Bororó traz cinco décadas de carreira em dois shows no Figo 2013

O músico, compositor, arranjador e produtor Bororó, goianiense nascido Dimerval Felipe da Silva, aceitou com honra o convite da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás) para ser consultor musical e homenageado da primeira edição do Festival Internacional de Música em Goiás, o Figo. “O meu maior prazer e alegria é chegar em Goiás e me sentir útil, dando a minha contribuição para que a sociedade tenha acesso a artistas que possam transformar e acrescentar às pessoas, como me transformou e acrescentou ter acesso a grandes artistas nacionais e internacionais”, diz Bororó. Sua rica experiência musical e social não o deixa mentir.
Nascido em Goiânia, ainda bebê foi morar em Belo Horizonte (Minas Gerais), onde começou, por volta dos 12 anos de idade, a tocar bateria, por causa do som ritmado que sempre o fascinou. A música já estava no sangue e na vida de Bororó por influência de seu pai, que tocava violão, e sua mãe, tocadora de acordeon. Bororó também se aventurou pelo violão e, um pouco mais tarde, encontrou no contrabaixo seu instrumento favorito, que consagraria sua história musical. “Tocando contrabaixo pude compreender o que é um contraponto”, sintetiza.
A carreira começou em Minas Gerais com a banda de baile SS Especial, em que teve a oportunidade de tocar diversos estilos. “O baile proporciona a experiência de tocar diversos estilos, é enriquecedor”, reconhece. Viajando pelo interior daquele Estado, Bororó teve seus primeiros contatos com as Congadas e Folias de Rei, movimentos aos quais atribui grande influência em sua música. Aos 19 anos, na década de 1970, voltou a Goiânia, onde continuou tocando em bailes, trazendo toda a influência de sua experiência mineira.
Na capital goianiense cultivou uma gama de parceiros musicais e amigos, sobre os quais fala com enorme carinho e admiração: César Canedo, Fernando Perillo, Mauro Pereira de Souza, Carlos Brandão, Carlos Ribeiro, Nei Lopes, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Fátima Guedes, Cícero Cavalcante e Nars Chaul são alguns dos nomes citados.
Em 1984, Bororó partiu para o Rio de Janeiro, onde viveu por 30 anos em uma casa no Vidigal. “Foi um tempo maravilhoso, foi a melhor coisa que fiz, embora morresse de saudade de Goiânia”, relata Bororó. No Rio teve a companhia de “uma turminha de bamba que não se esquenta com as ameaças do rei”, como dizia o colega e amigo Sérgio Ricardo. “Gravei com todos os grupos de pagode e com os grandes nomes da música brasileira”, orgulha-se Bororó, citando Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Leci Brandão, Beth Carvalho, Alcione e tantos outros.
Gravou ainda com Lenine, Edu Lobo, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Chico Buarque, Gilberto Gil, Zeca Baleiro, Paulinho Moska e Sérgio Ricardo – os seis últimos participaram da gravação de seu segundo CD, “Brasil Nação Kalunga”. “Vou divulgar o CD no Figo 2013, mas o primeiro show está previsto para meados de outubro e novembro, no Teatro Goiânia”, anuncia Bororó. O disco também tem a participação do Grupo Boto, dos Kalunga da região de Cavalcante, no norte de Goiás.
Raízes
A relação de Bororó com as raízes africanas é um capítulo à parte na vida do músico. “Eu estava em busca de algo que eu pudesse traduzir a minha identidade, minhas origens, minhas raízes”, explica Bororó ao relatar sua viagem à África, em 1987. Bororó viajou durante dois meses por países como Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Angola, na companhia de Sérgio Ricardo e do sociólogo Darcy Ribeiro. De volta ao Brasil, após conviver com vários músicos africanos, Bororó foi para a comunidade Kalunga de Cavalcante onde, segundo ele, se deparou “ao mesmo tempo com a beleza na região, nos seres humanos ali existentes, na sua música, na sua comida, na sua sensibilidade humana na maior profundidade e leveza do ser”, ressaltou, afirmando que todo esse universo e influências o levaram a compor, ao longo de vários anos, as músicas de “Brasil Nação Kalunga”.
Além de diversos prêmios musicais, Bororó carrega ainda títulos como o diploma concedido pela ONU (1999) por serviços prestados à cultura brasileira, ao lado do parceiro Carlos Ribeiro; e a cadeira que ocupa na Academia Goianiense de Letras.
Após quase 30 anos morando no Rio de Janeiro, Bororó retornou à Goiânia, onde administra junto ao colega Jairo Reis o estúdio musical Setup Music Produções. “Consegui realizar um sonho, fiz tudo o que eu queria e agora posso escolher com quem tocar. Esses anos todos plantei muito bem plantado”, afirma Bororó, que continua viajando com frequência para tocar com parceiros Brasil afora.
Questionado sobre algum show do Figo que considera imperdível, Bororó responde bem humorado: “Tem que ver tudo!” No Figo 2013, Bororó se apresenta no dia 14 ao lado do Quarteto Brasil, às 21h10, no Teatro Goiânia, e no dia 18, às 18h30, no Cine Pireneus, em Pirenópolis, com os músicos Wagner Tiso e Victor Biglione.

