15 e 25 °C, e para o desenvolvimento e produção, o tomate tolera até 34°C. Pode ser cultivado em diferentes tipos de solo com pH ideal entre 6,0 e 6,5, entretanto é exigente quanto aos nutrientes. Além disso, requer alta disponibilidade hídrica, na qual o mais indicado é o método de irrigação por sulco ou por gotejamento.

No processo de produção, a prática de cobertura de solo (mulching) consiste na utilização de filmes plásticos nos canteiros que contribuem com o controle de plantas daninhas e da passagem dos raios solares, há redução do uso de herbicidas e favorece o desenvolvimento da planta, proporcionando uma maior qualidade ao fruto.

A época ideal para semeadura irá depender da localização, topografia, altitude e o regime de chuvas da região, observando, sobretudo, o Calendário de Transplantio estabelecido pela Agrodefesa que, para Goiás, ocorre no período de 01 de fevereiro a 30 de junho, o que o permite ao produtor de 120 a 150 dias para realizar o plantio. Os sistemas de cultivo do tomate são em campo ou em ambiente protegido, com duração do ciclo entre 95 e 125 dias. É um fruto climatério, sendo assim, continua amadurecendo mesmo após ser colhido.

No intuito de garantir a segurança sanitária da produção, o Programa de Defesa Sanitária Vegetal da Agrodefesa institui ações e medidas fitossanitárias para prevenção e controle de pragas e doenças, como as geminiviroses, transmitidas pela mosca-branca (principal praga do tomate). As principais ações incluem o cadastro das propriedades, a eliminação de restos culturais, a destruição de plantas voluntárias e a produção de mudas em ambiente telado. Essas medidas visam garantir a sanidade e a produtividade do cultivo no estado de Goiás.

O tomate é bastante popular na cultura brasileira e um importante alimento na garantia da segurança alimentar no país. Dentre seus benefícios, estão a presença de vitaminas A e C, de minerais como potássio, cálcio, fósforo, magnésio e de fibra alimentar, que auxiliam na visão, fortalecimento dos ossos, e na prevenção de doenças cardiovasculares. Além disso, é rico em licopeno, carotenoide que dá a cor vermelha ao fruto e possui ação antioxidante no organismo.

Governo na palma da mão

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