Pequi Bank, maioridade penal e caso Jaques Wagner foram temas do Boa Noite
A criação do Pequi Bank, pelo governo de Goiás, foi o principal tema debatido no Boa Noite de terça-feira (16), programa apresentado pelo jornalista Paulo Beringhs. Trata-se de uma plataforma de crédito e serviços que tem como objetivo atuar como vetor de desenvolvimento econômico para o estado, por meio da junção de serviços financeiros, benefícios sociais, crédito produtivo e soluções digitais em um único ambiente. Os convidados foram o professor e advogado Habib Tamer Badião e o advogado criminalista Éliton Marinho. Além do Pequi Bank outros temas foram tratados, como o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e a reunião do G-7, grupo dos países que detêm as maiores economias do mundo, na França.
“O Pequi Bank significa a modernização das operações financeiras voltadas aos estudantes e pessoas beneficiárias dos programas sociais. É Goiás caminhando para a frente à medida em que movimenta recursos por meio de cartões de crédito e débito para estudantes até chegar à liberação do microcrédito para empreendedores”, destacou Éliton Marinho. Já o professor Badião ressaltou a diferença do Pequi Bank para os demais bancos. “Nos bancos convencionais, as pessoas depositam dinheiro e eles trabalham com dinheiro de terceiros, emprestando com taxas de juro elevadas. No Pequi Bank, o que é ocorre é um aporte de recursos destinados a estudantes e programas sociais, que serão movimentados pelos beneficiários, mantendo-se uma parte para ser destinada ao crédito produtivo para o desenvolvimento do estado”, detalhou. A iniciativa do Pequi Bank foi elogiada pelos debatedores e diversos telespectadores que enviaram mensagens para o programa.
Na quarta-feira (17), o Boa Noite colocou para discussão um tema tão atual quanto polêmico: a redução da maioridade penal, que passaria de 18 para 16 anos. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) e agora deverá ser submetida a uma comissão especial e depois levada a votação no plenário. Finalmente, se aprovada, segue para o Senado. Para debater o assunto, o jornalista Paulo Beringhs convidou dois especialistas da área jurídica, o juiz da Vara de Crimes Dolosos e também do Tribunal de Júri de Goiânia, Jesseir Coelho de Alcântara, e o advogado criminalista Alex Neder. Eles revelaram posições antagônicas, a favor e contra a proposta, mas ambos concordaram que a PEC não resolve o problema da criminalidade no País.
“Eu sou favorável à redução da maioridade penal para 16 anos, embora veja que isso não irá reduzir a criminalidade no Brasil. Mas entendo que no mundo atual, em que as redes sociais, a internet e outras fontes de informação são capazes de formar e informar as pessoas, o jovem a partir de 16 anos tem plena consciência do que é crime, diferentemente do que ocorria na década de 40, quando foi instituído o Código Penal e na década de 80, quando foi promulgada a atual Constituição”, enfatizou Jesseir Alcântara. Por seu turno, o criminalista Alex Neder diz ser contrário à medida, com base nas estatísticas de crimes, que apontam que de todos os jovens infratores, 58% se enquadram nos crimes de tráfico, furto e roubo. Apenas uma quantidade mínima se encaixa nos crimes hediondos como homicídio, estupro e latrocínio, que devem ser contemplados na PEC. “Colocar um jovem de 16 anos no sistema penal falido que tem o País atualmente, é colocá-lo na escola do crime, de onde ele vai sair pior, preparado para praticar ainda mais crimes”, justificou ele.
A política nacional e a administração federal voltaram a ser tema de debate no programa Boa Noite, apresentado pelo jornalista Paulo Beringhs. Na noite de quinta-feira (18), a questão colocada para discussão foi a ação da Polícia Federal contra o líder do governo Lula no Senado, senador baiano Jaques Wagner, por indício de recebimento de benefícios ilícitos do Banco Master, tais como um apartamento no valor de R$ 2,5 milhões em Salvador, propina de R$ 3,5 milhões e pagamento de diárias em Los Angeles, nos Estados Unidos. O questionamento colocado foi se Jaques Wagner deve deixar o cargo de líder do governo. Os convidados foram o advogado e analista político Cláudio Dias e professor de Direito, Clécio Filho. O assunto foi amplamente explorado, incluindo a posição de políticos da oposição que veem na operação mais um escândalo de corrupção do governo petista.
“Jaques Wagner deu sua versão sobre os fatos, mas não explicou nada. O que se espera é que ele tenha a ombridade de dizer onde o Banco Master começou, que foi na Bahia, e como se transformou no grande escândalo que atinge agora todos os poderes da República”, asseverou Cláudio Dias. Ele disse ainda que o PT repete o que sempre fez, praticando corrupção, mas negando até o fim os seus atos e, neste caso, “há fortes indícios de irregularidades, porque a Polícia Federal não bate na porta de alguém por acaso. Lamentavelmente a política deixou de ser a arte do diálogo, a arte da transformação social, para estar relacionada à corrupção”, pontuou. Por seu turno, o professor Clécio Filho enfatizou que Jaques Wagner, como homem público, representante da sociedade, deveria ter ombridade e bom senso e se afastar imediatamente do cargo até que todos os fatos sejam esclarecidos. “O modus operandi dos corruptos é o mesmo, a dissimulação é sua especialidade e os crimes acabam ficando por isso mesmo. Mas, certamente, tudo isso terá reflexo nas eleições”, ponderou.
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