“Cyclone”, novo filme de Flávia Castro, estreia em novembro com uma narrativa sobre mulheres, arte e liberdade

Coproduzido por Walter Salles, o longa revisita a história da escritora Miss Cyclone sob um olhar feminista e contemporâneo

O cinema brasileiro ganha um novo capítulo com o lançamento de “Cyclone” (2025, 100’), longa-metragem de ficção dirigido por Flávia Castro, reconhecida por obras sensíveis e políticas como “Deslembro” e “Diário de uma Busca”. A estreia nacional está marcada para o dia 27 de novembro.

Antes, porém, a obra terá uma pré-estreia de gala no Teatro Municipal de São Paulo, no dia 11 de novembro, seguida de debates e sessões especiais em todo o país, que promoverão reflexões sobre o feminismo contemporâneo e suas raízes históricas.

A produção conta com apoio da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab), mecanismos operacionalizados pela Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult).

Com passagens aclamadas pelos festivais de Xangai e Munique, “Cyclone” chega ao público brasileiro após exibições no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, consolidando-se como uma das produções nacionais mais aguardadas do ano.

O longa é uma realização da Mar Filmes e Muiraquitã Filmes, com coprodução de Walter Salles e Maria Carlota Bruno. Com investimento superior a R$ 10 milhões, a obra tem distribuição da Bretz Filmes e aposta em uma grande estratégia de lançamento.

História real reinventada sob a ótica feminina

Livremente inspirado na trajetória da escritora Maria de Lourdes Castro Pontes, a enigmática Miss Cyclone, única mulher a integrar o diário coletivo “O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo”, criado por Oswald de Andrade em sua garçonnière paulistana, na década de 1910 , o filme resgata essa figura quase apagada da história, reinterpretando-a sob um olhar atual, poético e feminista.

Na trama, Daise (Luiza Mariani) é uma operária que divide o tempo entre o trabalho em uma gráfica e sua paixão pela dramaturgia. Ao conquistar uma bolsa de estudos em teatro para Paris, ela enfrenta o maior desafio de sua vida: afirmar sua liberdade em uma sociedade que ainda insiste em negar às mulheres o direito de sonhar e de serem donas do próprio corpo.

O elenco conta com nomes consagrados do cinema nacional, como Luiza Mariani (Todas as Canções de Amor), Eduardo Moscovis (Ela e Eu), Karine Teles (Benzinho), Luciana Paes (Sinfonia da Necrópole), Magali Biff (Pela Janela), Rogerio Brito (Um Ano Inesquecível – Primavera) e Ricardo Teodoro (Baby).

Com direção e roteiro de Flávia Castro e fotografia assinada por Heloísa Passos, “Cyclone” é uma celebração à resistência, à arte e à liberdade, um filme que revisita o passado com um olhar profundamente contemporâneo sobre as mulheres que ousaram desafiar o tempo.

Uma voz feminina e política no cinema brasileiro

A cineasta e roteirista Flávia Castro, natural de Porto Alegre (RS), construiu uma carreira marcada pela sensibilidade e pelo olhar político sobre o indivíduo e a sociedade. Alternando entre ficção e documentário, dirigiu o premiado “Diário de uma Busca” (2010), exibido em mais de trinta festivais internacionais, e o longa “Deslembro” (2018), que estreou na “Mostra Orizzonti”, do Festival de Veneza e conquistou diversos prêmios.

Também é autora dos curtas “Cada um com Seu Cada Qual” (2006) e “Matemática” (2013), integrante do projeto A Aula Vazia, com direção artística de Gael García Bernal. Como roteirista, assinou “Nise: O Coração da Loucura” (2015) e colaborou com cineastas como Richard Dindo, Philippe Grandrieux e Eduardo Escorel.

Fotos: Divulgação

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