DESTAQUE DO MÊS – AGRO EM DADOS / JULHO2026 (CITRUS)

A citricultura corresponde ao cultivo, manejo, produção e comercialização de frutas cítricas, com destaque para a laranja, a tangerina e o limão. Trata-se de um importante segmento do agronegócio, responsável pelo abastecimento do mercado in natura e pelo fornecimento de matéria-prima para a indústria de processamento, especialmente para a produção de sucos, óleos essenciais e outros derivados.
Em Goiás, embora a produção seja menos expressiva quando comparada aos principais polos nacionais de cultivo, a atividade vem ganhando espaço no estado devido às condições edafoclimáticas favoráveis. Além disso, o avanço do greening tem impulsionado a expansão para áreas fora do cinturão citrícola brasileiro (São Paulo e Triângulo Mineiro), criando oportunidades para outras regiões do país.

Sanidade Vegetal
A sanidade vegetal é um dos pilares para a sustentabilidade e a competitividade da citricultura, uma vez que a ocorrência de pragas e doenças pode comprometer a produtividade, a qualidade dos frutos e a longevidade dos pomares. No decorrer dos anos, o setor citrícola brasileiro incorporou importantes avanços para fortalecer a sanidade da cadeia produtiva. Um exemplo marcante foi a mudança no sistema de produção de mudas cítricas, que passou a ser realizada em ambientes protegidos, com o objetivo de reduzir a disseminação de enfermidades como o cancro cítrico, clorose variegada dos citros (CVC), greening (HLB) e gomose (Phytophthora).
O cultivo em estruturas teladas reduz a exposição das mudas a fatores climáticos e aumenta a resistência das plantas. Nesse contexto, a Instrução Normativa Federal nº 1.326/2025 determina que a produção ocorra exclusivamente em viveiros protegidos por tela antiafídica. Em Goiás, a Instrução Normativa da Agrodefesa nº 8/2003 estabeleceu que, desde maio de 2006, fica proibido o plantio, comércio e transporte de material propagativo de citros produzido em viveiro a “céu aberto”, permitindo apenas a produção de mudas sob telado, com malha mais restritiva que a exigida pela legislação federal. Essa medida elevou o padrão fitossanitário e contribuiu significativamente para a maior segurança da produção.
Entre as doenças de maior relevância econômica para a atividade, destaca-se o greening (huanglongbing – HLB). Considerado a principal doença da citricultura mundial, é causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp. e transmitida pelo inseto psilídeo (Diaphorina citri). O termo, originado do inglês, significa “esverdear” e recebe este nome porque os frutos das plantas doentes apresentam maturação irregular, afetando laranjeiras, tangerineiras e limoeiros. A doença não possui cura e provoca redução da produtividade, queda prematura dos frutos, alterações na qualidade e enfraquecimento gradual das plantas, o que pode comprometer a viabilidade dos cultivos.
Como reforço às medidas de defesa sanitária, a Agrodefesa publicou, em maio de 2026, a Instrução Normativa nº 1/2026, que institui o Programa Estadual de Prevenção e Controle Complementar ao Huanglongbing (PECHLB). A normativa fortalece o enfrentamento ao HLB ao ampliar medidas preventivas voltadas à redução dos riscos de introdução e disseminação da doença nos pomares goianos.
Dessa forma, a prevenção ao HLB e às outras doenças é essencial para o desempenho da citricultura. Em Goiás, a Agrodefesa* possui cadastro de 533 citricultores em 562 propriedades rurais. Nesse contexto, por meio do Programa Estadual de Citros, a Agência realiza ações de vigilância, monitoramento fitossanitário, fiscalização do trânsito vegetal, inspeções nos viveiros produtores e revendedores de mudas cítricas, a fim de prevenir a introdução e a disseminação de pragas e doenças.

*Dados 2025/2026

O Brasil é o maior produtor de laranja do mundo e líder global no mercado de suco de laranja, com participação de 76,4% na produção e 76,5% nas exportações mundiais, segundo o USDA. Em 2025, Estados Unidos, Bélgica, Países Baixos, China e Japão destacaram-se entre os principais destinos das exportações brasileiras de suco de laranja. Esse contexto reforça o protagonismo e o papel estratégico do país no abastecimento mundial.

