DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / ABRIL 2025 (APICULTURA)

A produção mundial de mel é liderada pela China, seguida de Turquia, Irã e Argentina. Já o Brasil ocupa a 11° colocação no ranking mundial, com 51 mil toneladas produzidas, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, 2021). Além disso, o consumo per capita de mel é de 240g/ano na média mundial, quatro vezes maior que no Brasil (60g/ano).

No ano de 2023, a produção brasileira de mel alcançou a marca de 64,1 mil toneladas, enquanto Goiás produziu cerca de 402,2 toneladas. Considerando a série histórica, de 2015 a 2023, o crescimento foi de 69,5% para o Brasil e de 25,4% para Goiás. Já o valor de produção nacional atingiu R$908,0 milhões, redução de 7,6% em relação ao ano de 2022. Em contrapartida, para o estado goiano, houve aumento de 25,8%, atingindo R$12,3 milhões, de acordo com o IBGE. A variação observada na produção de mel no estado inclui diversos fatores, dentre eles estão a informalidade na atividade, cadeia produtiva ainda pouco estruturada aliada à insuficiente mão de obra dedicada ao setor.

No panorama internacional, em 2024 foram exportadas pelo Brasil 37,9 mil toneladas de mel natural, um crescimento de 32,8% em relação ao ano de 2023. Dentre os 66 destinos do mel brasileiro, destaca-se os Estados Unidos como o principal país importador, com aquisição de 29,9 mil toneladas, correspondente a 79,0% do volume total exportado. Além disso, o Canadá ultrapassou a Alemanha no ranking, com aumento de 120,6% no volume adquirido nesse período, quando comparado a 2023. Dessa forma, observa-se que as exportações brasileiras concentram-se na nação norte-americana e nos países europeus. Entretanto, há possibilidade de diversificação de mercados, com alto valor agregado, para os países árabes, já que o mel é um alimento intrínseco dessa cultura, como já registrado anteriormente com envios para Omã em 2023.

Desde a pandemia de Covid-19, a demanda por produtos naturais aumentou em razão dos benefícios promovidos à saúde, isso inclui a procura por mel e derivados. De acordo com a Federação Mineira de Apicultura (FEMAP), as vendas cresceram 30,0% desde o início da quarentena. Atualmente, a expectativa é de aumento no consumo doméstico em razão da ascensão de um mercado consumidor com hábitos alimentares mais saudáveis

DO CAMPO À MESA
IMPORTÂNCIA, QUALIDADE E INCENTIVO À PRODUÇÃO DE MEL EM GOIÁS

A produção do mel comercial (apicultura) ocorre por meio das abelhas do gênero Apis, espécie Apis mellifera, conhecida como abelha africanizada. Há também a produção de mel pelas abelhas nativas brasileiras, sem ferrão, pertencentes à tribo Meliponina, chamadas também de meliponíneos ou abelhas indígenas (meliponicultura). São catalogadas mais de 300 espécies distribuídas na América do Sul, América Central, Ásia, África, Nova Guiné e Austrália.

Para a produção de mel pelas abelhas nativas, as espécies mais utilizadas no Brasil são a Jataí, Uruçu-nordestina, Tiúba, Mandaçaia e Jandaíra. A composição do produto produzido pelas abelhas sem ferrão, difere do mel da Apis mellifera em textura, sabor, aroma e cor. Como o volume da produção é menor, trata-se de um produto raro, de alto valor agregado, utilizado na alta gastronomia e valorizado internacionalmente. Essas espécies ajudam a preservar a biodiversidade das florestas pelo importante trabalho de polinização que realizam, com uma produção sustentável, geram renda para as populações locais.

Assim como todo produto de origem animal, o mel precisa ser inspecionado pelo serviço oficial municipal, estadual ou federal. Para a comercialização internacional, é necessário o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) que certifica a qualidade sanitária do produto para a exportação.

Em relação à sanidade, Goiás possui o Programa Estadual de Sanidade das Abelhas (PESAb) que tem como objetivo fortalecer a cadeia produtiva apícola, por meio de ações de vigilância e defesa sanitária animal, contribuindo com ações preventivas às doenças que podem causar prejuízos na produção goiana. O produtor deve registrar seu apiário junto à Agrodefesa por meio do Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago), conforme prevê a Instrução Normativa (IN) nº 11/2018 e o Decreto Estadual n°5.652/2002. Em 2024, eram 153 apicultores com 10.547 colmeias cadastradas no sistema. Com o cadastro, o apicultor goiano poderá destinar sua produção às agroindústrias com a devida inspeção sanitária e posterior comercialização do mel e outros produtos apícolas. A padronização de procedimentos e critérios, que garantam a autenticidade e a origem dos méis, são de interesse mútuo dos produtores idôneos e do consumidor final.

As abelhas são essenciais para a polinização de inúmeras plantas e fundamentais para a produção de alimentos e manutenção da biodiversidade. Ao apoiar a criação de abelhas, há preservação de espécies nativas, contribuição direta para o aumento da polinização e, consequentemente, maior produtividade, além de oferecer uma alternativa sustentável de renda para produtores locais e a continuidade desse serviço ecológico indispensável.

Apesar da relação já conhecida de benefício mútuo entre a apicultura e produção agrícola, a redução de florestas nativas, além do uso indiscriminado de defensivos e agrotóxicos – que prejudicam o metabolismo das abelhas -, causam um déficit de polinização, gerando desafios para o setor e na preservação da espécie.

O fomento à apicultura e à meliponicultura em Goiás é fundamental em uma ação estratégica que visa promover a manutenção da biodiversidade, o equilíbrio entre a produção agrícola e a preservação da espécie no meio ambiente. A Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (SEAPA) tem investido no fortalecimento da produção de mel no estado com os projetos: Crédito Social (Lei Estadual 21.003/21) e Apicultura Social. O Crédito Social oferece cursos em várias áreas do agronegócio e um cartão-benefício de até R$5.000,00 para iniciar uma atividade ou impulsionar uma já existente. Dentre os produtores atendidos em 2024, estão os apicultores, que correspondem a 133 beneficiários, em 9 municípios goianos, em um total de R$657.645,00 investidos na atividade. Já o projeto Apicultura Social, que será lançado esse ano, irá impulsionar a cadeia produtiva por meio da entrega de equipamentos para pequenos produtores, com o objetivo de garantir a qualidade na extração e armazenamento do mel e assim, agregar valor ao produto goiano.

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