Megaoperação no Rio divide opiniões em debate no Boa Noite
O confronto de narrativas marcou a edição desta terça-feira (4) do Boa Noite, que discutiu a fala do governador Ronaldo Caiado ao rebater o presidente Lula e classificar ações do narcotráfico como “terrorismo”. A jornalista Amanda Caixeta e a professora e doutoranda em História Econômica Flávia Calé foram as convidadas do debate, que também abordou o envio de tropas de Goiás ao Rio de Janeiro, a eficácia das UPPs, a PEC da Segurança Pública, a integração das forças policiais, a CPI do Crime Organizado e o julgamento do governador Cláudio Castro no TSE. O programa exibiu ainda reportagem sobre a Operação Scutum (que afastou policiais ligados ao contrabando em Goiás) e outra e sobre a opinião de moradores do Rio a respeito da megaoperação policial na cidade.
Flávia Calé criticou o modelo de combate adotado no Rio de Janeiro e defendeu uma reestruturação completa das forças de segurança. “O estado precisa tratar a questão da segurança pública com muita seriedade. Para isso, você tem que ter uma Polícia bem preparada, bem paga, estruturada”, afirmou. Ela destacou ainda a importância de investigar o financiamento do crime e mencionou que Goiás participa do refino de drogas distribuídas no país. Para Flávia, enquadrar o narcotráfico como terrorismo é um erro estratégico. “A caracterização de terrorismo coloca o Brasil em uma condição de abrir mão de sua soberania”. Sobre a operação no Rio, foi direta: “Eu reprovo essa ação, por ela ser ineficaz e não atingir seu objetivo. Ela enxuga gelo, não resolve o problema de forma estrutural”, analisou.
Na direção oposta, Amanda Caixeta defendeu o enquadramento do narcotráfico como terrorismo e elogiou a megaoperação. “Se eu tenho um grupo de pessoas que arroga para si o poder de não respeitar as leis do estado e de coagir a população, então o narcotráfico internacional precisa ser combatido e chamado de terrorismo”, afirmou. Para ela, a ação policial no Rio foi necessária e bem executada: “A atuação foi brilhante. Infelizmente, precisamos lamentar pelas famílias que perderam pessoas”.
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