

{"id":5318,"date":"2022-03-11T08:47:24","date_gmt":"2022-03-11T11:47:24","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/social\/um-mercado-de-trabalho-arcaico-e-injusto-para-as-mulheres\/"},"modified":"2022-03-11T08:47:24","modified_gmt":"2022-03-11T11:47:24","slug":"um-mercado-de-trabalho-arcaico-e-injusto-para-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/social\/um-mercado-de-trabalho-arcaico-e-injusto-para-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Um mercado de trabalho arcaico e injusto para as mulheres"},"content":{"rendered":"<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-5317\" src=\"http:\/\/goias.gov.br\/social\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2022\/03\/SECRETARIO_EQUIPEMULHERES-187-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"caption\" title=\"Na Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado, das sete superintend\u00eancias, seis s\u00e3o comandadas por mulheres. 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Arcaico porque sua configura&ccedil;&atilde;o reproduz uma estrutura que desvaloriza o lugar e o papel da mulher no campo profissional. Injusto, a come&ccedil;ar por esta raz&atilde;o, enfileirada por muitas outras, incluindo motivos na seara do imoral. Isso porque n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel falar sobre a mulher no mundo do trabalho, sem considerar antes, o seu lugar no pr&oacute;prio mundo, frequentemente alvo de ideias e pr&aacute;ticas machistas expl&iacute;citas, que a v&ecirc; como um objeto, e n&atilde;o como uma protagonista da vida em sociedade. Esta &eacute;, certamente, uma das principais reflex&otilde;es a serem feitas na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, 8 de mar&ccedil;o.<\/p>\n<p>Mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas depois, com a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, quando se estabeleceu o princ&iacute;pio da isonomia e as mulheres tiveram os seus direitos trabalhistas positivados, o que j&aacute; foi muito tarde, com a institui&ccedil;&atilde;o da igualdade de g&ecirc;nero e da n&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o do sexo, o que experienciamos ainda hoje viola totalmente tais direitos. A proibi&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a salarial vai de encontro com o dado matem&aacute;tico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica IBGE (2019) de que, nesse ano, as mulheres receberam, em m&eacute;dia, 77,7% do que foi pago aos homens. Nas fun&ccedil;&otilde;es e cargos que representam maiores ganhos, como diretores e gerentes, elas foram remuneradas com 61,9%. Ou seja, quase 40% do valor do seu trabalho foi usurpado. N&atilde;o h&aacute; outra palavra.<\/p>\n<p>J&aacute; a n&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o convive com a arbitrariedade de mulheres sendo preteridas na hora da admiss&atilde;o para um emprego porque, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese, alguns empregadores preferem os homens na hora de contratar, em raz&atilde;o da mulher ter jornada dupla. E todos n&oacute;s j&aacute; estamos escolados de saber qual &eacute; essa outra jornada: o trabalho com as atividades dom&eacute;sticas e os cuidados com os filhos. Ou seja, ela &eacute; penalizada duas vezes. &Eacute; eleita naturalmente como respons&aacute;vel pelas tarefas do lar, e depois, deixa de ser contratada exatamente por esse motivo.<a name=\"_GoBack\"><\/a><\/p>\n<p>E o pior &eacute; ainda nos darmos conta de que isso n&atilde;o tem nada a ver com grau de escolaridade. De acordo com a pesquisa Estat&iacute;sticas de G&ecirc;nero do IBGE, publicada em mar&ccedil;o de 2021, no Brasil, o n&iacute;vel de escolaridade das mulheres &eacute; mais elevado do que o dos homens. Enquanto 21,5% deles frequentaram o ensino superior; entre elas, esse percentual &eacute; de 29,75%. Toda essa desigualdade, vis&iacute;vel do ponto de vista cultural, social e matem&aacute;tico, faz com que o pa&iacute;s figure na 130<sup>a <\/sup>posi&ccedil;&atilde;o, em um ranking com 153 pa&iacute;ses, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; igualdade salarial entre homens e mulheres que desempenham fun&ccedil;&otilde;es semelhantes, de acordo com o Relat&oacute;rio Global sobre a Lacuna de G&ecirc;nero (2020), do F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial.