

{"id":3912,"date":"2016-08-31T13:45:51","date_gmt":"2016-08-31T16:45:51","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/com-gostinho-de-casa-menu-hospitalar-evolui-para-atender-pacientes\/"},"modified":"2016-08-31T13:45:51","modified_gmt":"2016-08-31T16:45:51","slug":"com-gostinho-de-casa-menu-hospitalar-evolui-para-atender-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/com-gostinho-de-casa-menu-hospitalar-evolui-para-atender-pacientes\/","title":{"rendered":"Com gostinho de casa, menu hospitalar evolui para atender pacientes"},"content":{"rendered":"<p><h6><\/h6>\n<\/p>\n<div class=\"tx cl\">\n<p><em>Prepara\u00e7\u00f5es saborosas e quentinhas recuperam a sa\u00fade e colaboram com a sa\u00fade f\u00edsica e mental das pessoas em interna\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Todo mundo j\u00e1 ouviu falar do quanto comida de hospital \u00e9 ruim, n\u00e3o \u00e9? A fama surgiu h\u00e1 muito tempo quando ainda se acreditava que as pessoas com algum problema de sa\u00fade deveriam se alimentar de por\u00e7\u00f5es sem sal ou tempero. A regra era servir sopas, caldos ou alimentos s\u00f3lidos insossos que, ao contr\u00e1rio de instigar a fome, geravam repulsa. Esse cen\u00e1rio mudou bastante, especialmente nos \u00faltimos anos. Agora, a assist\u00eancia ao paciente conta com profissionais especializados e tamb\u00e9m com uma nova forma e encarar a nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um estudo realizado por m\u00e9dicos da Universidade de Berna, na Su\u00ed\u00e7a, e publicado na revista cient\u00edfica American Journal of Clinical Nutrition h\u00e1 8 anos mostrava que a interna\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 \u00e9 um inibidor de apetite. Por outro lado, uma pesquisa da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, em 2008, apontou que pacientes hospitalizados gostariam de comer pratos que relembrassem bons momentos em fam\u00edlia, aqueles feitos pelas m\u00e3es e av\u00f3s que remetem a carinho e acalanto, como canja, pur\u00ea de batata e macarr\u00e3o.<\/p>\n<p>No contexto brasileiro, o card\u00e1pio tradicional impera. A boa e velha comida caseira, composta pelo trivial e que n\u00e3o deixa a desejar \u00e9 arroz, feij\u00e3o, carne e salada. Juntos, eles s\u00e3o imbat\u00edveis para a maioria dos paladares. No entanto, a miss\u00e3o de oferecer o menu b\u00e1sico e mais bem quisto entre os pacientes se complica quando parte dos itens proibidos s\u00e3o os principais para tornar uma refei\u00e7\u00e3o mais apetitosa. O sal e a gordura tendem a ser nocivos para os pacientes internados e quase sempre s\u00e3o banidos por indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Assim, o esmero se volta para temperos diferenciados, apresenta\u00e7\u00e3o e temperatura da comida.<\/p>\n<p>Para satisfazer o paciente, o preenchimento de um simples \u201croteiro nutricional&#8221; auxilia a identifica\u00e7\u00e3o de alimentos e pratos favoritos que passam pelo crivo da equipe de nutricionistas e, a\u00ed sim, pode ser atendidas. A realiza\u00e7\u00e3o de simples desejos alimentares satisfaz o corpo, a mente e o cora\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00f3s respeitamos a prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e as especificidades da doen\u00e7a que acomete o paciente, mas conciliamos com o gosto da pessoa que est\u00e1 hospitalizada\u201d, explica a coordenadora de Nutri\u00e7\u00e3o do Hospital Materno Infantil (HMI), Jussara Amorim.<\/p>\n<p>No menu dos pacientes, h\u00e1 poucas exce\u00e7\u00f5es. A carne de porco \u00e9 uma delas por causa da dif\u00edcil digest\u00e3o, enquanto refrigerante, frituras, comida condimentada e embutidos est\u00e3o fora do card\u00e1pio j\u00e1 que a proposta \u00e9 o incentivo a uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. \u201cApesar disso, de acordo com a situa\u00e7\u00e3o do paciente e na aus\u00eancia de restri\u00e7\u00f5es extremas, um refrigerante pode ser sim servido por n\u00f3s. Claro que isso n\u00e3o ser\u00e1 diariamente, mas consideramos o aspecto emocional porque o paciente fica feliz e aumenta a aceita\u00e7\u00e3o aos demais alimentos. \u00c9 tudo bastante individualizado e flex\u00edvel dentro do poss\u00edvel\u201d, destaca a coordenadora.