ATLAS GOIÁS: REMANESCENTES DE VEGETAÇÃO NATIVA
O Projeto Atlas dos Remanescentes de Vegetação Nativa do Estado de Goiás é uma iniciativa estratégica da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa (FUNAPE) e execução pelo Laboratório de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento (LAPIG/IESA/UFG). O objetivo é mapear, quantificar e qualificar a vegetação nativa remanescente em todo o território goiano, oferecendo dados essenciais para conservar a biodiversidade e promover o desenvolvimento sustentável.
Por que o projeto foi criado?
Goiás abriga grande parte do bioma Cerrado, considerado um dos mais ameaçados do mundo, com perda significativa de cobertura vegetal nos últimos anos. Essa redução impacta diretamente a fauna, a flora e os serviços ecossistêmicos vitais para a vida humana. Para planejar a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais, era urgente dispor de um mapeamento da vegetação nativa remanescente no estado com maior nível de detalhamento, com classificação adequada das diferentes fitofisionomias e atualizado, algo que não existia em nível estadual antes do projeto Atlas. Conhecer a localização espacial dos remanescentes de vegetação nativa é essencial para a sustentabilidade ambiental, a biodiversidade, a segurança hídrica e a economia local, fundamentando a necessidade de políticas de gestão, conservação e monitoramento dos recursos ambientais.
Como o projeto está sendo executado?
O Atlas utiliza imagens de satélite de alta resolução, como CBERS-4A e Sentinel-2, combinadas com validações em campo e análises por meio de técnicas avançadas para identificar diferentes tipos de fitofisionomias e seus estágios de conservação. Para o desenvolvimento do mapeamento, foram adotadas as metodologias mais atuais e reconhecidas pela comunidade acadêmica e científica da área. A precisão e a consistência dos resultados obtidos dependem diretamente da forma como as imagens de satélite são organizadas e divididas em áreas semelhantes, da escolha adequada das informações analisadas, da interpretação visual e da validação das amostras em campo. O trabalho foi organizado em seis regiões, delimitadas por bacias hidrográficas, de modo a abranger todo o Estado. Para a execução do projeto, a SEMAD conta com um grupo de servidores que acompanha os trabalhos de campo para a coleta de amostras, além de avaliar os relatórios e os produtos do mapeamento elaborados por pesquisadores do LAPIG.
Resultados até o momento
Na primeira etapa do mapeamento, foi realizada a classificação dos remanescentes de vegetação nas bacias dos rios Meia Ponte e dos Bois. Os resultados obtidos revelaram que a área de vegetação nativa, em comparação aos dados das bases oficiais até então disponíveis, como a Coleção 9 do MapBiomas, é 42% maior, indicando que muitas formações naturais ainda persistem no estado. Nesse contexto, o Atlas tem contribuído para a identificação de fragmentos de vegetação que ainda não haviam sido mapeados em Goiás. Essa descoberta demonstra a importância de um levantamento mais preciso do que o permitido pelas bases de dados anteriores, contribuindo para a gestão ambiental do estado. E tem mais vindo por aí: após a classificação dessas bacias, está em andamento o mapeamento das demais regiões.
Contribuições do projeto
O Atlas se transforma rapidamente em um instrumento-chave para a gestão ambiental em Goiás, ao:
- apoiar decisões técnicas no licenciamento e fiscalização ambiental;
- identificar áreas prioritárias para conservação e restauração;
- subsidiar o planejamento de corredores ecológicos e proteção de ecossistemas sensíveis;
- melhorar o monitoramento da vegetação nativa e cenários de uso sustentável do solo;
- auxiliar em programas e ações para recuperação de áreas impactadas, promovendo a restauração ecológica;
- planejamento e gestão sustentável de recursos hídricos.
Esse projeto representa uma contribuição sólida para que gestores, pesquisadores e a sociedade entendam melhor a vegetação remanescente no estado e possam agir com mais eficácia na proteção e recuperação dos ecossistemas de Goiás.
Quer saber mais sobre a metodologia, acompanhar atualizações e explorar os dados do projeto? Visite a página desenvolvida em parceria com o LAPIG: https://lapig.iesa.ufg.br/p/atlasreanescentesgo.
Consulte os resultados no Sistema de Informações Geográficas Ambientais do Estado de Goiás (SIGA): https://siga.meioambiente.go.gov.br/catalogue/#/dataset/1548.