Defesa de tese de doutorado da Perita Criminal Mariana Mota
A ativação da via p53 através da inibição de MDM2 tem sido proposta como uma nova estratégia terapêutica antitumoral. Neste sentido, uma série de análogos da cis-imidazolina chamados nutlins é capaz de bloquear a proteína p53 de seu complexo com a MDM2 por ligação a MDM2 na região de ligação da p53, prevenindo a degradação da p53 e exibindo, assim, atividade antitumoral in vitro e in vivo. Tendo em vista o potencial antitumoral dos nutlins e sua complexa produção, foram criados análogos como o LQFM030, empregando a estratégia da simplificação molecular. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar a atividade antitumoral in vivo e in vitro do composto LQFM030 em células do tumor ascítico de Ehrlich (TAE). Para a avaliação da atividade antitumoral in vivo foram utilizados camundongos swiss albinos machos, que foram tratados por 10 dias com 50, 75 ou 150 mg/Kg do composto LQFM030. Após o tratamento, a atividade antitumoral do composto foi avaliada pela diferença de peso e do volume de líquido ascítico, pelo número de células tumorais através do teste de exclusão do azul de tripano, pela angiogênese peritonial e pela produção de VEGF. Os mecanismos antitumorais foram avaliados por citometria de fluxo e avaliou-se ainda os parâmetros hematológicos e bioquímicos dos animais. A citotoxicidade in vitro foi avaliada em células do TAE pelo método da exclusão do azul de tripano e os mecanismos envolvidos na morte das células do TAE foram investigados por microscopia óptica e de fluorescência, citometria de fluxo, PCR em tempo real e western blot. Os dados foram analisados por análise de variância (one-way ANOVA) e teste a posteriori de Newman-Keuls para comparação de médias ou por teste de t com o auxílio do programa Graph pad prism. As médias foram consideradas estatisticamente significativas quando p < 0,05. O composto LQFM030 foi capaz de inibir o tumor dos animais portadores do TAE de maneira dose-dependente, com uma DE50 de 150 mg/kg. Houve redução ainda na angiogênese peritonial, na produção de VEGF e o tratamento não alterou significativamente os parâmetros hematológicos e bioquímicos dos animais. O tratamento in vitro também apresentou atividade antiproliferativa e citotóxica concentração-dependente, aumentou a expressão da proteína p53 e ativou a via da p53 (através da ativação das proteínas p21 e p27 e redução da MDM2). O composto também causou retenção das células na fase G1 do ciclo celular e levou as células à apoptose. A apoptose pôde ser notada pela morfologia das células, pela fragmentação de DNA, pela externalização da fosfatidilserina e pela ativação de caspases iniciadoras e efetoras. A transcrição do gene p53 não foi afetada pelo LQFM030, indicando que a regulação da p53 foi pós-transcricional. Assim como os nutlins, LQFM030 apresentou atividade antitumoral in vivo e in vitro, inibindo a interação p53-MDM2 e reativando p53 e suas principais funções, a retenção no ciclo celular e a apoptose. Esses resultados sugerem que LQFM030 é um interessante candidato no desenvolvimento de novos agentes terapêuticos antitumorais.
Banca examinadora:
1.Prof. Dra. Marize Campos Valadares (FF/UFG)
2. Prof. Dr. Ricardo Meneghati (FF/UFG)
3. Prof. Dr. Carlos Henrique Castro (ICB/UFG)
4. Profa. Dra. Rejane da Silva Sena Barcelos (PUC/GO e SPTC/GO)
5. Profa. Dra. Simone Gonçalves da Fonseca (IPTSP/UFG)


