SUÍNOS – AGRO EM DADOS / MAIO 2026

Em 2025, Goiás registrou recorde no abate de suínos, com 7,4 milhões de cabeças abatidas. O rendimento por carcaça atingiu também o melhor resultado da série histórica do estado, de 97,7 kg/animal, além de se destacar como o maior índice do país, o que reflete os avanços estruturais da atividade no estado. Esse desempenho está associado à evolução genética e à melhoria dos índices zootécnicos, que elevam a eficiência produtiva. Além disso, o aperfeiçoamento do manejo, da nutrição e das condições sanitárias, são fatores que contribuem para maior peso ao abate e melhor aproveitamento da carcaça.
O consumo de carne suína no Brasil tem apresentado trajetória de crescimento, em 2020 foi de 16,0 kg/hab e atingiu 18,6 kg/hab em 2024, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Esse avanço está associado, entre outros fatores, à desmistificação do consumo da proteína, além da competitividade frente às demais carnes concorrentes. Contudo, no mercado interno, a demanda permanece enfraquecida em 2026, pressionando as cotações de forma negativa em abril, com variação mensal de 10,5% em relação a março para a carcaça suína especial. Esse cenário reflete-se no Valor Bruto da Produção (VBP) esperado para 2026, que apresenta retração tanto no Brasil quanto em Goiás, com destaque para a queda mais acentuada no estado, de 15,3% em relação a 2025, configurando o menor nível desde 2024.
Paralelamente, o consumo mundial de carne suína tem avançado desde 2024, o que requer uma maior disponibilidade no mercado internacional. Entretanto, esse cenário ocorre em meio a desafios sanitários relevantes, como os registros de Peste Suína Africana (PSA) na Europa ao longo de 2026, especialmente na Espanha, importante produtora e exportadora da proteína. A ocorrência da doença compromete parte da produção local e reduz a oferta de carne suína no mercado europeu, o que abre espaço para fornecedores externos. Nesse contexto, o Brasil tende a se beneficiar, tanto pelo aumento da demanda internacional quanto pelo fortalecimento do reconhecimento da qualidade e da competitividade da proteína animal brasileira no comércio global.
Quanto às exportações, de janeiro a março de 2026, o valor e o volume exportado de carne suína cresceram no Brasil e em Goiás, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço em ambos os indicadores, o preço médio por tonelada apresentou recuo no trimestre, de 0,4% para o Brasil e de 6,4% para Goiás. No contexto regional, esse cenário pode ser atribuído à redução dos valores pagos por importantes parceiros do estado, como Angola, Geórgia e Hong Kong.

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