DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / JUNHO 2026 (SORGO)

Introduzido no Brasil no início do século XX, o sorgo destaca-se pela sua utilização na alimentação animal e adaptabilidade às condições climáticas adversas. As características eficientes de tolerância à seca e a diversas condições de solo, dentre outros fatores, contribuíram para o crescimento do cultivo no país ao longo das últimas décadas. Nesse contexto, a cultura vem ampliando sua relevância no agronegócio nacional, impulsionada pelo avanço da pecuária e pela busca por sistemas produtivos mais resilientes, o sorgo consolida-se como importante insumo para a cadeia de proteínas animais no Brasil.
Nesse sentido, o sorgo tem se consolidado como uma importante alternativa para o cultivo da 2ª safra. Em Goiás, o plantio concentra-se nos meses de fevereiro e março, já a colheita tem início em junho e se estende até agosto. Além da rusticidade, possui custo de produção inferior quando comparado ao milho. Na nutrição animal, o cereal pode ser utilizado tanto na produção de silagem quanto na formulação de rações. Paralelamente, a cultura também se mostra promissora em outros segmentos, como na produção de biocombustíveis. Nesse cenário, o sorgo reúne eficiência produtiva, versatilidade de uso e potencial de inserção em diferentes cadeias agroindustriais, garantindo assim uma opção sustentável para o produtor rural.
No panorama internacional, segundo estimativas do USDA, a produção global de sorgo na safra 2025/26 poderá alcançar aproximadamente 61,7 milhões de toneladas, recuo de 3,0% frente à temporada anterior. Nesse cenário, o Brasil é o terceiro maior produtor do cereal, o qual deve responder por 8,4% da produção mundial, atrás somente dos Estados Unidos e Nigéria. Em relação à área colhida, o país ocupa a 7ª colocação no ranking, o que demonstra a eficiência produtiva da atividade no território nacional. Quanto às exportações, o Brasil possui baixa participação, em razão da destinação do sorgo ser voltada majoritariamente ao abastecimento do mercado interno.

Safras
No Brasil, a produção e área colhida de sorgo devem alcançar patamar histórico na temporada 2025/26, de 7,5 milhões de toneladas em 2,0 milhões de hectares, segundo a Conab. O resultado é impulsionado principalmente pelo crescimento esperado para Goiás, de 59,9% em área e de 40,3% em produção, frente à safra anterior. Ademais, os principais estados produtores também ampliaram o cultivo do cereal, como Mato Grosso do Sul, Bahia e São Paulo, o que contribui para elevação da estimativa nacional (ver Mapa – Participação dos Principais Estados na Produção).
Ao considerar a série histórica da temporada 2016/17 até a 2025/26, Goiás quase triplicou a produção e área colhida no período. Já a produtividade média teve incremento de 0,4% nos últimos dez anos. Vale ressaltar que na safra 2024/25, o rendimento das lavouras registrou o maior valor da série histórica, de 4,0 t/ha, índice 7,1% superior à média nacional. Para a safra goiana 2025/26, a expectativa é de alcançar o maior valor da série histórica em produção e área colhida, de 2,2 milhões de toneladas em 631,1 mil hectares. No âmbito nacional, o estado segue como líder na produção de sorgo, responsável por 29,3% do volume total estimado para o país no atual ciclo.
Em Goiás, a atividade está presente em 128 municípios, com a produção concentrada na região sul do estado e no entorno do Distrito Federal, segundo o IBGE. Nesse contexto, Cristalina e Rio Verde destacam-se como os maiores produtores de sorgo do Brasil e juntos são responsáveis por 28,3% da produção total colhida no estado em 2024. Quanto ao avanço da cultura, Montividiu foi o município que apresentou o maior crescimento em produção, com uma colheita quase 14 vezes maior, saltou de 3,6 mil toneladas em 2023 para 49,5 mil toneladas em 2024. Em relação ao rendimento médio, Itapaci possui o maior índice do estado, de 4,0 t/ha, em seguida na classificação estão Rio Verde e Flores de Goiás, com 3,8 t/ha. Ademais, de acordo com os dados do IBGE, novos municípios passaram a registrar produção de sorgo em 2024, como São Domingos, Matrinchã, São Miguel do Araguaia, Aporé, Mundo Novo, dentre outros, o que sinaliza a expansão da cultura em Goiás.

Cotações
As cotações do sorgo, principal substituto do milho na alimentação animal, mantêm forte correlação com o mercado desse cereal. Dessa forma, os preços do grão tendem a acompanhar as oscilações observadas no milho, influenciadas por fatores como oferta, demanda, custos e logística. Em termos de comercialização, o sorgo geralmente apresenta deságio em relação ao milho, variando entre 65% e 90% do seu valor.
Em Goiás, essa variação entre as culturas pode ser constatada ao analisar os custos de produção divulgados pela Conab, para o município de Rio Verde. Em 2025, o custo de produção do sorgo foi estimado em R$ 4.117,77/ha, valor 28,1% inferior ao do milho 2ª safra, cujo custo alcançou R$ 5.729,50/ha*. Esses fatores reforçam a competitividade do sorgo, tanto como alternativa para a formulação de rações quanto para sistemas produtivos de menor custo.

Mercado internacional
Em 2025, as exportações goianas de sorgo concentraram-se no mês de junho e envolveram especificamente o grão para semeadura, destinado à Argentina. Já no acumulado de janeiro a abril de 2026, as exportações totalizaram 41,8 toneladas no valor de US$ 201,8 mil, com envios para Paraguai, Bolívia, Estados Unidos e Hungria.
Apesar da relevância na produção, a participação goiana nas exportações brasileiras ainda não possui grande expressividade. Esse cenário pode ser atribuído, entre outros fatores, à destinação do cereal para abastecimento do mercado interno. No estado, no ano de 2025, Formosa foi o único município exportador de sorgo. Já no acumulado de 2026, além de Formosa, Acreúna e Palmeiras de Goiás também passaram a realizar exportações do grão.

Tendência e Oportunidades
No segmento de bioenergia, o sorgo apresenta potencial crescente como matéria-prima para a produção de etanol. Em Goiás, predomina-se o cultivo de sorgo granífero, responsável pela posição do estado como líder nacional em produção. Todavia, para a fabricação de etanol, o sorgo sacarino destaca-se em virtude da alta concentração de açúcares e do ciclo produtivo curto, o que favorece o abastecimento das destilarias no período da entressafra da cana-de-açúcar. Ademais, outro fator favorável do sorgo sacarino é a possibilidade de aproveitamento dos equipamentos já utilizados nos canaviais para mecanização da colheita.
Paralelamente, a expansão da produção de etanol a partir de grãos contribui para a oferta de coprodutos, como os DDGs (Distillers Dried Grains – grãos secos de destilaria), utilizados na nutrição animal devido ao elevado teor proteico e energético. Esse cenário amplia as oportunidades para o sorgo no agronegócio brasileiro e goiano, ao integrar as cadeias de biocombustíveis e proteínas animais, agregando valor à produção e favorecendo sistemas mais sustentáveis e eficientes.

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