Safras
Ao considerar a série histórica dos últimos dez anos, em Goiás, a produção de laranja cresceu 36,7% enquanto a área colhida avançou 50,4% no período. Já a produtividade média oscilou entre 20,2 t/ha e 23,8 t/ha, segundo dados do IBGE. Para a safra goiana 2026, a expectativa é de uma colheita recorde de 199,7 mil toneladas, incremento de 9,8% frente à temporada anterior. Em contraste com a retração projetada para a safra brasileira, Goiás apresenta estimativas de crescimento para a área cultivada, a produção e a produtividade. Esse cenário demonstra a expansão da atividade para áreas fora do cinturão citrícola nacional (ver Mapa – Participação dos Principais Estados na Produção).
No âmbito regional, em 2024, a produção de laranja esteve presente em 51 municípios goianos, segundo dados do IBGE. Itaberaí liderou a safra estadual, com 38,7 mil toneladas, foi responsável por 20,6% do volume total colhido em Goiás. Em relação a produtividade, Pontalina destaca-se com a maior média do estado, com 30,0 t/ha. Dentre os principais produtores, Hidrolândia obteve um aumento de 50,9% na produção de laranja, o maior crescimento registrado na atividade frente ao ano anterior. Esse resultado contribuiu para posicionar o município como segundo maior produtor estadual, com 28,0 mil toneladas colhidas em 2024 (ver Goiás: Destaques Municipais na Produção de Laranja – 2024).

Valor Bruto de Produção – VBP
Quanto aos indicadores da atividade, para 2026, o Valor Bruto da Produção (VBP) da laranja em Goiás está projetado em R$268,1 milhões, o que deve representar o terceiro melhor desempenho dos últimos dez anos, de acordo com dados do MAPA. Ao analisar a série histórica, no ano de 2024, o VBP goiano foi recorde, no qual alcançou a marca de R$513,4 milhões. Esse resultado pode ser atribuído à forte valorização dos preços da laranja no mercado nacional e internacional, em decorrência da oferta reduzida no cinturão citrícola brasileiro (São Paulo e Triângulo Mineiro), provocado por condições climáticas adversas e impactos fitossanitários, como o avanço do greening. Ademais, nesse período, os estoques nacionais de suco encontravam-se em níveis historicamente baixos, elevando a demanda industrial pela fruta. Diante desse cenário, os preços pagos ao produtor alcançaram patamares recordes.
Em 2025, para Goiás, o indicador apresentou recuo para R$396,0 milhões, já a estimativa para 2026 indica nova redução. Esse movimento sugere um processo de acomodação após o pico observado em 2024, associado à expectativa de normalização gradual da oferta, redução da pressão sobre os preços e ajuste do mercado após o período de escassez, com retorno a patamares mais próximos do comportamento estrutural da atividade, após um período atípico de elevada valorização.

Cotações
De acordo com a série histórica de preços da laranja pêra, em 2026 as cotações apresentaram valores inferiores aos registrados em 2024 e 2025. Após o período de forte valorização da fruta em 2024, quando a média anual atingiu R$99,69/caixa*, o mercado passou por uma fase de ajuste, com recuo para níveis próximos de R$35,00 a R$45,00/caixa ao longo do primeiro semestre de 2026. Esse comportamento pode ser atribuído, dentre outros fatores, à recuperação da oferta, em virtude das condições climáticas mais favoráveis que proporcionaram uma boa produtividade para a safra atual.
Todavia, esse contexto traz um ponto de alerta para o citricultor. Segundo o Hortifruti/Cepea, a recomposição dos estoques de suco, aliada aos custos de produção em alta e avanço do greening no campo, contribui para pressão sobre as margens da atividade.

