
{"id":4330,"date":"2020-08-24T14:07:19","date_gmt":"2020-08-24T17:07:19","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/social\/vitimas-de-violencia-domestica-encontram-apoio-para-superar-traumas-e-reconstruir-caminhos-2\/"},"modified":"2020-08-24T14:07:19","modified_gmt":"2020-08-24T17:07:19","slug":"vitimas-de-violencia-domestica-encontram-apoio-para-superar-traumas-e-reconstruir-caminhos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/social\/vitimas-de-violencia-domestica-encontram-apoio-para-superar-traumas-e-reconstruir-caminhos-2\/","title":{"rendered":"V\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica encontram apoio para superar traumas e reconstruir caminhos"},"content":{"rendered":"<p>Do ano passado at&eacute; hoje, o Centro de Refer&ecirc;ncia da Igualdade do Governo de Goi&aacute;s j&aacute; atendeu 333 mulheres em busca de aux&iacute;lio para sair do ciclo de agress&atilde;o. No espa&ccedil;o, elas recebem acompanhamento psicol&oacute;gico, assistencial e jur&iacute;dico<br \/>\n&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Silvia (nome fict&iacute;cio), funcion&aacute;ria p&uacute;blica, de 48 anos, viveu um casamento com agress&otilde;es verbais, f&iacute;sicas, financeiras e at&eacute; amea&ccedil;as de morte de membros da fam&iacute;lia. &ldquo;Era uma situa&ccedil;&atilde;o muito dif&iacute;cil&rdquo;, recorda. Ap&oacute;s duas d&eacute;cadas e meia de sofrimento, ela procurou ajuda da pol&iacute;cia e foi encaminhada para o Centro de Refer&ecirc;ncia da Igualdade (Crei), do Governo de Goi&aacute;s, para participar dos Grupos Reflexivos para V&iacute;timas de Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica.&nbsp;<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria dela &eacute; parecida com os relatos de 333 mulheres que foram atendidas pelo Crei do ano passado at&eacute; agora. A unidade vinculada &agrave; Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds) funciona em uma sala acolhedora, nas depend&ecirc;ncias da pr&oacute;pria Seds, na Pra&ccedil;a C&iacute;vica.<\/p>\n<p>No espa&ccedil;o as v&iacute;timas s&atilde;o acolhidas pela equipe de tr&ecirc;s psic&oacute;logas, uma advogada e assistentes, para receber acompanhamento psicol&oacute;gico, assistencial e jur&iacute;dico.&nbsp;<\/p>\n<p>A funcion&aacute;ria p&uacute;blica ainda aguarda a conclus&atilde;o do processo de separa&ccedil;&atilde;o na Justi&ccedil;a, mas est&aacute; morando em outra resid&ecirc;ncia e possui medidas protetivas. &ldquo;A gente acaba achando que aquela vida &eacute; normal&rdquo;, diz ela. &ldquo;Essa rede de apoio me fortaleceu muito. Esse grupo &eacute; muito importante para que mais mulheres que est&atilde;o sofrendo possam procurar ajuda.&rdquo;<\/p>\n<p>Psic&oacute;loga da Seds, Heloisa de Castro Eleuterio explica que as v&iacute;timas chegam at&eacute; o Crei por encaminhamentos da Delegacia da Mulher ou do Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado de Goi&aacute;s (TJ-GO) ou espontaneamente. &ldquo;Aqui no Crei, n&oacute;s fortalecemos a v&iacute;tima, damos suporte emocional para ela entender a viol&ecirc;ncia que est&aacute; sofrendo e tomar as decis&otilde;es corretas&rdquo;, explica Heloisa.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo momento, em raz&atilde;o da pandemia de Covid-19, os atendimentos est&atilde;o sendo feitos virtualmente. Al&eacute;m dos atendimentos individuais, o Crei desenvolve tamb&eacute;m grupos reflexivos, tanto com v&iacute;timas como com autores de viol&ecirc;ncia, que s&atilde;o encaminhados para os grupos por medida judicial, como prev&ecirc; a Lei Maria da Penha.