DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / DEZEMBRO 2024 (ARROZ)

Foto: Lucas Eugênio

O arroz é um grão da família das gramíneas, sendo o terceiro cereal mais cultivado do mundo, atrás apenas do milho e do trigo. Ele desempenha um papel significativo na economia, na cultura e na sociedade. Além disso, é um alimento acessível, versátil, com diversidade regional na sua forma de preparo, representando a identidade gastronômica brasileira e contribuindo para a garantia da segurança alimentar no país.

Em relação às condições ideais de plantio, o arroz é adaptado a climas tropicais e subtropicais, com temperaturas médias entre 20 e 35°C. Necessita de abundância de água, solos ricos em nutrientes e pH neutro a ligeiramente ácido, entre 5,5 e 7,0. O fotoperíodo depende da variedade, mas para a maioria dos cultivares é de 9 a 10 horas.

No cenário mundial, o Brasil ocupou o 11° lugar em produção na safra 2023/24, de acordo com o USDA. China e Índia lideram como os maiores produtores, respondendo juntos por 54% da oferta global. Além de estar entre os maiores produtores, o país também se destaca como um grande consumidor do cereal, com produção nacional quase totalmente absorvida pelo mercado interno, registrando um consumo per capita de 47,8 kg ao ano. Entre os maiores estados produtores, destacam-se Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão, seguidos de Goiás, que ocupa o sexto lugar no ranking nacional.

Os sistemas de produção utilizados no Brasil são o irrigado e o sequeiro. No sistema irrigado, a topografia deve ser plana e de difícil drenagem para manter o solo inundado, o que requer maior investimento devido à necessidade de disponibilidade e controle de água. Esse sistema, mais utilizado na região Sul, garante maior produtividade. Já o sequeiro, conhecido como arroz de terras altas, é mais comum nas regiões Norte e Centro-Oeste. Nesse caso, o solo precisa ser bem drenado, e a produção depende do período das chuvas, resultando em menor custo, mas também em menor produtividade, devido à dependência climática e à maior suscetibilidade a doenças e pragas.

De acordo com a Conab, para a próxima safra brasileira de arroz irrigado, é estimada uma área de 1,3 milhão de hectares, um aumento de 8,5% em relação à safra 2023/24. Para Goiás, a expectativa também é positiva, com 26,3 mil hectares, representando um acréscimo de 20,1%. Quanto à área destinada ao arroz de sequeiro, houve aumento de 15,3% no Brasil e de 44,2% em Goiás, comparando-se à safra anterior.

Na safra total do país para a temporada 2024/25, espera-se alcançar o melhor desempenho dos últimos seis anos, com volume estimado em 12 milhões de toneladas. Em relação à safra anterior, a expectativa é de aumento de 14,0% no volume produzido, 3,5% na produtividade e 10,1% na área plantada no Brasil. Para Goiás, o cenário também é otimista, com incremento de 24,0% na área plantada e de 19,6% na produção. Na safra 2023/24, os estoques finais somaram 393,4 mil toneladas. Para 2024/25, a estimativa é de 855,6 mil toneladas, um aumento de 117,4%, atribuído ao crescimento da produção e à estabilidade do mercado interno.

Na área de tecnologia, a Embrapa Arroz e Feijão, sediada em Goiás, desempenha papel estratégico no desenvolvimento agrícola nacional, com forte impacto no estado. Destaca-se na pesquisa de recursos genéticos para cultivares de arroz, com foco no aumento da produtividade, na qualidade dos grãos e na resistência a pragas e doenças, como a brusone. O avanço no melhoramento genético e no uso de tecnologias amplia o potencial produtivo, fortalece a rentabilidade dos produtores e contribui para a segurança alimentar em Goiás.

Nas cotações, observou-se queda no preço médio de novembro, registrando R$ 111,66/sc, uma redução de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa baixa atípica é explicada pela ampla oferta e pela estabilidade na demanda interna, somadas à expectativa de recorde na safra 2024/25. No mercado internacional, as exportações recuaram devido à redução da competitividade do arroz brasileiro, impactada pela retomada das exportações indianas, que ampliaram a oferta global e aumentaram a concorrência.

Para impulsionar a produção de arroz no Brasil, o Governo Federal criou o programa “Arroz da Gente”, voltado para a agricultura familiar, oferecendo crédito, assistência técnica, acesso a tecnologia e apoio na comercialização. Em Goiás, por meio do Banco de Alimentos do Governo Estadual, a OVG produz o “Mix do Bem”, composto de arroz, proteína de soja e vegetais desidratados, distribuído pelo Goiás Social a famílias em vulnerabilidade. A iniciativa foi reconhecida internacionalmente pelo Fab City Awards 2024, no combate à fome e ao desperdício.

Governo na palma da mão

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