&nbsp;<\/p>\n<p>Se aprofundarmos todas essas an&aacute;lises e fizermos recortes, vamos observar abismos ainda maiores. Como est&atilde;o as mulheres negras, ind&iacute;genas, ribeirinhas, idosas, das cidades perif&eacute;ricas nesse mapa? Ainda mais subjugadas, alvo de desigualdades e de discrimina&ccedil;&atilde;o acentuadamente maiores do que j&aacute; s&atilde;o, de um modo geral. E at&eacute; agora, ainda nem falamos dos abusos e ass&eacute;dios morais e sexuais sofridos pelas mulheres no local de trabalho. Conforme a Ag&ecirc;ncia Patr&iacute;cia Galv&atilde;o (2020), cerca de 40% delas j&aacute; foram xingadas ou ouviram gritos em ambiente de trabalho, contra apenas 13% dos homens.<\/p>\n<p>Infelizmente, interessa a uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o, incluindo pessoas f&iacute;sicas, corpora&ccedil;&otilde;es, institui&ccedil;&otilde;es civis e governamentais, que se beneficia de toda essa desigualdade brutal de g&ecirc;nero, mant&ecirc;-la na invisibilidade, para continuar tirando proveito do que ele gera de privil&eacute;gios para tal quinh&atilde;o. E uma forma de combater a invisibilidade de um fen&ocirc;meno t&atilde;o crucial na vida em sociedade &eacute;, exatamente, dar visibilidade a todas as suas faces, incluindo suas mazelas e os seus pontos positivos, ainda que fora da curva.<\/p>\n<p>Na Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de Goi&aacute;s (Seds), pasta em que estou secret&aacute;rio, das sete superintend&ecirc;ncias, seis s&atilde;o ocupadas por mulheres. A experi&ecirc;ncia de gest&atilde;o que essas superintendentes proporcionam diariamente? Capacidades anal&iacute;tica e de decis&atilde;o, comprometimento, lideran&ccedil;a, pr&oacute;-atividade, foco, senso de equipe, agilidade, sensibilidade, disposi&ccedil;&atilde;o para aprender, resultados&#8230;<\/p>\n<p>E como a visibilidade se concretiza com nome e sobrenome, aproveito a oportunidade para manifestar o meu reconhecimento do lugar de direito da mulher, nominando as superintendentes da Seds: K&eacute;rima Ferreira Sobrinho (Superintend&ecirc;ncia do Sistema Socioeducativo), Silvana Fuini (Superintend&ecirc;ncia de Desenvolvimento, Assist&ecirc;ncia Social e Inclus&atilde;o), Rosi Guimar&atilde;es (Superintend&ecirc;ncia da Mulher e da Igualdade Racial), Rita de C&aacute;ssia Borges Melo (Superintend&ecirc;ncia de Gest&atilde;o Integrada), Ana Lu&iacute;sa Freire (Superintend&ecirc;ncia dos Direitos Humanos) e C&aacute;ssia Bessa (Superintend&ecirc;ncia de Gest&atilde;o e Controle de Parcerias, Contrata&ccedil;&otilde;es e Transfer&ecirc;ncias). Das 42 estruturas funcionais de destaque da Secretaria, 24 s&atilde;o ocupadas por mulheres, cujos sal&aacute;rios se equiparam aos dos homens.&nbsp;<\/p>\n<p>Pode ser que a realidade da Seds seja aquela tal gota d &#39;&aacute;gua em um oceano de obst&aacute;culos estruturantes enfrentados pela mulher diariamente. E eu acredito que seja mesmo. Mas o movimento da mar&eacute; desse oceano est&aacute; mudando. Provavelmente, aqueles que sempre nadaram de bra&ccedil;ada nesse mar e nunca reclamaram da liberdade e do poder que gozavam para isso, podem ver exageros nas mudan&ccedil;as. A esses, eu diria: acalmem-se, o mar nasceu pra todos. E todas.<\/p>\n<p>A luta para transformar o mapa de g&ecirc;nero do mercado de trabalho brasileiro n&atilde;o &eacute; tarefa a ser deixada s&oacute; para as mulheres, mas para os homens tamb&eacute;m. Se formos honestos, &eacute; uma tarefa, principalmente, para n&oacute;s, que promovemos a retroalimenta&ccedil;&atilde;o de uma estrutura social que nos privilegia. Seja na rotina da vida profissional ou pessoal. E essa rotina n&atilde;o pode continuar arcaica e injusta. A mulher precisa ser reconhecida como protagonista da sociedade, em todas as suas frentes.<\/p>\n<p>Wellington Matos &#8211; Secret&aacute;rio de Estado de Desenvolvimento Social do Estado (Seds) &#8211; Governo de Goi&aacute;s<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mapa de g&ecirc;nero do mercado de trabalho brasileiro &eacute; arcaico e injusto. Arcaico porque sua configura&ccedil;&atilde;o reproduz uma estrutura que desvaloriza o lugar e o papel da mulher no campo profissional. Injusto, a come&ccedil;ar por esta raz&atilde;o, enfileirada por muitas outras, incluindo motivos na seara do imoral. 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