SOJA – AGRO EM DADOS / ABRIL 2026

De acordo com a Conab, para o Brasil, na semana de 22 a 28 de março, 74,3% da área já havia sido colhida e 16,9% encontrava-se na na fase de maturação do grão. Para Goiás, a colheita atingiu 89,0% da área e manteve ritmo semelhante ao mesmo período do ano anterior e a média dos cinco anos. Segundo a Companhia, esse cenário pode ser atribuído ao regime de chuvas, que limitaram o avanço da colheita em algumas regiões do estado. Quanto ao mercado interno, em março, o Indicador da Soja Paranaguá Cepea/Esalq apresentou leve alta, de 2,4% no comparativo mensal. Os preços da soja têm apresentado volatilidade, em função, entre outras variáveis, da instabilidade geopolítica mundial, que influencia as cotações de todo o complexo soja.
O óleo de soja apresentou forte valorização em escala global, influenciado por um conjunto de fatores, entre os quais se destaca a alta do petróleo decorrente das atuais tensões no Oriente Médio. Esse cenário elevou a competitividade dos biocombustíveis, já que o óleo de soja é a principal matéria-prima utilizada na produção de biodiesel, alternativa aos combustíveis fósseis. Desde 28 de fevereiro, os contratos futuros de petróleo BRENT* acumulam altas, que mantêm o petróleo acima de US$ 100,00/barril**. Assim, esse contexto de alta contribuiu para fortalecer a demanda por óleo de soja e sustentar suas cotações no mercado internacional.
Esse movimento melhora a margem de esmagamento (indicador de rentabilidade industrial, resultado da diferença entre o custo da soja em grão e a receita da venda dos derivados), o que, por sua vez, impulsiona também o farelo e sustenta os preços da soja em grão, mesmo em um contexto de oferta global elevada. Em fevereiro, o contrato de óleo de soja registrou a maior média desde setembro de 2023 de US$ 1.271,01/t, alta de 11,5% em relação ao mês anterior. No mesmo período, o farelo de soja também foi sustentado pela demanda global, com média de US$ US$ 334,70/t na Bolsa de Chicago (CBOT), avanço mensal de 4,1%.
Para o Brasil, essa dinâmica é particularmente relevante, dado que o país é o maior exportador mundial de soja e seus derivados. Nesse âmbito, nos dois primeiros meses do ano, as exportações brasileiras e goianas de farelo de soja alcançaram o maior volume exportado para um primeiro bimestre, de 3,5 milhões e 352,9 mil toneladas, respectivamente. Assim, observa-se que movimentos no mercado de energia, como o registrado em março de 2026, não apenas impactam os produtos do complexo soja, mas também reforçam o desempenho do setor exportador brasileiro e goiano, que contribuem para a crescente integração entre os mercados de energia e de commodities agrícolas.

*Brent é uma classe de petróleo bruto que é uma referência para o preço internacional de diferentes tipos de petróleo.
**Um barril corresponde a aproximadamente 159 litros.

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