Mercado internacional
No comércio exterior, o Brasil alcançou recorde em valor exportado de suco de laranja no ano de 2024, reflexo do contexto de baixa oferta mundial do produto. Já em 2025, o faturamento com as exportações totalizaram US$3,1 bilhões, o que representou o segundo melhor resultado da série histórica para o país.
De janeiro a maio de 2026, as transações brasileiras de suco de laranja registraram acréscimo de 12,1% em volume embarcado frente ao ano anterior. Apesar desse crescimento, nesse período houve queda de 37,8% no valor exportado, o que refletiu em um recuo no valor por tonelada. Esse cenário pode ser justificado pelo reajuste esperado do mercado frente a recomposição da oferta de laranja.
No âmbito regional, o estado de Goiás não exporta suco de laranja. Essa ausência no comércio internacional, pode ser atribuída, entre outros fatores, à destinação da produção para o abastecimento do mercado interno, à limitada presença de indústrias voltadas ao processamento da fruta e ao menor grau de consolidação histórica da citricultura na estrutura produtiva estadual.
Entretanto, considerando a relevância do Brasil na produção e exportação mundial de suco de laranja, o avanço da produção citrícola em Goiás pode representar oportunidades para o fortalecimento da cadeia produtiva. Dessa forma, esse crescimento também pode contribuir para a ampliação da capacidade de processamento local, condicionadas à evolução dos investimentos, à estrutura industrial e à dinâmica de mercado. Ademais, o avanço do greening nas principais regiões do cinturão citrícola brasileiro tem incentivado a busca por novas áreas para implantação de pomares, contexto no qual o estado goiano tem se inserido como uma alternativa para expansão da atividade.

Conhecida em diferentes regiões do país como mexerica ou bergamota, a tangerina é uma das frutas cítricas mais apreciadas pelos consumidores brasileiros. Caracterizada pelo sabor adocicado, aroma marcante e facilidade de consumo, a fruta tem ampliado sua presença no mercado de frutas frescas e conquistado diferentes perfis de consumidores.

Safras
De acordo com o IBGE, a atividade está presente em 29 municípios goianos, localizados majoritariamente no centro do estado. Diferentemente do observado para as culturas da laranja e do limão, a liderança na produção de tangerina é ocupada por Anápolis. O município colheu 5,4 mil toneladas da fruta em uma área de 220,0 hectares, o que correspondeu a 19,6% do total produzido por Goiás no ano de 2024. Em relação à produtividade, Jaraguá destaca-se com o maior rendimento médio estadual, de 40,0 t/ha. Já entre os principais produtores, Alexânia registrou o maior avanço na atividade frente ao ano anterior, com crescimento de 15,5% na produção da fruta.
Ao analisar o valor da produção da tangerina em Goiás entre 2020 e 2024, observa-se crescimento de 38,1%, conforme dados do IBGE. No mesmo intervalo, a produção estadual apresentou incremento de apenas 7,9%, o que demonstra que a expansão da oferta teve influência limitada sobre esse resultado. Dessa forma, o avanço no indicador pode ser atribuído, entre outras variáveis, à valorização dos preços pagos ao produtor. Em 2024, o valor da produção no estado alcançou R$60,0 milhões, aumento de 60,9% frente ao ano anterior, enquanto o volume produzido cresceu 10,5% no período. Já a média anual de preços da Tangerina Ponkan*, apuradas pelo Hortifruti/Cepea, alcançou R$65,13/caixa, acréscimo de 16,1% em relação a 2023, o que contribui para justificar o crescimento do indicador.

Cotações
Embora as cotações da tangerina tenham acumulado valorização dos últimos 5 anos, o comportamento mais recente é de retração. Em junho, o preço médio foi R$ 37,55/caixa*, recuo de 11,0% em relação ao mês anterior. Segundo o Hortifruti/Cepea, esse movimento pode ser explicado pela maior oferta da fruta decorrente do avanço da colheita, o que reduz os valores praticados no mercado.

Mercado Internacional
Embora a produção brasileira de tangerina seja predominantemente voltada para abastecimento do mercado interno, o Brasil também envia o fruto para o exterior. No acumulado de janeiro a maio de 2026, o país registrou aumento no valor, volume exportado e número de destinos. As transações totalizaram US$137,3 milhões em 83,9 toneladas para 54 destinos, aumento de 41,9% no faturamento, 91,0% em volume e expansão para mais 4 países quando comparado com o mesmo período do ano anterior.
Em contraste com o cenário nacional, Goiás não realiza exportações de tangerina desde 2022. Todavia, considerando o potencial produtivo do estado, a internacionalização de parte do volume produzido pode indicar uma oportunidade de crescimento para o setor, ao diversificar os canais de comercialização e assim agregar valor à cadeia.

