A primeira linha férrea brasileira tinha apenas 14 km e foi inaugurada em 30 de abril de 1854, no Rio de Janeiro, pelo imperador D. Pedro II. A locomotiva que marcou esse início foi a Baroneza, primeira a vapor a circular comercialmente no Brasil.
Com o tempo, a malha ferroviária foi se expandindo pelo país. Em 1909, os trilhos chegaram de Minas Gerais até Goiás, impulsionando a migração, o comércio e o processo de urbanização.
Em Pires do Rio, a modernidade chegou em 1922, com a inauguração da Estação Ferroviária. Ao redor dela nasceu um novo povoado, em um local que já era ponto de tropeiros. Os primeiros moradores foram fazendeiros da região e famílias vindas de povoados vizinhos, como Roncador Antigo, que perdeu importância econômica ao deixar de ser ponta de linha. Logo chegaram também migrantes de outros estados e até imigrantes, como famílias sírias que se destacaram no comércio local.
Na década de 1940, a expansão da ferrovia trouxe a necessidade de construir um Galpão Oficina para manutenção dos trens, atraindo ainda mais moradores para o jovem município. Assim, a história do prédio onde hoje funciona o Museu Ferroviário de Pires do Rio se entrelaça com a própria história da cidade.
Com o fortalecimento da ferrovia, Pires do Rio teve papel essencial décadas depois na construção de Brasília. Os trens que partiam da cidade transportavam materiais, equipamentos e trabalhadores, e o Galpão Oficina era ponto estratégico para reparos e manutenção, garantindo o funcionamento das composições que abasteciam o canteiro de obras da nova capital do país.
GALPÃO OFICINA
Construído na década de 1940, o edifício mantém até hoje suas características originais: paredes de tijolos com ligamento de barro, cobertura de telha francesa e platibanda escalonada. Não possuía portas nem janelas para dispersar a fumaça das locomotivas. O piso foi feito em dois níveis: parte em cimento e parte em chão batido com brita.
Durante décadas, o galpão foi o coração da atividade ferroviária na cidade, contribuindo para o crescimento econômico e social de Pires do Rio, de Goiás e de todo o Centro-Oeste. Com a modernização dos transportes, a oficina foi desativada, mas seu valor histórico e cultural permaneceu.
Em 1987, quando a Rede Ferroviária Federal S/A decidiu demolir o prédio, o professor Jacy Siqueira e outras personalidades da cultura goiana se mobilizaram para transformá-lo em um museu, preservando a memória ferroviária e a identidade local. No ano seguinte, o espaço foi tombado como patrimônio histórico municipal, e em 1998 recebeu também o tombamento estadual.
O acervo do Museu Ferroviário começou a ser formado exclusivamente por doações. Para coordenar esse trabalho, foi indicada a professora Ercy Rocha Saud, atuante na área cultural de Pires do Rio, que permaneceu na direção do museu desde a fundação até seu falecimento, em 2011.