[Artigo] Goiás livre de febre aftosa sem vacinação: vigilância deve ser permanente

José Ricardo Caixeta Ramos*

Neste dia 29 de maio, Goiás e o Brasil celebram um ano do reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação. O certificado foi concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), durante a 92ª Sessão Geral da Assembleia dos Delegados Nacionais, em Paris, na França. Se, por um lado, essa conquista proporcionou um selo de qualidade para os nossos produtos, garantindo acesso a mercados, por outro nos legou a responsabilidade de avançar cada vez mais nas boas práticas sanitárias, de forma a manter a aftosa longe dos nossos rebanhos.

A conquista do certificado de área livre de febre aftosa sem vacinação consolidou um trabalho técnico que demandou tempo e investimento e que uniu governos, entidades e produtores rurais. Com o reconhecimento, Goiás e o Brasil passaram a integrar um seleto grupo de regiões habilitadas a exportar produtos de origem animal para mercados altamente exigentes, como Japão e União Europeia. Esse avanço representou um significativo ganho de competitividade para toda a cadeia produtiva e é motivo de orgulho para todos.

Para alcançar esse marco, Goiás cumpriu rigorosamente as diretrizes estabelecidas no Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância da Febre Aftosa (PE/Pnefa), iniciado em 2017, e que culminou na substituição gradual de medidas de vacinação por ações intensificadas de vigilância sanitária. O trabalho foi coordenado nacionalmente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Todas as exigências foram atendidas, possibilitando a retirada gradual da vacinação.

A trajetória de combate à febre aftosa no estado remonta a 1962, com a criação do serviço de vacinação por meio da Lei nº 4.118, de 6 de julho daquele ano. Desde então, Goiás vem aprimorando suas políticas sanitárias, investindo em vigilância e fortalecendo sua estrutura de defesa agropecuária. O último foco de febre aftosa em território goiano foi registrado em agosto de 1995. Já são mais de três décadas, portanto, sem registro de casos. Em novembro de 2022, realizamos a derradeira campanha de imunização de rebanho e em 2024 recebemos o reconhecimento nacional de estado livre de febre aftosa sem vacinação.

A Agrodefesa tem intensificado as estratégias de prevenção à febre aftosa. O trabalho desenvolvido pela Agência busca informar os produtores rurais sobre os riscos que a doença representa para o rebanho goiano e para a cadeia produtiva da pecuária. Nesse contexto, os Fiscais Estaduais Agropecuários (FEA´s) atuam de forma contínua na orientação dos pecuaristas, esclarecendo dúvidas e disseminando informações sobre os principais sinais clínicos da aftosa, reforçando a importância da vigilância permanente e da notificação imediata à Agrodefesa de qualquer suspeita da doença.

Atualmente, Goiás detém o terceiro maior rebanho bovino – mais de 23,2 milhões de cabeças – e vem se consolidando como terceiro maior exportador de carne do país. Para proteger este patrimônio, é preciso que o pecuarista mantenha uma vigilância ativa e permanente a qualquer sintoma da doença em sua propriedade.

A vacinação contra febre aftosa acabou, a vigilância permanece.


*José Ricardo Caixeta Ramos é médico-veterinário e presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa).


Comunicação Setorial da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) – Governo de Goiás
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