DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / AGOSTO 2026 (FEIJÃO)

Essencial para a segurança alimentar, o feijão (Phaseolus vulgaris L.) ocupa posição de destaque na economia e na agricultura como o 6º grão mais cultivado no Brasil e o 4º em Goiás. No país, o cultivo é realizado em 3 safras ao longo do ano, contemplando diferentes grupos comerciais, como os feijões carioca, preto, cores e o feijão-caupi (Vigna unguiculata).
Quanto aos ciclos de produção, a 2ª safra predomina no âmbito nacional, enquanto, em Goiás, a 3ª é a que possui maior relevância. No estado, destacam-se os grupos comerciais caupi e cores. O feijão cores é produzido na 1ª e na 3ª, enquanto o caupi é cultivado predominantemente na 2ª safra.
A produção brasileira é majoritariamente voltada ao abastecimento do mercado doméstico. Em relação à demanda, 92,6% deverá atender o consumo interno e 7,4% ser destinado ao comércio exterior, segundo estimativa da Conab para a safra 2025/26.
Embora represente um dos principais componentes da dieta brasileira, o consumo de feijão apresentou redução ao longo dos anos. Segundo a Embrapa Arroz e Feijão, o consumo aparente foi estimado em 13,2 kg por habitante em 2024, patamar inferior aos 18,8 kg por habitante registrados em 1996.
Além de sua relevância já estabelecida na alimentação tradicional, o feijão é uma importante fonte de proteína vegetal, constituindo uma alternativa para consumidores que buscam substituir as fontes de origem animal. Essa dinâmica reflete as mudanças e tendências nos hábitos alimentares da população ao longo dos anos.

Safras
Para a safra brasileira de feijão total* 2025/26, a Conab projeta recuo de 1,4% na produção e de 5,6% na área plantada frente à temporada anterior, o que representa a segunda redução consecutiva em ambas as variáveis. Todavia, houve incremento de 4,4% no rendimento médio das lavouras, estimado em 1,2 t/ha, segundo o 10º Levantamento da Safra de Grãos publicado pela Companhia.
Ao considerar a série histórica do feijão total* dos últimos 5 anos, Goiás apresentou crescimento de 7,0% em produção e de 10,7% em área plantada. Para a safra 2025/26, a expectativa é de alcançar o melhor desempenho desde 2020/21 em ambos os indicadores, com projeção de 301,6 mil toneladas produzidas em 127,0 mil hectares. Ademais, o estado deverá apresentar produtividade superior à média brasileira, com rendimento estimado em 2,4 t/ha, o dobro previsto para o Brasil.
No Brasil, a produção de feijão 3ª safra deve alcançar 692,8 mil toneladas, acréscimo de 4,3% frente à temporada anterior, segundo estimativas da Conab. Esse resultado é impulsionado principalmente pelo crescimento esperado para Goiás – maior estado produtor do grão na 3ª safra – de 5,8% em produção e de 7,6% em produtividade. Os principais estados produtores também ampliaram o cultivo, como Minas Gerais (+38,1%) e Mato Grosso (+0,5%), o que contribuiu para elevação da estimativa nacional.
Para a 3ª safra 2025/26, a expectativa de produção é de 176,5 mil toneladas, dessa forma, o ciclo deverá responder por 58,5% do total de feijão produzido no estado. Além disso, ao considerar o total das safras, Goiás é o segundo maior produtor nacional de feijão cores, com uma produção estimada em 266,1 mil toneladas.
Segundo o Monitoramento Semanal de Condições das Lavouras divulgado pela Conab, a colheita do feijão 3ª safra em Goiás avançou nas principais áreas produtoras. O predomínio de tempo seco proporcionou condições favoráveis às operações no campo e à qualidade dos grãos. Nas demais regiões, as lavouras encontram-se nos estádios de floração à maturação, com condições consideradas satisfatórias. As temperaturas amenas e a maior amplitude térmica têm favorecido o desenvolvimento da cultura irrigada, enquanto a baixa pressão de pragas e doenças tem reduzido a necessidade de aplicações preventivas de defensivos.
Em 2024, a cultura esteve presente em 91 municípios goianos, frente aos 81 municípios em 2023, crescimento de 12,3% na abrangência territorial. Cristalina lidera a produção e a área plantada em Goiás, responsável por 13,4% do total colhido no estado. Ademais, o município destaca-se como 6º maior produtor do Brasil. Entre os principais produtores, Água Fria de Goiás registrou o maior avanço na produção de feijão em 2024, de 86,8% frente ao ano anterior. Quanto à produtividade, Padre Bernardo apresentou o melhor desempenho do estado, de 3,1 t/ha, índice 23,2% acima da média estadual. Especificamente na 3ª safra, ressalta-se a relevância de Jussara, Luziânia e Paraúna, que ocupam 10ª, 12ª e 13ª posição no ranking nacional de produção, segundo o IBGE.

