Cultura em Goiás caminha rumo à inovação e ao empreendedorismo

Realização dos festivais do calendário cultural e ampliação de parcerias para novas ações da pasta estão entre as propostas para 2020
Em entrevista ao canal do YouTube do jornal Hoje, nesta terça-feira, 21 de janeiro, o secretário de Cultura, Adriano Baldy, fez um panorama atual da cultura e falou das novas propostas para alavancar o setor em Goiás.
Sobre o balanço da pasta de 2019, Baldy citou os grandes desafios, principalmente pela questão de como o governador Ronaldo Caiado recebeu o Estado, as dívidas e toda questão que o envolve, o que demandou um trabalho árduo no mês de dezembro, quando Baldy assumiu a Secretaria de Cultura.
Foram várias viagens à Brasília, juntamente com o governador, inclusive, na véspera de Natal e Ano Novo, na busca de recursos para realizar os eventos importantes para o Estado de Goiás. E o mais importante, destaca Baldy, foi o pagamento de R$ 30 milhões do Fundo de Arte e Cultura, que foi uma promessa do governador Caiado, e que, pela primeira vez, no período de um ano que o Fundo foi lançado, houve o pagamento integral.
E as ações não param. Sobre os festivais promovidos pela Secult, como o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), na cidade de Goiás, e Canto da Primavera, em Pirenópolis, Baldy disse que vem buscando recursos para a realização dos mesmos, seguindo determinação do governador Caiado. “Ainda em dezembro, nós conseguimos em Brasília recurso federal para viabilizar o Canto da Primavera. E a nossa prioridade era o Fica, mas por problemas junto à Agência Nacional de Cinema (Ancine), não conseguimos empenhar até 31 de dezembro”, disse o secretário. Com isso, a Secult irá destinar a verba de R$ 1 milhão, liberada pelo Ministério da Cidadania, por meio da Secretaria Especial de Cultura, para o Canto da Primavera. Também já estão garantidos os recursos para as Cavalhadas 2020, que será realizada dentro da nova dinâmica da Secretaria de Cultura.
Quanto ao Fica, esforços vêm sendo feitos para a realização do evento. Nesta quarta-feira, 22, o secretário de Cultura viajou novamente a Brasília para viabilizar fomento para o festival, que deverá passar por algumas adequações e ajustes em sua estrutura, por conta da difícil realidade econômica que passa atualmente, não só Goiás, como o país todo, porém, mantendo a maior qualidade possível do evento.
Para isso, a Secult já está desenvolvendo, embrionariamente, um novo formato mais abrangente, a exemplo de festivais do eixo Rio – São Paulo e até nos EUA, que, além do audiovisual, envolvem música, teatro, redes, economia criativa, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Contando com essa perspectiva, a Secult já formata um novo evento, com um time de representantes do audiovisual, de inovação, que irão dar uma nova roupagem, “obviamente, respeitando a cultura e as pessoas que a trouxeram até onde ela veio, e respeitando esses festivais que a gente pensa que não é do Estado, mas da população de Goiás. Essa é a forma como a gente quer trabalhar. Existe um festival em Washington, nos EUA, que é uma referência. Tem a Rio 2C, agora em maio, que envolve todos os aspectos culturais, a moda, que acontece ao mesmo tempo na cidade. E esse é o novo formato que a gente quer dar”, disse Baldy.
Proposta para 2020
Sobre os rumos para a Cultura em 2020, o secretário reafirmou a realização de eventos que tenham a marca desse novo governo, que é focado na inovação e no empreendedorismo, englobando também novos projetos.
