Distrito de Inteligência Artificial prevê R$ 300 milhões e 1,4 mil empregos

O Distrito de Inteligência Artificial vai transformar uma área de 91 hectares no Setor Leste Universitário, em Goiânia, em um polo de tecnologia, pesquisa e inovação. Com investimentos superiores a R$ 300 milhões, o projeto prevê a atração de empresas, a formação de profissionais qualificados e a geração de empregos, além da revitalização urbana da região.

Lançada nesta terça-feira (30/06) pelo governador Daniel Vilela, a iniciativa foi concebida para fortalecer o ecossistema de inovação em Goiás e ampliar a presença de empresas ligadas à inteligência artificial (IA), pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Daniel Vilela lembrou que Goiânia ocupa a segunda colocação nacional em termos de inovação em tecnologia artificial no país e ressaltou que o objetivo é alcançar o topo.

“Goiás já é referência para o mundo inteiro em IA. Agora, temos uma grande janela de oportunidade para consolidar o Estado e Goiânia como o hub de inteligência artificial do Brasil e da América Latina”, garantiu.

“Goiás vive esse momento de consolidação em IA e o nosso objetivo é poder atrair cada vez mais empresas de tecnologia para nosso distrito. Vamos usar pesquisa, desenvolvimento e inovação para melhorar a vida das pessoas, gerando oportunidades e empregos para a população, trazendo renda e desenvolvimento para Goiás”, finalizou o gestor goiano.

Estão previstos mais de R$ 300 milhões em investimentos. Desse total, R$ 200 milhões serão destinados à reforma de quatro prédios estaduais e à construção de novas estruturas. Outros R$ 30 milhões serão aplicados em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

Parte dos R$ 78 milhões do novo convênio do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia-UFG), anunciados na última semana, também deverá ser direcionada ao complexo.

Daniel Vilela destaca que Goiás tem grande janela de oportunidade para consolidar o Estado e Goiânia como o hub de inteligência artificial do Brasil e da América Latina (Foto: Walter Folador)

O que é o Distrito de Inteligência Artificial?

O projeto foi estruturado para reunir empresas de tecnologia, centros de pesquisa, universidades, startups e programas de formação profissional em uma mesma região da capital.

Na primeira fase de ativação, a expectativa é criar 1.406 postos de trabalho diretos e atrair uma circulação diária de 3.273 pessoas em espaços compartilhados, como auditórios, cafés, lounges e áreas de convivência.

O território também passará por intervenções urbanas, com alterações no tráfego, priorização de pedestres, manifestações artísticas e requalificação de marcos locais, como a Praça Universitária e a Biblioteca Marieta Telles.

Distrito de Inteligência Artificial terá empresas e centros de pesquisa

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, José Frederico, destacou que o objetivo é consolidar o principal polo de tecnologia do país com foco em inteligência artificial.

“Hoje marca a pedra fundamental de um distrito que vai aglomerar empresas de tecnologia e centros de pesquisa. Será um marco para a cidade, não só de empresas, mas também da parte urbanística”, assegurou.

“A ideia é que, nesse distrito, a gente possa atrair capital humano e talentos do Brasil inteiro, para experimentar um pouco mais de tecnologia e preparar a sociedade para ter trabalhadores que consigam usar a IA. A ideia do governo é ajudar, preparar e formar essas pessoas para que elas possam usar tecnologia de forma responsável, consciente e inovadora”, completou.

O Ceia terá uma nova sede em parte da área onde atualmente funciona o Centro de Ensino em Período Integral Pré-Universitário, na 11ª Avenida. O espaço também passará por reforma para funcionar como escola de tecnologia. O novo prédio abrigará ainda empresas ligadas à inteligência artificial.

Também serão reformados o anexo da Secretaria de Estado da Administração (Sead), que receberá as primeiras empresas; o prédio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), destinado a residências em inteligência artificial; e o prédio da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), futura sede da Goiás Tecnologia.

Formação profissional e parcerias acadêmicas

O projeto nasce integrado aos campi universitários já instalados na região, incluindo a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).

Entre as ações previstas estão programas de residência tecnológica, aceleração de startups e qualificação profissional. Na fase inicial, serão ofertadas 1.500 bolsas para cursos vinculados ao Distrito, além de descontos em cursos tecnológicos por meio de parceria com o Sistema S e turmas gratuitas de cursos técnicos no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

“Esse distrito coloca Goiânia no cenário internacional. É a inovação, ciência e tecnologia a serviço da vida e da humanidade. Que esse distrito venha com esse desejo de inclusão, de diminuir desigualdades sociais e desenvolver a tecnologia e a área social em nosso Estado”, afirmou a reitora da PUC Goiás, Olga Ronchi.

Já a sub-reitora da UFG, Camila Cardoso, ressaltou a oportunidade de fortalecer a permanência de talentos no estado.

“Esse distrito vai trazer os olhares para a nossa potência enquanto pessoas de formação e de desenvolvimento de ciência e tecnologia em favor da sociedade”, comentou.

Primeira empresa confirma instalação

A primeira empresa a anunciar instalação no complexo é a Semantix, multinacional brasileira especializada em dados, analytics e inteligência artificial.

Presente em sete países, a empresa foi listada na Nasdaq com valor de mercado de US$ 1 bilhão em 2022 e assinou memorando de entendimento para ampliar operações em Goiás.

Benefícios para inovação e desenvolvimento

A estratégia de atração de empresas combina incentivos financeiros e articulação regulatória. O Estado disponibilizará R$ 30 milhões para subsidiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação executados dentro do complexo.

A proposta busca estimular o desenvolvimento de soluções tecnológicas de alto impacto, fortalecer a inovação local e ampliar a qualificação profissional.

Além disso, startups e empreendedores receberão suporte por meio de editais de fomento geridos pelo Hub Goiás.

O projeto também prevê discussões com a Prefeitura de Goiânia para a criação de uma Área de Interesse Especial no plano diretor. Entre as medidas em análise estão benefícios urbanísticos e econômicos, como IPTU progressivo, isenção de ITBI, flexibilização de fachadas e ampliação do limite de verticalização.

Outro diferencial será a implantação de um Sandbox regulatório, permitindo testar soluções tecnológicas voltadas à melhoria dos serviços públicos e ao bem-estar da população antes de sua adoção em maior escala.

Secretaria de Comunicação – Governo de Goiás

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