

{"id":71,"date":"2019-10-11T16:10:15","date_gmt":"2019-10-11T19:10:15","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/obesidade-infantil-desafia-pais-e-gestores\/"},"modified":"2019-10-11T16:10:15","modified_gmt":"2019-10-11T19:10:15","slug":"obesidade-infantil-desafia-pais-e-gestores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/obesidade-infantil-desafia-pais-e-gestores\/","title":{"rendered":"Obesidade infantil desafia\u00a0pais e gestores\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><em>Levantamento do IBGE aponta que uma em cada tr\u00eas crian\u00e7as est\u00e1 acima do peso no Brasil. Endocrinologista associa obesidade na inf\u00e2ncia \u00e0 mudan\u00e7a dos h\u00e1bitos alimentares e \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da atividade f\u00edsica<\/em><\/p>\n<p>O Dia das Crian\u00e7as, celebrado em 12 de outubro, \u00e9 muito mais que uma data comemorativa marcada pela entrega de presentes, realiza\u00e7\u00e3o de brincadeiras e manifesta\u00e7\u00f5es de afeto. Institu\u00eddo no Brasil por meio de um decreto federal assinado em 1924, a data \u00e9, acima de tudo, uma ocasi\u00e3o para a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre as garantias dos direitos fundamentais das crian\u00e7as, entre os quais o direito \u00e0 sa\u00fade. Em todo o mundo, inclusive no Brasil, a obesidade infantil \u00e9 um dos principais fatores que p\u00f5e em risco o futuro das crian\u00e7as e um dos mais urgentes desafios a serem enfrentados pelo poder p\u00fablico e pela sociedade em geral.<\/p>\n<p>Os dados sobre obesidade infantil s\u00e3o t\u00e3o alarmantes que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima que em 2025 o n\u00famero de crian\u00e7as obesas no planeta chegue a 75 milh\u00f5es. Os registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) apontam que uma em cada grupo de tr\u00eas crian\u00e7as, com idade entre cinco e nove anos, est\u00e1 acima do peso no Pa\u00eds. As notifica\u00e7\u00f5es do Sistema de Vigil\u00e2ncia Alimentar e Nutricional, de 2019, revelam que 16,33% das crian\u00e7as brasileiras entre cinco e dez anos est\u00e3o com sobrepeso; 9,38% com obesidade; e 5,22% com obesidade grave. Em rela\u00e7\u00e3o aos adolescentes, 18% apresentam sobrepeso; 9,53% s\u00e3o obesos; e 3,98% t\u00eam obesidade grave.<\/p>\n<p>A alta incid\u00eancia da obesidade infantil no Brasil levou o ministro da Sa\u00fade, Luiz Henrique Mandetta, a se manifestar com preocupa\u00e7\u00e3o sobre a quest\u00e3o. Ao participar de um evento sobre alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, em agosto, em Bras\u00edlia, o ministro destacou que o Brasil est\u00e1 prestes a conquistar a inc\u00f4moda lideran\u00e7a de pa\u00eds mais sedent\u00e1rio do mundo. Ele ressaltou que o problema ocorre porque \u201cas pessoas consomem, cada vez mais, alimenta\u00e7\u00e3o industrializada, com excesso de a\u00e7\u00facar e de s\u00f3dio\u201d. Al\u00e9m disso, pontua Mandetta, o tempo das crian\u00e7as em frente ao computador tem aumentado de forma significativa, tomando o espa\u00e7o antes reservado \u00e0s brincadeiras associadas, de forma espont\u00e2nea, \u00e0 atividade f\u00edsica.