*Tangerina Ponkan – Árvore – Mercado; Região de Limeira/SP; caixa de 27kg média de preços considerando os meses de colheita da tangerina

A lima ácida, popularmente conhecida como “Limão Tahiti”, recebeu essa denominação por ter sido introduzida na Califórnia a partir da ilha de Tahiti entre 1850 e 1880. Originária da Ásia e pertencente à família Rutaceae, a espécie foi introduzida no Brasil no século XVI, onde encontrou condições favoráveis de solo e clima para seu desenvolvimento, o que permitiu sua ampla adaptação aos diferentes ambientes de produção do país. Nesse contexto, a cultura destaca-se como um importante produto da fruticultura brasileira e tem registrado expansão do consumo, tanto in natura, quanto na indústria de bebidas e alimentos.

Safras
Em Goiás, a produção de limão está distribuída em 17 municípios, segundo dados do IBGE. Além do destaque na produção de laranja, Itaberaí é o maior produtor de limão do estado, responsável por 31,1% do volume colhido em território goiano em 2024. Em seguida, na classificação estão Abadia de Goiás e Hidrolândia, responsáveis por 16,3% e 14,9% da produção estadual, respectivamente. Ademais, Hidrolândia destaca-se com a maior produtividade do estado, com 24,0 t/ha. Entre os principais municípios produtores, Senador Canedo apresentou a maior evolução no rendimento médio das lavouras. Em comparação com o ano anterior, o indicador avançou 23,6%, alcançando 18,5 t/ha.
O valor da produção resulta da combinação entre o volume produzido e os preços recebidos pelos produtores, o que evidencia o desempenho econômico da cadeia. De acordo com o IBGE, para Goiás, no período entre 2020 e 2024, houve aumento de 90,1% no indicador. Além disso, nesse intervalo, a área colhida cresceu 74,0%, enquanto a produção avançou 87,8% e a produtividade teve incremento de 7,9%, o que demonstra a expansão e o fortalecimento da cultura no estado.

Cotações
No cenário doméstico, as cotações da lima ácida Tahiti* mantiveram-se estáveis no primeiro semestre de 2026, indicando um mercado equilibrado. Contudo, a partir do mês de abril, os preços registraram trajetória de valorização, alcançando média mensal de R$ 28,21/caixa em junho.
Segundo o Hortifruti/Cepea, esse movimento é característico do período de entressafra paulista. Em 2026, as condições climáticas no estado de São Paulo intensificaram esse comportamento, uma vez que comprometeram o tamanho e a coloração das limas. Nesse contexto, produtores retardaram a colheita a fim de negociar a safra com preços mais atrativos, o que resultou em frutos muito maduros, com baixo potencial de comercialização. Esses fatores associados contribuíram ainda mais para a redução da oferta e, consequentemente, para o aumento dos preços.

Mercado Internacional
No comércio exterior, em 2025, o Brasil alcançou marca histórica em número de destinos, valor e volume exportado de limões e limas, desempenho que contribuiu para registrar recorde também na balança comercial do setor. Nesse período, as transações totalizaram US$199,4 milhões em 203,7 mil toneladas embarcadas para 101 países. No acumulado de janeiro a maio de 2026, as exportações brasileiras seguem em ritmo aquecido, com destaque para o incremento no valor exportado para os principais destinos, Países Baixos (+8,6%), Reino Unido (+2,6%) e Rússia (+31,1%**).
Para Goiás, ao analisar a série histórica do comércio exterior, as exportações apresentaram comportamento irregular, com embarques concentrados em poucos meses do ano. Em 2025, as vendas externas ocorreram somente nos meses de junho e outubro, com uma receita de US$39,5 mil. Já no ano de 2026, as transações foram registradas em março, abril e maio, na qual totalizaram US$311,9 mil e tiveram como destino os Países Baixos e o Reino Unido.
Apesar da presença goiana no comércio exterior, em relação às demais unidades da federação, Goiás ainda não possui grande representatividade. Em virtude do contexto histórico e geográfico, os estados de São Paulo e Bahia, por exemplo, destacam-se na produção e nas exportações. Todavia, há potencial para ampliação da participação goiana nesse mercado, mediante a consolidação da atividade no estado, com expansão da citricultura para novos municípios, além da diversificação de destinos das exportações.

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