<\/p>\n<p><strong>Particularidades<\/strong>\u00a0&#8211; Atentas \u00e0s normas de qualidade e de seguran\u00e7a, a equipe de nutricionistas da unidade atende a um batalh\u00e3o e lida com o desafio de deixar os pacientes com \u00e1gua na boca. As prepara\u00e7\u00f5es s\u00e3o organizadas aliando o prazer de comer e o est\u00edmulo de diversos sentidos, como o olfato e vis\u00e3o, mas principalmente o paladar. \u201cAntes, o card\u00e1pio hospitalar era basicamente sopa por causa da f\u00e1cil digest\u00e3o e f\u00e1cil mastiga\u00e7\u00e3o. Agora pesamos a cores, a atra\u00e7\u00e3o \u00e0 comida, a textura dos alimentos e o sabor, mesmo que seja peculiar a cada pessoa. Prezamos o equil\u00edbrio\u201d, salienta Jussara.<\/p>\n<p>A tarefa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, afinal de contas, elas precisam associar esses fatores \u00e0 dietas personalizadas que podem exigir algumas restri\u00e7\u00f5es alimentares, dependendo da enfermidade do paciente. Al\u00e9m disso, elas encaram diferentes prefer\u00eancias, ou seja, encaram o trabalho de melhorar a aceita\u00e7\u00e3o alimentar para conseguir ades\u00e3o do paciente ao tratamento dietoter\u00e1pico.<\/p>\n<p>Jussara destaca que houve uma evolu\u00e7\u00e3o da nutri\u00e7\u00e3o hospitalar. \u201cProcuramos oferecer refei\u00e7\u00f5es balanceadas, saud\u00e1veis e saborosas. A\u00ed utilizamos o conhecimento cient\u00edfico e a criatividade\u201d, afirma. O card\u00e1pio hospitalar, segundo ela, deve conter variedade de alimentos, precisa aliar os h\u00e1bitos alimentares dos pacientes para que a dieta n\u00e3o seja radicalmente diferente daquela \u00e0 qual o organismo est\u00e1 acostumado e atender \u00e0s necessidades nutricionais e cal\u00f3ricas. O trabalho do servi\u00e7o de Nutri\u00e7\u00e3o diet\u00e9tica tem ainda outra fun\u00e7\u00e3o importante: identificar as complica\u00e7\u00f5es decorrentes da hospitaliza\u00e7\u00e3o, diminuir os riscos de mortalidade e de morbidade (conjunto de causas capazes de produzir uma doen\u00e7a), promover e melhorar os h\u00e1bitos alimentares.<\/p>\n<p>Funciona da seguinte maneira: se uma crian\u00e7a internada no HMI n\u00e3o est\u00e1 acostumada com um determinado alimento, a equipe prepara um card\u00e1pio com aqueles que ela gosta mas acrescenta o item fora da lista de prefer\u00eancia e explica a import\u00e2ncia para a sa\u00fade. \u201cA ingest\u00e3o nunca \u00e9 for\u00e7ada. Orientamos a m\u00e3e ou acompanhante e fazemos o mesmo com a mulher hospitalizada na unidade. Muitos se conscientizam e aderem ao tratamento\u201d, afirma Jussara. Segundo ela, alguns pacientes recebem alta e dizem que passaram a gostar do que antes nem cogitavam apreciar. Em caso de alergias alimentares, gesta\u00e7\u00e3o de alto risco ou situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que demandem aten\u00e7\u00e3o nutricional, o paciente recebe acompanhamento do Ambulat\u00f3rio de Nutri\u00e7\u00e3o do HMI. \u201cAl\u00e9m da alimenta\u00e7\u00e3o para acabar com a fome e para a recupera\u00e7\u00e3o, atuamos em prol de uma educa\u00e7\u00e3o nutricional\u201d, frisa a coordenadora.<\/p>\n<p><strong>Sopa sim!<\/strong>\u00a0&#8211; \u00c9 o caso do pequeno Izaaque Pires, de 5 anos. Ele ficou internado no HMI durante 22 dias, ap\u00f3s uma \u00falcera no intestino. Bem melhor, o garoto n\u00e3o se parece em nada com aquele que deu entrada na unidade no in\u00edcio de agosto. O menino at\u00e9 ganhou peso. A m\u00e3e, Nelma Pires, \u00e9 s\u00f3 elogios. \u201cTenho que agradecer a todos da equipe de Nutri\u00e7\u00e3o do hospital. A comida \u00e9 uma delicia, especialmente em compara\u00e7\u00e3o a anos atr\u00e1s, quando era horr\u00edvel. Hoje a qualidade e atendimento s\u00e3o muito bons e tem carinho e aten\u00e7\u00e3o de todos, que fazem tudo com amor e carinho\u201d.