<\/p>\n<p><strong>Fatores de risco<\/strong><\/p>\n<p>O m\u00e9dico endocrinologista Nelson Rassi, chefe do Servi\u00e7o de Endocrinologia do Hospital Estadual Geral de Goi\u00e2nia Alberto Rassi (HGG), unidade da Secretaria de Estado da Sa\u00fade de Goi\u00e1s (SES-GO), ressalta que os \u00edndices de obesidade infantil t\u00eam avan\u00e7ado, principalmente, nos pa\u00edses em desenvolvimento que enfrentam dificuldades econ\u00f4micas, como o Brasil. Ele acentua que v\u00e1rios fatores contribuem para o crescimento da obesidade na popula\u00e7\u00e3o brasileira, em especial nas crian\u00e7as. Um destes fatores, conforme o m\u00e9dico, \u00e9 a mudan\u00e7a de h\u00e1bitos alimentares ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Anteriormente, a popula\u00e7\u00e3o infantil tinha acesso a uma alimenta\u00e7\u00e3o mais caseira, mais saud\u00e1vel. Hoje, h\u00e1 o consumo acentuado da comida industrializada.<\/p>\n<p>\u201cOs lanches fornecidos \u00e0s crian\u00e7as, por exemplo, deixaram de ser preparados em casa. Eles foram substitu\u00eddos por lanches industrializados, como barrinhas de cereal, bolachas recheadas, chocolates e salgadinhos, a maioria ricos em s\u00f3dio, conservante e a\u00e7\u00facar\u201d, enfatiza o chefe do Servi\u00e7o de Endocrinologia do HGG. Na pr\u00e1tica, assinala, as fam\u00edlias perderam o h\u00e1bito de comer juntas as tr\u00eas principais refei\u00e7\u00f5es do dia. Associada a essa quest\u00e3o, ocorreram a populariza\u00e7\u00e3o dos fast food e a grande avalanche de propagandas deste tipo de alimenta\u00e7\u00e3o. Nelson Rassi observa que, muitas vezes, na tentativa de incentivar as crian\u00e7as a fazer a tarefa escolar, por exemplo, pais ou respons\u00e1veis se comprometem a lev\u00e1-las a uma lanchonete em que s\u00e3o servidos os fast food.<\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0 mudan\u00e7a dos h\u00e1bitos alimentares, houve, conforme o m\u00e9dico, a substitui\u00e7\u00e3o das brincadeiras de crian\u00e7a pela atividade f\u00edsica programada. As novas gera\u00e7\u00f5es de meninos e meninas deixaram de participar de brincadeiras como jogar bola na rua, pique, queimada, pular corda e andar de bicicleta. Atualmente, a maioria pratica exerc\u00edcios f\u00edsicos em hor\u00e1rios programados, em alguns dias da semana, na escolinha de futebol, na nata\u00e7\u00e3o, no v\u00f4lei e nas aulas de bal\u00e9. O restante do tempo \u00e9 gasto com o uso de celulares e computadores. Esta altera\u00e7\u00e3o, acentua Nelson Rassi, levou \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o das horas de atividades f\u00edsicas.<\/p>\n<p><strong>Risco para outras doen\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>O chefe do Servi\u00e7o de Endocrinologia do HGG aponta a necessidade de revers\u00e3o da curva da obesidade o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Afinal, destaca, uma crian\u00e7a obesa \u00e9 presa f\u00e1cil para se tornar um adolescente e um adulto obeso. Al\u00e9m de impor aspectos negativos do ponto de vista social, como casos de bullying, a obesidade \u00e9 fator de risco para v\u00e1rios agravos e doen\u00e7as, entre os quais colesterol alto, hipertens\u00e3o, diabetes e doen\u00e7as cardiovasculares. Em tese, enfatiza Nelson Rassi, a crian\u00e7a obesa que se torna um adulto obeso corre o risco de ter uma vida mais curta.<\/p>\n<p>Os riscos relacionados \u00e0 obesidade preocupam a dona de casa \u00c2ngela de Melo Alves Monteiro, de 41 anos, desde o nascimento da filha, Maria Eduarda de Melo Monteiro, de dez anos. A menina, conforme diz, sempre gostou de comer muito e desde os primeiros anos apresentou os \u00edndices de peso e altura al\u00e9m do indicado para a sua faixa et\u00e1ria. Quando a garota tinha cinco anos, os exames demonstraram taxas elevadas de triglic\u00e9rides e colesterol.