10º Seminário da Rede Goiana de Ouvidorias debate como transformar manifestações em valor público

Evento reuniu ouvidores e especialistas para discutir acolhimento e uso de informações estratégicas no aprimoramento da gestão pública

Com o objetivo de reunir representantes das ouvidorias que integram a Rede Goiana de Ouvidorias, a Controladoria-Geral do Estado de Goiás (CGE-GO), atual coordenadora da Rede, promoveu, na manhã desta quinta-feira (15), o 10º Seminário da Rede Goiana de Ouvidorias. O encontro foi realizado no auditório do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), em Goiânia.

Atualmente, a Rede Goiana de Ouvidorias reúne 47 instituições dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de órgãos de controle, prefeituras e universidades. Nesta décima edição, os debates destacaram a importância das Ouvidorias tanto no acolhimento da população, quanto na produção de informações capazes de subsidiar decisões e contribuir para o aperfeiçoamento dos serviços públicos.

Na abertura do evento, o secretário-chefe da CGE-GO, Antônio Flávio de Oliveira, ressaltou que a atuação das Ouvidorias vai além do atendimento às manifestações e constitui um instrumento de participação e controle social. Segundo ele, esses canais possibilitam que a população contribua para as decisões da administração pública, deixando de ocupar apenas a posição de destinatária das políticas públicas para atuar ativamente na sua construção.

“Temos um propósito em comum de aproximar o cidadão dos serviços públicos. Nosso trabalho vai muito além do recebimento de manifestações e as ouvidorias ocupam um papel estratégico na gestão pública, contribuindo para gerar resultados e aprimorar os serviços oferecidos à população. Por isso, atuamos de forma integrada na Rede Goiana de Ouvidorias, com o objetivo de alcançar 100% dos municípios goianos”, concluiu.

A coordenadora da Ouvidoria do TCE-GO, Rafaella Queiroz de Carvalho, também destacou a importância de transformar a escuta do cidadão em ações concretas. Para ela, as manifestações recebidas pelas Ouvidorias devem servir de subsídio para identificar as demandas da sociedade e orientar melhorias na atuação governamental.

A abertura contou ainda com a presença da chefe de gabinete da CGE-GO, Alessandra Paz Esteves; do coordenador da Rede Goiana de Ouvidorias e subcontrolador de Governo Aberto e Ouvidoria-Geral da CGE-GO, Weyk Wagne Barbosa Gomes; e do secretário-executivo da Rede e superintendente de Governo Aberto e Participação Cidadã da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra), Danilo Carvalho.

Ouvidoria da Mulher

A primeira roda de conversa abordou o tema “Ouvidoria da Mulher Servidora: escuta que acolhe, protege e transforma”, reunindo ouvidoras de diferentes instituições para discutir o acolhimento de mulheres, a prevenção ao assédio e a atuação das ouvidorias na orientação e na proteção.

A desembargadora e ouvidora da Mulher do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18), Kathia Maria Bomtempo de Albuquerque, abordou a experiência do tribunal na criação de uma Ouvidoria especializada e a importância de oferecer atendimento humanizado às mulheres que procuram o serviço.

“Quando atuamos na Ouvidoria, não basta apenas escutar. É preciso ir além, acolher, ouvir sem julgamentos e ajudar aquela mulher que necessita de amparo”, ressaltou. A desembargadora também diferenciou o papel da Ouvidoria daquele desempenhado pelas unidades de correição, destacando sua função de acolhimento e orientação.

Na sequência, a ouvidora da Mulher Servidora do Estado de Goiás, Fernanda Marra, apresentou a atuação do canal especializado da CGE-GO no atendimento às servidoras estaduais. Ela enfatizou a oferta de orientação às mulheres que enfrentam situações de assédio moral e sexual no ambiente de trabalho e precisam de apoio para registrar manifestações e compreender os procedimentos disponíveis.

“Estamos aqui para orientar e ajudar as mulheres a realizarem denúncias e a entenderem como proceder nos casos de assédio moral e sexual no ambiente de trabalho que envolvam vínculos com o Estado”, afirmou.

A terceira palestrante foi a ouvidora-geral externa da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), Ângela Cristina dos Santos Ferreira, que apresentou iniciativas desenvolvidas pela instituição para prevenir o assédio moral no ambiente de trabalho. Entre as ações mencionadas, destacou uma campanha de conscientização que levou aos computadores dos servidores mensagens relacionadas a situações de assédio moral identificadas a partir das manifestações recebidas pela Ouvidoria nos dois anos anteriores.

A iniciativa buscou estimular a reflexão dos profissionais sobre comportamentos inadequados no ambiente de trabalho e ampliar a conscientização sobre o tema. Ângela também comentou sobre o papel da Ouvidoria como porta de entrada para o acesso a direitos, o registro de manifestações e a busca por serviços públicos de melhor qualidade.

Ao encerrar o debate, a mediadora Rafaella Queiroz agradeceu as contribuições das palestrantes e manifestou interesse em discutir a implantação de uma Ouvidoria da Mulher no TCE-GO. Segundo ela, já existem tratativas com o presidente do Tribunal, conselheiro Helder Valin, para avaliar a possibilidade.

Ouvidoria como inteligência para a gestão

A segunda roda de conversa discutiu o tema “Ouvidoria como inteligência para a gestão: ferramentas e relatórios gerenciais”, com foco no uso de dados e informações das manifestações para subsidiar decisões, identificar problemas e aprimorar os serviços públicos.

A mediadora do painel, Stella Márcia Oliveira Modes Lino, superintendente de Transparência, Ouvidoria e Conduta da Saneago, ressaltou que a atuação das Ouvidorias não se limita ao acolhimento das demandas da população, podendo também contribuir para a identificação de soluções pela gestão. Ela destacou que os dados reunidos a partir das manifestações permitem reconhecer problemas e orientar providências para solucioná-los.

A ouvidora-geral da Prefeitura de Senador Canedo, Rafaela Brugger Bastos, abordou o uso da inteligência artificial (IA) como ferramenta de apoio às atividades de ouvidoria. Segundo ela, a tecnologia pode contribuir para diferentes etapas do trabalho, desde o recebimento e o tratamento das manifestações até a elaboração de relatórios gerenciais, desde que utilizada com cuidado e submetida à revisão humana. “A inteligência artificial é uma ferramenta 360 graus, ou seja, podemos utilizá-la em diversas etapas e momentos da Ouvidoria”, explicou.

O caráter estratégico desses canais para a administração pública também foi citado por Brugger, destacando que as manifestações permitem compreender a percepção da população sobre os serviços oferecidos e identificar pontos que demandam atenção dos gestores.

Encerrando a programação técnica, o auditor federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU), Leonardo Alamy Martins, apresentou ferramentas de inteligência artificial e exemplos de relatórios e gráficos que podem auxiliar as Ouvidorias na organização das informações e na demonstração de resultados à gestão.

Esses recursos podem facilitar a apresentação de evidências sobre as manifestações recebidas e contribuir para demonstrar a relevância do trabalho realizado pelas Ouvidorias dentro das instituições, segundo Alamy. Um dos exemplos é a Inteligência Artificial utilizada pela CGU que cruza informações das manifestações para identificar de maneira geral onde estão os gargalos e em quais áreas são mais recorrentes.

O seminário foi encerrado com agradecimentos ao TCE-GO, pelo acolhimento e apoio à realização do evento, ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO) e ao Coral Encantos de Goiás, responsável pela apresentação artística na abertura.

Acesse as fotos aqui.

Comunicação Setorial CGE – Governo de Goiás

Governo na palma da mão