<\/p>\n<p>O relato \u00e9 bastante significativo. O filho n\u00e3o comia nenhuma verdura, situa\u00e7\u00e3o bem diferente da atual. \u201c\u00c9 gostosa\u201d, diz o menino sobre a comida. \u201cEu tinha que brigar com ele para comer. Os \u00fanicos vegetais que ele comia eram batata e tomate, que Izaaque amava. Salada n\u00e3o comia de jeito nenhum. Era s\u00f3 arroz, carne e feij\u00e3o. Precisava brigar para comer o restante. Agora, ele come e adora sopa!\u201d, afirma, contente pela recupera\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e mudan\u00e7a de paladar. A m\u00e3e diz que vai preparar em casa para ele embora oferecesse.<\/p>\n<p>\u201cEle gostou da forma como trouxeram para os vegetais, em forma de sopa\u201d, acrescenta. Nelma acredita que o local onde viviam tamb\u00e9m tenha influenciado na rejei\u00e7\u00e3o de certos alimentos. Ela, o filho e o marido moravam em Londres, na Inglaterra, onde a apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante diferenciada. \u201cL\u00e1, a cenoura, por exemplo, \u00e9 sempre pr\u00e9-cozida e servida em tirinhas. A maioria dos vegetais \u00e9 servido cru e n\u00e3o cozido\u201d, frisa.<\/p>\n<p><strong>Fonte de sa\u00fade<\/strong>\u00a0&#8211; O grego Hip\u00f3crates, considerado o pai da Medicina, j\u00e1 abordava a sabedoria envolvendo comida e qualidade de vida ainda s\u00e9culo 4 antes de Cristo, quando aconselhou: &#8220;que seu rem\u00e9dio seja seu alimento e que seu alimento seja seu rem\u00e9dio&#8221;. Centenas de anos mais tarde, na Idade M\u00e9dia a cren\u00e7a era de que alguns alimentos eram m\u00e1gicos e outros eram envoltos por tabus, a ci\u00eancia moderna consegue determinar as rela\u00e7\u00f5es entre os nutrientes, os pap\u00e9is biol\u00f3gicos de cada um deles e as necessidades diet\u00e9ticas de cada ser humano.<\/p>\n<p>Esse conhecimento \u00e9 utilizado diariamente em hospitais h\u00e1 cerca de 20 anos para a recupera\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dos pacientes em conjunto com os procedimentos e orienta\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Amanh\u00e3, quarta-feira (31 de agosto), inclusive \u00e9 o dia do Nutricionista, profissional respons\u00e1vel por implementar esse cuidado nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Considerados rem\u00e9dios naturais, alguns alimentos ou grupos alimentares s\u00e3o imprescind\u00edveis na dieta de cada tipo de paciente. No caso de crian\u00e7as e mulheres que deram \u00e0 luz ou passaram por uma cirurgia, a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 diferenciada. Os cuidados levam em considera\u00e7\u00e3o a fragilidade da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica em que se encontram. Especializado na sa\u00fade feminina e de crian\u00e7as, o HMI serviu entre janeiro e junho deste ano 24.380 refei\u00e7\u00f5es para pacientes e 23.917 refei\u00e7\u00f5es para acompanhantes. Al\u00e9m deles, a unidade serve tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es para os colaboradores.<\/p>\n<p>Diariamente, s\u00e3o oferecidos caf\u00e9 da manh\u00e3, cola\u00e7\u00e3o, almo\u00e7o, lanche, jantar e ceia. Basicamente, a composi\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um carboidrato (arroz branco ou integral, por exemplo), prote\u00edna (algum tipo de carne), vegetais, suco de fruta natural e\/ou fruta natural. \u201cA alimenta\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa deve ter composta por macro e micro nutrientes. Na primeira categoria, o ideal ao longo do dia seria um total de 60% de carboidrato, 25% de prote\u00ednas e 15% de lip\u00eddios na dieta. As vitaminas, sais minerais e fibras integram o segundo grupo necess\u00e1rio para o organismo\u201d, explica Jussara.<\/p>\n<p><strong>Fonte: HMI<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prepara\u00e7\u00f5es saborosas e quentinhas recuperam a sa\u00fade e colaboram com a sa\u00fade f\u00edsica e mental das pessoas em interna\u00e7\u00e3o Todo mundo j\u00e1 ouviu falar do quanto comida de hospital \u00e9 ruim, n\u00e3o \u00e9? 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