<\/p>\n<p>\u201cPara mim, sempre foi uma luta manter o peso da minha filha em par\u00e2metros considerados normais e assegurar a sa\u00fade dela\u201d, pontua a dona de casa. Ela conta que as altera\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis de colesterol e triglic\u00e9rides acenderam o primeiro sinal de alerta. O m\u00e9dico pediatra da menina indicou uma dieta que \u00c2ngela de Melo a fez seguir \u00e0 risca. \u201cCortei todo tipo de guloseima como bolacha recheada, sorvete e chocolate. Dava apenas uma vez na semana pelo fato de ela ser crian\u00e7a\u201d, assinala. Al\u00e9m disso, ela colocou a filha na aula de nata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar dos esfor\u00e7os, Maria Eduarda sempre teve instabilidade no peso. \u00c2ngela de Melo diz que em maio deste ano a menina chegou a pesar 60 quilos. Quando as taxas de colesterol e triglic\u00e9rides foram controladas, o n\u00edvel da glicemia aumentou. Hoje, Maria Eduarda est\u00e1 com 1,60 metro de altura e 55 quilos. \u201cEla chegou a sofrer a bullying na escola\u201d, relata \u00c2ngela de Melo. Hoje, conforme diz, j\u00e1 se aproximando dos 11 anos, a garota tem se mostrado vaidosa, o que tem contribu\u00eddo para a perda de peso.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-28619 alignnone\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/images\/imagens_migradas\/2019\/10\/angela-e-a-filha-1024x897.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"897\" \/><\/p>\n<p><strong>Desafio conjunto<\/strong><\/p>\n<p>O mesmo tipo de dificuldade vivenciado por \u00c2ngela de Melo \u00e9 enfrentado por uma analista de sistema de 41 anos, que prefere n\u00e3o revelar o nome. A filha dela, de 11 anos, pesa atualmente mais de 60 quilos. A menina, conforme relata a m\u00e3e, adora comer doce e macarr\u00e3o e beber refrigerante diariamente. Al\u00e9m disso, tem hist\u00f3rico de obesidade na fam\u00edlia. \u201cEu a levei em uma nutricionista que prescreveu uma dieta equilibrada, rica em frutas e verduras\u201d, destaca. Ela conta que a filha faz atividade f\u00edsica na escola e, eventualmente, anda de bicicleta nas proximidades de casa. A analista de sistema assegura que limita o uso do celular e do computador em casa como forma de incentivar a pr\u00e1tica das brincadeiras que exigem maior esfor\u00e7o f\u00edsico.<\/p>\n<p>O endocrinologista Nelson Rassi aponta a necessidade de uni\u00e3o de esfor\u00e7os das fam\u00edlias, m\u00e9dicos, educadores e representantes do poder p\u00fablico para a revers\u00e3o dos \u00edndices de obesidade infantil. Aos pais, respons\u00e1veis, educadores e m\u00e9dicos, cabem o papel de orientar a crian\u00e7a\u201d, pontua. J\u00e1 o poder p\u00fablico, na avalia\u00e7\u00e3o de Nelson Rassi, deve investir maci\u00e7amente na realiza\u00e7\u00e3o de campanhas educativas voltadas ao incentivo da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e da pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos. Ele tamb\u00e9m aponta a necessidade de o Estado definir regras mais r\u00edgidas para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos industrializados, com teores moderados de a\u00e7\u00facar, conservante e s\u00f3dio, e realizar fiscaliza\u00e7\u00f5es efetivas na comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos que fazem mal \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p><em>Maria Jos\u00e9 Silva (texto) e Sebasti\u00e3o Nogueira (fotos), da Comunica\u00e7\u00e3o Setorial<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento do IBGE aponta que uma em cada tr\u00eas crian\u00e7as est\u00e1 acima do peso no Brasil. 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