Valor da Produção – VBP
Quanto aos indicadores da atividade, o Valor Bruto da Produção (VBP) do feijão no Brasil está estimado em R$14,0 bilhões para 2026, acréscimo de 15,8% em relação ao ano anterior. Na mesma base de comparação, o VBP goiano deve crescer 36,1%, projetado em R$1,8 bilhão, valor que, se consolidado, deve representar o melhor desempenho desde 2022, conforme dados do MAPA.
Para Goiás, ao analisar a série histórica dos últimos cinco anos, o VBP do feijão alcançou patamar recorde, de R$1,9 bilhão em 2022. Nos três anos seguintes, observou-se recuo significativo, estimado em R$ 1,3 bilhão em 2025 – o menor valor do período analisado. Para 2026, a expectativa é de recuperação no indicador, que deve ser responsável por 13,2% do VBP nacional do feijão e assim, representar o 4º maior do país. Esse resultado pode ser atribuído, entre outros fatores, à valorização nos preços pagos ao produtor, em virtude da menor oferta no mercado doméstico, justificada pela redução na estimativa da safra do Paraná, um dos principais polos de produção do grão.

Cotações
No mercado nacional de feijão, a classificação por notas é um fator determinante para a formação de preços e para a dinâmica de comercialização. Os critérios são estabelecidos pela legislação vigente, principalmente pela Instrução Normativa nº 12/2008 do MAPA, que avalia características como o aspecto físico (uniformidade, baixa porcentagem de grãos quebrados e defeituosos), teor de impurezas, nível de umidade, entre outras variáveis determinantes para a classificação final.
Dessa forma, lotes classificados com nota 8 e 8,5 apresentam qualidade intermediária boa, o que resulta em cotações mais acessíveis e grande aceitação no varejo popular. Por outro lado, o feijão nota 9 ou superior e o peneira 12 atendem principalmente empacotadoras e redes que buscam um produto premium, o que justifica preços mais valorizados por saca. Essa diferenciação impacta diretamente nas cotações, uma vez que quanto maior a nota, maior é a valorização do lote, refletindo na renda do produtor e na precificação ao consumidor final.
Em 2025, as cotações do feijão mantiveram relativa estabilidade, com oscilações moderadas ao longo do ano. Entretanto, em 2026, os preços apresentaram expressiva valorização a partir de fevereiro, atingindo, em maio, a maior média mensal da série, de R$ 386,45/saca. O movimento refletiu a menor oferta no mercado. A partir de junho, com o avanço da colheita e consequentemente a maior disponibilidade do produto, as cotações apresentaram recuo. Em julho, o valor médio por saca foi de R$ 309,38/saca, declínio de 14,1% em relação ao mês anterior, porém ainda em patamares superiores aos registrados no mesmo período de 2025.

Mercado internacional
Ao analisar a série histórica do comércio exterior, de 2014 a 2017, as importações brasileiras de feijão superavam as exportações, resultando em uma balança comercial negativa. A partir de 2018, as vendas externas passaram a registrar trajetória de crescimento, com avanço também no número de países compradores. Paralelamente, as importações reduziram de forma consecutiva no período. Dessa forma, essa dinâmica contribuiu para o estabelecimento de um saldo positivo na balança comercial do setor.
Em 2025, o Brasil alcançou patamar histórico em valor, volume e número de parceiros comerciais. As exportações de feijão totalizaram 533,8 mil toneladas, US$443,7 milhões para 121 países. Goiás acompanhou o desempenho nacional e registrou recorde em volume exportado e o segundo melhor resultado da série histórica em valor, atrás apenas do faturamento obtido no ano de 2021. As transações goianas nesse período somaram US$15,5 milhões e 17,4 mil toneladas embarcadas para 15 destinos.
Já no primeiro semestre de 2026, para Goiás, o comércio exterior segue aquecido, com acréscimo de 10,4% no valor exportado e de 15,7% no volume, frente ao mesmo intervalo do ano anterior. Esse resultado pode ser atribuído, entre outros fatores, ao crescimento de 75,1% no volume adquirido pela Índia, principal parceiro comercial do estado nesse período.

Sanidade Vegetal
Em Goiás, a Agrodefesa coordena o Programa Estadual de Prevenção e Controle de Pragas para a Cultura do Feijoeiro Comum, com foco no controle da mosca-branca (Bemisia tabaci), responsável pela transmissão do vírus do mosaico dourado do feijoeiro (Bean golden mosaic virus – BGMV), uma das doenças de maior impacto para a cultura.
Entre as medidas fitossanitárias obrigatórias estão o cadastro das lavouras, a adoção do calendário de semeadura, estabelecido entre 21 de outubro e 30 de junho, o cumprimento do vazio sanitário anual, de 20 de setembro a 20 de outubro nos municípios definidos pela regulamentação estadual e a eliminação dos restos culturais. Em conjunto, essas ações contribuem para reduzir a pressão de pragas, minimizar a disseminação da doença e fortalecer a sustentabilidade da produção goiana.

Políticas Públicas
Em junho de 2026, como incentivo ao setor produtivo, o Estado instituiu por meio da Lei nº 24.363/2026, a redução da carga tributária do ICMS sobre as operações interestaduais com feijão in natura, diminuindo a alíquota efetiva de 6,06% para 2,4%. A medida foi fundamentada em estudos técnicos voltados ao fortalecimento do segmento em Goiás, com vigência prevista de 5 anos.
A iniciativa visa aumentar a competitividade da produção goiana, reduzindo a assimetria tributária em relação a outras unidades da Federação, ampliando o acesso a mercados e impulsionando a cadeia produtiva do feijão no estado.

Governo na palma da mão