De fabricação estadunidense, a locomotiva Mafra 2 foi doada à cidade de Pires do Rio pelo Exército Brasileiro em 25 de março de 1980. Inicialmente, ficou exposta na Praça José Cury Nasser e logo se tornou um símbolo da memória ferroviária local.
Quando o Batalhão Mauá, que era o proprietário original da locomotiva, deixou Pires do Rio, surgiu uma grande polêmica: o Exército queria levá-la de volta para Araguari (MG). A notícia mobilizou a população. Vereadores, lideranças políticas e moradores se uniram para defender a permanência da “Maria-Fumaça” na cidade. Pessoas chegaram a subir na locomotiva, chamando a imprensa e transformando o episódio em um marco da luta popular em defesa do patrimônio histórico piresino.
O Exército chegou a propor uma troca: levaria a Mafra 2 de volta e, em contrapartida, enviaria a locomotiva Paraguaçu, que havia operado no trecho entre Pires do Rio e Brasília. Mas a comunidade não aceitou o risco de perder aquele bem já incorporado à memória local.
Graças à mobilização popular, a Mafra 2 foi tombada pelo município e, posteriormente, pelo Governo de Goiás. Hoje, é patrimônio histórico protegido e não pode mais deixar a cidade de Pires do Rio.