&nbsp;<\/p>\n<p>Heloisa relata uma das v&aacute;rias hist&oacute;rias marcantes e de supera&ccedil;&atilde;o que passaram pelo Crei, como a de uma mulher de 55 anos que sofria viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica desde sua juventude. Depois de um longo ciclo de viol&ecirc;ncia que deixou marcas f&iacute;sicas e psicol&oacute;gicas, ela procurou o Crei ap&oacute;s ver um an&uacute;ncio no transporte p&uacute;blico da capital.<\/p>\n<p>&ldquo;Ela sofreu viol&ecirc;ncia a vida inteira e nem se dava conta que era viol&ecirc;ncia. Quando n&atilde;o deu conta mais, nos procurou&rdquo;, relata a psic&oacute;loga. &ldquo;Ela conseguiu se separar, se renovar e olhar para frente.&rdquo;<\/p>\n<p>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Primeiro atendimento<\/strong><\/p>\n<p>A forma em que as v&iacute;timas chegam ao Crei s&atilde;o muito parecidas. &ldquo;No primeiro atendimento, a v&iacute;tima chora muito. S&oacute; olham para os p&eacute;s, n&atilde;o conseguem erguer a cabe&ccedil;a, nem visualizar o futuro.&rdquo;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA cozinheira Joelma (nome fict&iacute;cio), de 60 anos, sofreu espancamento durante o casamento de mais de 30 anos. Pela idade, ela sentia medo em buscar ajuda. &ldquo;Eu achava vergonhoso&rdquo;, contou.<\/p>\n<p>Ela lembra que chegava a ir ao local de atendimento do Crei e n&atilde;o tinha coragem de entrar, at&eacute; que certo dia rompeu o bloqueio psicol&oacute;gico e entrou. Hoje, ela mora em outra cidade e &eacute; acompanhada pela equipe do Centro de Refer&ecirc;ncia. &ldquo;Tem que ter coragem. Eu tive coragem e dei o primeiro passo, n&atilde;o importa a idade. Eu estava no fundo do po&ccedil;o e nasci de novo&rdquo;, conta.<\/p>\n<p>O atendimento no Crei &eacute; a amplia&ccedil;&atilde;o de um novo horizonte fora do ciclo de viol&ecirc;ncia, como explica a gerente de Enfrentamento &agrave; Viol&ecirc;ncia contra as Mulheres, da Seds, Juliana Caiado. &ldquo;Os principais pilares desse atendimento s&atilde;o o acolhimento e a promo&ccedil;&atilde;o de autonomia. A mulher que passou por uma situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia precisa ser ouvida verdadeiramente, acolhida em seu sofrimento, mas tamb&eacute;m precisa dispor de possibilidades de sair do ciclo de viol&ecirc;ncia e n&atilde;o mais permanecer em rela&ccedil;&otilde;es abusivas.&rdquo;<\/p>\n<p>A secret&aacute;ria de Desenvolvimento Social, L&uacute;cia V&acirc;nia, destaca que o trabalho do Crei e de toda a Rede de Atendimento e Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; Mulher, do Governo de Goi&aacute;s, coordenados pela Seds, s&atilde;o fundamentais para romper o ciclo de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica.&nbsp;<\/p>\n<p>L&uacute;cia V&acirc;nia destaca que a Lei Maria da Penha completou 14 anos e, al&eacute;m de criar mecanismos para combater a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, avan&ccedil;ou na cria&ccedil;&atilde;o de estruturas para oferecer uma rede de apoio &agrave;s v&iacute;timas. &ldquo;No Crei, abrimos caminhos para essas v&iacute;timas sa&iacute;rem desse ciclo abusivo, prestamos todo o apoio, orientamos e protegemos. Elas chegam at&eacute; n&oacute;s em um momento muito dif&iacute;cil e saem com a esperan&ccedil;a de um recome&ccedil;o&rdquo;, explica a secret&aacute;ria.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO atendimento do Crei est&aacute; sendo realizado de forma virtual. Os n&uacute;meros funcionais s&atilde;o o (62) 99830-6019 e (62) 3201-748, e est&atilde;o &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da sociedade goiana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do ano passado at&eacute; hoje, o Centro de Refer&ecirc;ncia da Igualdade do Governo de Goi&aacute;s j&aacute; atendeu 333 mulheres em busca de aux&iacute;lio para sair do ciclo de agress&atilde;o. 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