Dentre as novidades estão a criação de uma rede de cultura do Estado e a disponibilização, no site da Cultura, de todos os pontos e equipamentos culturais, sejam públicos ou privados, que abrangem todas as cidades de Goiás. A ideia é de que, ao chegar a uma cidade do interior do Estado, o turista possa visualizar no site o que aquele município oferece, em termos de museus, bibliotecas, cinemas, teatro. “Vamos desenvolver agora a política de cultura do Estado. Já temos um cronograma para realizar uma promessa de campanha do governador, que é elaborar o plano de política cultural, que será aprovado na Assembleia. O Plano Estadual de Cultura vai direcionar como a cultura no Estado vai se encaminhar nos próximos anos”, concluiu Baldy.
Outro grande desafio é movimentar o Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON). E uma das propostas para isso é a criação do 1º Parque Cultural de Inovação e Criatividade, com economia criativa, com startups, com incubadoras, para proporcionar um norte para aqueles que queiram se tornar empreendedores culturais, participando de mentorias, consultorias de gestão e também da área que eles queiram se desenvolver, seja moda, seja cinema, game. “Não só da pessoa se tornar um ator, mas que ela possa se tornar um roteirista, um diretor, tendo as ferramentas e o suporte necessários para isso”, ressalta Baldy.
A Secult já está desenvolvendo esse projeto embrionário no Oscar Niemeyer, para que depois, em parceria com a Universidade Estadual de Goiás (UEG), seja criada a rede estadual de Educação, que incluem os Institutos Tecnológicos do Estado de Goiás (Itegos), locais espalhados no Estado, para que todas essas ações sejam disseminadas. Primeiro na região metropolitana, depois em todo o Estado de Goiás.
Fundo de Cultura
Sobre o Fundo de Arte e Cultura, um dos principais mecanismos de fomento do setor cultural do Estado, Baldy explicou que a desvinculação do Fundo era necessária para que Goiás possa aderir ao programa de recuperação fiscal do governo federal. Segundo o secretário, a proposta é que, com isso, haja uma maior previsibilidade para o setor.
Com relação aos pagamentos dos editais de 2015, 2016 e 2017, Baldy disse que pretende se reunir com a secretária de Economia e com o governador, para traçar um orçamento para que a situação seja regularizada o quanto antes.
ABC
Dentre as prioridades para essa gestão do governador Ronaldo Caiado está também a parceria entre a Secretaria de Cultura e a Agência Brasil Central (ABC), para participação no programa “Minha Cidade É” , que pretende mostrar todos os aspectos culturais que as cidades possuem, saindo do eixo já conhecido como cultura, evidenciando as peculiaridades, as histórias, o patrimônio, e as diversas referências que aquela região possa oferecer. A ideia é ajudar os pequenos municípios e levar para eles o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda, que é uma grande preocupação desse governo.
Parcerias diretas com os municípios
Com 40 dias à frente da pasta da Cultura, Adriano Baldy reforçou o empenho de dar um foco maior aos equipamentos culturais gerenciados pela secretaria, como a Vila Cultural, o CCON e demais unidades do órgão. “Queremos ter vários projetos acontecendo ao mesmo tempo. Eu estive na Rua do Lazer. Está faltando a gente movimentar, estimular o empreendedorismo nas pessoas. Primeiro estamos olhando para os nossos equipamentos, em termos de estrutura, de pessoas, a qualidade do serviço, para que a experiência que as pessoas buscam nesses equipamentos seja uma experiência diferente e marcante”, disse o secretário.
Baldy salientou que todo esse engajamento está sendo feito em conversas com as universidades, com o Itego e a Secretaria de Educação, com vários secretários de Cultura, prefeituras, de modo que sejam utilizadas as redes que o Estado já tem, visando criar parcerias, convênio, catalogar todos os pontos culturais. A partir daí, oferecer cursos de qualificação, empreendedorismo e crédito para as pessoas, mostrando como elas podem realizar o sonho na cidade delas. Segundo o secretário “É preciso melhorar as bibliotecas, levando um café, um bistrô, uma internet wireless. Mas para isso, primeiro é preciso ter o diagnóstico de quem são essas pessoas e quais as necessidades que podem ser atendidas”, finaliza.

